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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 03 de maio de 2010 22:36:19                                               

 
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POESIAS

Raios d'aurora

   

Edson Marques Brandão*

publicado em 03/05/2010


 

Surgiste em meu horizonte como a aurora a estender os seus raios de ouro, penetrando as frestas da minha alma desejosa de amor.

Eu dormia...

O meu ser jazia sob o escuro da solidão;

E tu disseste à minha alma, soprando aos meus ouvidos:

- Não mais estarás sozinho. Eu vim para te aquecer.

Subitamente acordei pensando estar sonhando.

E tu tocaste minha pele com o teu calor da manhã, fazendo-me despertar para a vida;

Sopraste os teus aromas sobre meu rosto pálido, devolvendo-me o vigor;

Envolveste-me em tua luz, destruindo em mim todas as trevas;

Trouxeste contigo a efusão da vida com todo o seu ardor.

Vieste devagar e, lentamente, foste o meu dia.

Eu não falava, pois as palavras me eram fúteis. Apenas te sentia.

Tu me entrelaçavas e eu me deixava envolver.

Eu já não era a palidez de uma vida sem sentido, a volúpia e o calor me fizeram despertar;

E aos teus braços me entreguei cegamente.

O momento fazia de mim o ser mais intensamente feliz;

Já não havia dor, angústia ou solidão, eras a minha cura...
Contudo esqueci que nem tudo é dia.

E o dia foi passando...

No ápice do meio dia teu fogo crepitava dentro de mim, devorando-me inteiramente;

E eu me entregava a tua chama;

Eu era o combustível, eras a essência que me tomava...

Eu me deixava consumir, pois neste momento eu existia para tal;

E o sol que tocava o meu corpo aos poucos ia se tornando brando,
Como a trazer a serenidade de um amor que nascera,

E que, para mim, duraria eternamente.

Mas o crepúsculo se aproximava...

E, agora, seus raios eram mais belos,

Brincando comigo, eles refulgiam sobre minha pele;

Com sua multiplicidade de tons afogueados...

Não entendi que te despedias de mim e, que estavas dizendo adeus.

Nunca mais eu teria aquela mesma aurora,

Pois a noite vinha com sua escuridão,

Sua frieza já se tornava latente em minha derme,

E, todo o calor que deixaste em mim dava lugar, mais uma vez, à frieza da escuridão.

Enquanto tu agora estarias a iluminar outros horizontes...

Distante de mim que fui o teu amante...

Seduziste-me e te foste...


Acordaste-me para quê?

Para saborear-te de meu ser e abandonar-me às angústias da noite?

Ou quiseste fazer-me enxergar que nem tudo é treva?

Contudo sei que não mais terei aqueles mesmos raios a tocar-me,
Que amanhã talvez nem haja sol,

O inverno se aproxima com sua inclemência, prendendo-me em meu casulo...
Estou morrendo mais uma vez...


 


 

*Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Educacional de Araucária, Licenciado em Matemática pela Universidade Estadual de Alagoas. Diretor Geral do Centro de Educação de Jovens e Adultos Remy Maia – CEJA – em Palmeira dos Índios, Alagoas. Professor de Matemática e Física da Rede Estadual de Ensino de Alagoas. Instrutor de Cursos de AutoCAD e Plantas Humanizadas para Engenharia e Arquitetura.

Publicou seu primeiro livro em 2003, intitulado “Frontispícios do Pensamento”.

e-mail: edsonbmarques@yahoo.com.br


 

 

 
  

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::sobre o autor::

 Edson Marques Brandão é Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Educacional de Araucária, Licenciado em Matemática pela Universidade Estadual de Alagoas. Diretor Geral do Centro de Educação de Jovens e Adultos Remy Maia – CEJA – em Palmeira dos Índios, Alagoas. Professor de Matemática e Física da Rede Estadual de Ensino de Alagoas. Instrutor de Cursos de AutoCAD e Plantas Humanizadas para Engenharia e Arquitetura.

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