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Surgiste em meu horizonte como
a aurora a estender os seus raios de ouro, penetrando as frestas da
minha alma desejosa de amor.
Eu dormia...
O meu ser jazia sob o escuro
da solidão;
E tu disseste à minha alma,
soprando aos meus ouvidos:
- Não mais estarás sozinho. Eu
vim para te aquecer.
Subitamente acordei pensando
estar sonhando.
E tu tocaste minha pele com o
teu calor da manhã, fazendo-me despertar para a vida;
Sopraste os teus aromas sobre
meu rosto pálido, devolvendo-me o vigor;
Envolveste-me em tua luz,
destruindo em mim todas as trevas;
Trouxeste contigo a efusão da
vida com todo o seu ardor.
Vieste devagar e, lentamente,
foste o meu dia.
Eu não falava, pois as
palavras me eram fúteis. Apenas te sentia.
Tu me entrelaçavas e eu me
deixava envolver.
Eu já não era a palidez de uma
vida sem sentido, a volúpia e o calor me fizeram despertar;
E aos teus braços me entreguei
cegamente.
O momento fazia de mim o ser
mais intensamente feliz;
Já não havia dor, angústia ou
solidão, eras a minha cura...
Contudo esqueci que nem tudo é dia.
E o dia foi passando...
No ápice do meio dia teu fogo
crepitava dentro de mim, devorando-me inteiramente;
E eu me entregava a tua chama;
Eu era o combustível, eras a
essência que me tomava...
Eu me deixava consumir, pois
neste momento eu existia para tal;
E o sol que tocava o meu corpo
aos poucos ia se tornando brando,
Como a trazer a serenidade de um amor que nascera,
E que, para mim, duraria
eternamente.
Mas o crepúsculo se
aproximava...
E, agora, seus raios eram mais
belos,
Brincando comigo, eles
refulgiam sobre minha pele;
Com sua multiplicidade de tons
afogueados...
Não entendi que te despedias
de mim e, que estavas dizendo adeus.
Nunca mais eu teria aquela
mesma aurora,
Pois a noite vinha com sua
escuridão,
Sua frieza já se tornava
latente em minha derme,
E, todo o calor que deixaste
em mim dava lugar, mais uma vez, à frieza da escuridão.
Enquanto tu agora estarias a
iluminar outros horizontes...
Distante de mim que fui o teu
amante...
Seduziste-me e te foste...
Acordaste-me para quê?
Para saborear-te de meu ser e
abandonar-me às angústias da noite?
Ou quiseste fazer-me enxergar
que nem tudo é treva?
Contudo sei que não mais terei
aqueles mesmos raios a tocar-me,
Que amanhã talvez nem haja sol,
O inverno se aproxima com sua
inclemência, prendendo-me em meu casulo...
Estou morrendo mais uma vez...
*Especialista
em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Educacional de Araucária,
Licenciado em Matemática pela Universidade Estadual de Alagoas. Diretor
Geral do Centro de Educação de Jovens e Adultos Remy Maia – CEJA – em
Palmeira dos Índios, Alagoas. Professor de Matemática e Física da Rede
Estadual de Ensino de Alagoas. Instrutor de Cursos de AutoCAD e Plantas
Humanizadas para Engenharia e Arquitetura.
Publicou
seu primeiro livro em 2003, intitulado “Frontispícios do Pensamento”.
e-mail:
edsonbmarques@yahoo.com.br
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