É impressionante
como nos últimos 12 anos e oito meses os Presidentes da República de
plantão são ciosos de resguardar os interesses dos banqueiros. O
atual Presidente, em segundo mandato, cutuca o seu predecessor
(mandatário por oito anos) por ter ajudado os banqueiros com um tal
Proer, enquanto ele próprio estaria se saindo melhor, pois os lucros dos
bancos tornam essa ajuda, ridiculamente, desnecessária. Trata-se,
portanto, de uma disputa para ver quem demonstra maior identidade de
interesses e de classe com os banqueiros. Na verdade, ambos parecem
tentar exibir vocação e talento de banqueiros.
Isso demonstra
que, se é que há mesmo alguma melhoria econômica no país, os bancos
estão funcionando como uma esponja ultra-eficiente, não deixando algo
para quase ninguém. As taxas dos mais diversos tipos de empréstimo são
exorbitantes, a ponto dos próprios executivos operacionais da área
comentarem, a boca pequena, que “a pessoa que precisa de empréstimo
pessoal já está morta, financeiramente”. Só as taxas pelos serviços
fornecem 15% ou mais dos fabulosos lucros bancários, que ultrapassam os
4 bilhões, nos bancos maiores.
A falta de
sensibilidade é tanta que se atribui a melhora desse setor a resultados,
que também estão prejudicando a camadas sociais pobres e alvos de
agressões econômicas, como a maioria dos aposentados, que precisam de
empréstimos e estão se tornando inadimplentes e aos supostos novos
contribuintes do INSS, que, pelos planos dos governantes, só poderão
usufruir dos resultados das suas contribuições quando estiverem próximos
do falecimento (65 ou 67 anos). Gabam-se, ainda, do “atual crescimento
econômico do país”, o qual, como é de amplo conhecimento, tem sido um
dos baixos, dentre os países com o potencial econômico do Brasil, num
contexto em que a economia mundial está sendo favorável ao crescimento
de todos.
Como podem os
bancos e seus proprietários serem favorecidos, enquanto a miséria graça
pelo país e a precariedade dos serviços essenciais (saúde, segurança,
moradia, educação, transporte, sistema viário) é uma evidência. Numa
situação de crise fictícia, na qual se tivesse que escolher, o que faria
mais falta à maioria da população brasileira, o combate à miséria e a
melhoria dos serviços públicos essenciais ou os bancos privados? Talvez,
esses bancos não fizessem tanta falta, se levarmos em conta que, além do
banco regulador, o Banco Central, temos dois bancos comerciais federais,
o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, aos quais poderiam ser
somados diversos bancos estatais de nível estadual, sem contar com a
possibilidade, numa crise imaginária como a que foi sugerida, de
requisição dos equipamentos e da logística dos próprios bancos privados.
Resumindo, pelo o
que acontece com os bancos privados e com outras parcelas das elites
econômicas no Brasil (os grandes capitais dos agronegócios e das
multinacionais), pode-se dizer que as dificuldades pelas quais passa a
maioria da população brasileira é resultado direto das escolhas dos
titulares das instâncias (municipais, estaduais e federal) dos poderes
constituídos, sempre sob a influência dessas elites, durante toda a
história do país. O peso da máquina do Estado, construção secular, da
qual se servem os governos, também, não é pequeno. Mas, esse fato apenas
comprova a afirmação anterior, já que não nunca se verificou qualquer
esforço significativo para modificar essa máquina. Como é claro, o atual
governo não foge à regra.
Um abraço,
William.
13/08/2007.