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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 19:29:48                                               

 
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Política e Cidadania

Democracia: História e Aspectos Preliminares

*Miguel de Sousa Freitas

publicado em 10/12/2010

 

Resumo: O presente trabalho analisa a democracia no decorrer da elaboração desta na sociedade, destacando: as lutas para sua instalação, a condição precária de vida das classes sem cidadania, o alienamento dos subalternos, os conceitos iniciais das primeiras formas de democracia até a atualidade, onde percebemos que pouco mudou e que as transformações estabelecidas, foram conquistadas com o sangue de inocentes e com o suor dos trabalhadores, que se viam bestializadas diante de todo o processo das relações sócio-políticas e financeiras implantadas.

 

Abstract: This paper analyzes democracy during the development of this society, highlighting: the struggle for its installation, the precarious condition of life without citizenship classes, the alienation of the subordinates, the initial concepts of the earliest forms of democracy to the present where we see that little has changed and that the transformations established, were won with the blood of innocents and the sweat of the workers, who saw themselves bestialized before the whole process of socio-political and financial deployed.

 

Palavras-Chave: Coletividade. Exploração. Isonomia. Cidadania

 

Partindo do pressuposto que Democracia é um governo de muitos, temos esta como fonte de igualdade entre as classes sociais. Em Roma e em Atenas, o sistema político era a democracia nos séculos II a I a.C e V a VI a.C respectivamente, porém este permitia a escravidão, sendo a democracia acessível apenas para os homens livres e sob a temática que a democracia era pelo povo e não para o povo, somente no século XX, o conceito de democracia vem a ser adotado como governo para o povo.

 

A democracia direta era um rito que se realizava nos lugares públicos, as praças, eram compostas por cidadãos que se dispusessem para as atividades políticas, onde não tinha nenhum controle dos hegemônicos e nem do Estado, essas atividades eram fundamentais para a comunicação entre as pessoas da época com a celebração de idéias iguais ou contraditórias e contribuía também para a preservação das amizades.

 

O conceito de isonomia será legitimado só no século VI que seria esta a igual participação de todos os cidadãos no exercício do poder, porém na sociedade ateniense eram excluídas do processo democrático, as crianças e as mulheres, os escravos e os metecos que seriam os estrangeiros, a categoria que poderia votar ficava responsabilizada de decidir pelos demais.

 

No período feudal, nos deparamos com a exclusão das classes que hierarquicamente eram tidas como inferiores ao poder maior que era representado pelos reis e os nobres, portanto essas pessoas pobres não tinham cidadania, o direito de governar era de acordo com a lei dos homens e a lei divina, é importante ressaltar nessa fase o poderio da Igreja Católica, pois essa instituição possuía grandes extensões de terra e era influente na sociedade, nesse momento histórico há o conformismo das classes inferiores porque elas acreditavam que o dom da riqueza era atribuído pelos deuses, a Igreja Católica serviu para a proliferação desses pensamentos com suas respectivas doutrinas.

 

Várias obras foram importantes para a introdução de novos pensamentos, pois a aristocracia entrava em decadência e a Igreja Católica perdeu sua influência para com a sociedade, temos na Ilustração ou Enciclopedismo a obra de Jean Jacques Rousseau (1712-1778), o contrato social, nesta obra é retratado a preocupação com a liberdade do homem, o indivíduo deve ser conhecedor de seus direitos e deveres e formar um contrato social com os soberanos para que esses acordem e que as pessoas sejam vistas sob a coletividade e ao mesmo tempo sendo dominadas pelos hegemônicos, mas seria uma dominação branda porque os próprios indivíduos num coletivo é que elaborariam as leis.

 

A tradição marxiana propõe a igualdade entre as classes que segundo Marx a população passaria de classe em si para classe para si, visando à isonomia e a coletividade, vistos de um fundamento teórico apresentado no Manifesto do Partido Comunista onde o próprio Marx e Engels estabelecem suas idéias e apresenta o capitalismo como à chaga da sociedade e que exclui uma significativa parcela da população com esse sistema, pois só há riqueza se houver pobreza, só há ostentação se existir miséria, o próprio sistema capitalista se fortalece com suas crises, pois ele reinventa novos mecanismos e  estratégias para se fortalecer, então o que sustenta a sociedade capitalista é a mais valia (lucro) e os antagonismos entre as classes.

 

O que o pensamento dominante tenta inserir na sociedade é que as conquistas que foram fruto das lutas trabalhistas, não o foram e sim uma conquista sob o sinômino de concessão do Estado e não das lutas coletivas das classes marginalizadas economicamente, no Brasil a ditadura só foi derrubada devido à mobilização das pessoas por melhorias de vida e dignidade, na esperança de um país democrático e representativo das vontades dos brasileiros.

 

Porém, pensou-se que os problemas sociais brasileiros com o retorno da democracia iriam ser extintos, mas infelizmente pouco mudou com a volta da democracia, o que temos atualmente são apenas os primeiros passos para a longa caminhada rumo à democracia e a cidadania plena, que esta última não seja apenas uma simbologia que os cidadãos possam ser legitimados como cidadãos, representantes de seus próprios direitos e deveres, há uma inquietude na população brasileira em busca de novas condições dignas de vida, de uma verdadeira redemocratização, que as instituições públicas, se preocupem com os direitos humanos e que estas insiram os excluídos na sociedade, pois ainda temos longos mares nunca dantes navegados, para haja a politização dos direitos brasileiros, pois o discurso populista e patriarcalista não descem mais na garganta dos trabalhadores, todos querem mudanças e prosperidade coletiva.

 

 

 

 

 

*Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, Professor da Rede Pública: Estadual do Maranhão e do Piauí

E-mail: qdmisofre@gmail.com

Referências Bibliográficas

 

Kelsen, Hans. Democracia. São Paulo, Martins Fontes, 1993.

 

Lyra, Rubens Pinto. Direitos Humanos: os desafios do século XXI- uma abordagem interdisciplinar, Brasília: Brasília Jurídica, 2002, p.203-220.

 

Marx, Karl; Engels, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. In: Obras Escolhidas. Lisboa: “Avante”; Moscou: Progresso, 1982. p.95-136.

 

Mendes JR, Antônio; Maranhão, Ricardo. Era de Vargas. Brasil História Texto e Consulta. v.4. São Paulo, Hucitec, 1989, p.181-185.

 

Salama, Pierre; Jacques Valier. Uma Introdução à economia política. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975, p.37-58.

 

Santos, Walter Junior. Democracia: o governo de muitos. São Paulo: Scipione, 1996. p.6-44.  

 

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Miguel de Sousa Freitas, Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, Professor da Rede Pública: Estadual do Maranhão e do Piauí
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