Resenha de “Para
Entender os Sindicatos no Brasil:Uma Visão Classista” – Ed. Expressão
Popular – jun/09
Para
Entender os Sindicatos é o segundo livro dessa dupla de autores,
Waldemar Rossi[]
e William Jorge Gerab. O primeiro,
que está na sua oitava edição e permanece nas livrarias, é Indústria e
Trabalho no Brasil: Limites e Desafios (Ed.Atual/Saraiva-1997). Num
esforço de síntese, numa linguagem bastante acessível e do ponto de
vista dos trabalhadores, ambos os trabalhos focam-se na construção de um
entendimento básico sobre o processo de desenvolvimento econômico
capitalista e na formação das classes sociais no Brasil, buscando
caracterizar os seus interesses e posicionamentos.
Um Para-Didático
nas Escolas e Uma Ferramenta de Luta para os Trabalhadores
O
trabalho, do qual nos ocuparemos aqui, possui um preâmbulo mostrando
como a questão ambiental e do desenvolvimento sustentável tornou-se uma
questão de princípio para todos os que buscam um mundo melhor, inclusive
para os trabalhadores e sua luta sindical. Sempre preocupado em
esclarecer os conceitos principais envolvidos no texto, sem perder o fio
condutor histórico, a introdução define o que são os sindicatos e
discorre sobre a importância deles. Fica claro, no entanto, que, muito
mais do que introduzir no conhecimento do papel dos sindicatos na
sociedade, a finalidade do texto é a de constituir-se como uma
ferramenta para a participação consciente na luta sindical.
A Formação das
Posições Políticas e Ideológicas no Processo de Construção dos
Sindicatos.
Tendo a
História Universal e a do Brasil, em particular, como pano de fundo, o
primeiro capítulo, Do Nascimento dos Sindicatos à CUT, percorre o
caminho das lutas reais, mas vai situando os reflexos e influências
institucionais e políticos mais gerais dessas lutas. Fala das primeiras
leis trabalhistas, da posterior consolidação das mesmas, das lutas em
torno da Constituição, das lutas pelas reformas de base e o início da
ditadura militar nos anos 60, do surgimento de um novo sindicalismo
enfrentando o sindicalismo pelego e/ou de resultados, dos seus impasses
e do seu declínio, no contexto das novidades trazidas pelo
neoliberalismo e a globalização (ambos, também, conceituados e
analisados), mostrando o caráter dessa crise social no momento de mais
uma crise global do capitalismo.
Já, no
segundo capítulo, Classes Sociais e Sindicatos, não escapa da tarefa de
conceituar as classes sociais, como acontece em boa parte dos trabalhos
que abordam a luta de classes, inclusive comparando alguns dos conceitos
existentes, buscando analisá-las num contexto bem atual, mostrando a
complexidade da atuação delas na realidade e a interinfluência das
mesmas, com suas conseqüências nos respectivos posicionamentos e embates
no interior do movimento sindical. Por isso, pode falar numa CUT de
ontem e numa CUT de hoje, além de colocar as novas responsabilidades do
sindicalismo classista.
Ferramenta é Pra
Usar
O
terceiro e último capítulo, Um Exemplo Prático: O Governo FHC, Governo
Lula e as Centrais Sindicais, tem o objetivo de já colocar em uso os
conceitos e a metodologia de análise sugeridos no livro. Mostra as
contradições entre os discursos e as práticas desses governos nas suas
relações com os trabalhadores e a oprimida e explorada maioria da
população brasileira. Identifica, ainda, as reações populares, as formas
e o grau de organização que a população atingiu, além das graves
lacunas, que se evidenciam do ponto de vista dessa população, no quadro
atual das suas lutas.
Mas, como
após a entrega da sua obra ao público, os autores não podem mais
controlar os destinos, as interpretações e a própria utilização da
mesma, têm a palavra, agora, os leitores, os trabalhadores e militantes
sociais e políticos sobre a validade do trabalho apresentado.