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Quando curioso perguntei à minha mãe
De onde é que eu tinha vindo
Ela respondeu meio sorrindo
Que tinha me catado numa várzea
Assim como quem colhe Melancia
Perguntei o lugar certo, ela apontou
Com o nariz meio arrebitado
O fundo do quintal, entre a nascente
E eu fui lá sondar contente
Mas só havia água e lodo, a travessia
Será que euzinho vim da lama
Indaguei para a mãe que me ama
Ela disse que tinha me lavado
E feito uma oleira, de bom grado
Tinha me dado alma e serventia
Fiquei olhando a mãe nesse dia
Imaginando-a anjo e artista
Ela fingindo nem dar na vista
Tinha nas mãos barro que floria
Mas eu por certo ainda cresceria
Fiquei guri e nem bem jovenzinho
Senti-me limão-cravo com espinho
Até que minha mãe engordou
De outro irmão - outro piazinho
E eu então captei naquele dia
Minha mãe de alma olaria
Catava na várzea o filho que queria
Punha dentro do coração e sabia
Pro íntimo o filhote logo iria
Ser sua bela barriga de melancia
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Silas Corrêa Leite, Estância Boemia de Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site:
www.itarare.com.br/silas.htm
E-book ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
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