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Os
jovens
podem
votar
a
partir
dos 16
anos.
Eles
estão
preparados?
Os
brasileiros,
em
geral,
são
aptos
a
votar?
A
consciência
do
poder
de
voto
é uma das muitas
pernas
faltantes de uma
centopéia
aleijada
(quase
uma
minhoca),
que
é o
nosso
sistema
político.
Todo
brasileiro,
sendo
eleitor,
deveria
ter
direito
de
compreender
o
complexo
sistema
político
nacional.
Saber
o
suficiente
para
responder
algumas
dúvidas
que
hoje
levam a
um
silêncio
ignorante,
mas
tão
familiar
que
já
não
nos
constrange:
Por
que
existem
três
poderes?
O
que
faz
um
congresso?
Como
uma
lei
é
aprovada?
Pra
quê
serve a
constituição?
No
entanto,
o
eleitor
parece condenado ao alheamento a
esse
nível
essencial
de
saber.
A
tendência
atual
do
brasileiro
é a de
continuar
votando no "cara
da
foto
do santinho";
achar
que
é
um
único
sujeito
em
Brasília (aquele
que
aparece
mais
na TV) que
manda
e
desmanda
– o
responsável
por
tudo;
votar
em
qualquer
candidato
a
deputado,
só
pra
dizer
que
votou,
já
que
não
conhece os
candidatos;
aliás,
nem
sabe
pra
que
serve (ou
deveria
servir)
um
deputado.
Quem
gosta
de
passear
na
manca
centopéia
são
justamente
os
parlamentares
que
deveriam
ser
mandados
pra
bem
longe
de Brasília: os “sanguessugas”;
os envolvidos no
esquema
do Valerioduto; os citados na
lista
de
Furnas.
Ao se livrarem das
punições
(seja
por
conivência
dos
colegas
de CPI, seja
por
renúncia
antes
da
cassação),
pegam
carona
nessa
onda
de
ignorância
para
continuarem no
poder.
Existe
voto
mais
vulnerável
do
que
aquele
que
é
pouco
esclarecido?
A
mídia
destinada à
massa,
na
ânsia
de
prender
o
espectador,
prioriza
assuntos
populares,
aproxima o
brasileiro
de uma
realidade
minimalista e o distancia da
coletiva.
É
mais
atrativo
se
preocupar
com
a
mocinha
grávida da
novela
das
oito
(ela
vai
contar
pra
mãe
ou
não
vai?) do
que
tentar
entender
o
que
andam fazendo
aqueles
engravatados
que
nós
mandamos
pra
Brasília
pra
cuidar
do
País.
Como
vamos
discutir
política
se
ninguém
à
nossa
volta
fala
sobre
ela?
Para
completar,
pais
e
professores,
que
deveriam
acompanhar
e
ajudar
o
jovem
na
sua
formação
como
eleitor,
são
igualmente
tão
passivos
e mal-informados
que
se limitam a
reclamar,
reclamar
e
reclamar.
E seguirão dando o
exemplo
de
negligentes
resmungões,
porque
no
manual
do
bebê
e no
currículo
didático
consta
que
as
crianças
são
o
futuro
da
nação,
mas
não
especifica
que
elas
precisam
aprender
a se
preocupar
com
o Brasil.
E,
assim,
tão
próximos
às
eleições,
à
beira
da
chance
de
mudar,
dizer
“chega”
pra
quem
nos
fez
tolos
por
tanto
tempo,
o
que
se
escuta
são
frases
do
tipo:
“ah, vou
votar
em
qualquer
um,
são
todos
ladrões
mesmo”;
“não
sei, acho
política
muito
chato”,
“isso
não
vai
adiantar,
tudo
ficará
igual”;
“não,
não
li o
programa
de
governo
do
candidato,
nem
sei o
que
ele
anda
propondo,
mas
vou
votar
nele
porque
parece
ser
o melhorzinho”.
Agora
eu
repito a
pergunta:
os
brasileiros,
em
geral,
são
aptos
a
votar?
Há
um
ciclo
de
banalização
do
nosso
voto,
fechado
pela
mídia
de
massa,
o
corpo
político,
o
sistema
de
ensino
e a
família.
O
primeiro
muda
de
assunto,
o
segundo
governa
às
escondidas;
o
terceiro
e o
quarto
nem
sabem do
que
estou falando.
Como
temos
coragem
de
dizer
que
já
conquistamos o
direito
de
voto? |