Goiás não teve este cuidado, tornando seu desenvolvimento não no todo,
mas de forma desequilibrada, o Goiás do Sudoeste e Sul, não é o mesmo do
Norte e Noroeste e assim sucessivamente. Talvez esta divisão em termo de
progresso, esteja marcada também pelo limite das bacias hidrográficas,
Araguaia Tocantins e bacia do Paraná, que mesmo de forma involuntária,
serviu como fator de divisão para as prioridades em termos de
desenvolvimento. Marcou ali através da divisão das águas, o modo como
chegaríamos hoje em pleno século XXI, em que cidades tentam a todo
custo, realizar sua infra-estrutura básica, asfalto e saneamento,
outras, tentam ampliar e melhorar a qualidade de vida, oportunizando
mais emprego através de novas indústrias.
Seria isto culpa ou virtudes de seus gestores? Em sua
grande maioria não, afinal eles passam quase todo o tempo, viajando
dentro de carros com pires nas mãos em busca de algumas migalhas, e
tendo em mente um único objetivo, tornar a vida de seus munícipes menos
ruim, mas isso nem sempre se materializa.
Acredito que foi vendo estas angústias, estas
disparidades que este veículo de comunicação, chamado “Diário da Manhã”,
resolveu não somente trazer notícias , mas levar nossas notícias; o que
temos, como vivemos, nossos potenciais e oportunidades oferecidas à
empresas e empresários, às quais estão visíveis a qualquer um, sem a
menor dificuldade.
Aqui não é somente um local por onde passa o Rio
Araguaia, que nutre em suas praias e seus peixes o nosso maior cartão
postal; que desperta amores, paixões e veneração, mas também, uma região
de possibilidades mil.
O nosso rebanho bovino é tanto qualitativo como
quantitativo, seguramente um dos maiores e melhores, então porque não
agregar valores a esse produto aqui mesmo? É difícil entender o
deslocamento de nossos filhos em busca de um curso superior de qualidade
aceitável, e porque eles vão? É porque estamos desprovidos desta
qualidade de ensino, é por isso que eles partem em busca de
oportunidades melhores. E se vão deixando para traz desesperada suas
famílias, pais, irmãos e outros parentes e que apreensivos ficam rezando
e torcendo para que tudo dê realmente certo.
Então este veiculo de comunicação que recebe a
nomenclatura de Diário da Manhã, resolve nos presentear com suas
noticias sem rodeios, mostrando-nos de forma desnudada para todo o
estado, dizendo aquilo que realmente somos, não só em nossas
oportunidades, mas também retratando fielmente nossas mazelas mal
resolvidas, quase todas, fruto de uma política de desenvolvimento
equivocada.
Quero aqui, fazer coro com todos os moradores das regiões
menos desenvolvidas deste estado dizendo: não se pode construir uma
sociedade de forma desigual, com deveres para todos, mas oportunidades
para poucos. Mas é preciso esclarecer, que essa forma de governar não é
privilégio de Goiás, essa é uma cultura arraigada ao povo brasileiro
desde o período colonial, basta ver, como se deu o desenvolvimento deste
País, totalmente equivocado, e hoje, estampado mais do que nunca,
através de suas enormes feridas sociais, com distorções e desigualdades
imensas.
Existem momentos que brinco, dizendo que o nosso país
poderia ser assim dividido: “Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e
Brasil”, na Ilha estariam aqueles que não têm problemas, andam
rodeados de seguranças os filhos estudam na Europa e não conhece a
palavra chamada crise, já na Terra, estão os emergentes,
levantando muito cedo, pegando Ônibus lotado, estudando nas escolas
públicas, fazendo contas e mais contas para fechar seu orçamento a cada
final de mês, e no Brasil, há no Brasil! Estão aqueles que não
têm salário, educação, segurança, saúde e nem moradia. Assim é também o
nosso estado, cheio de desigualdades de privilégios em que alguns têm
muito, outros quase nada.
Nunca se pensou Goiás respeitando dois princípios
fundamentais: “igualdade e imparcialidade, então, este é o momento de
buscar reparar distorções centenárias, oferecendo ao Norte e Noroeste
oportunidades outras, já ofertadas com justiça ao Sudoeste e Sul. “A
liberdade é a maior de todas as dádivas, mas só será possível quando
cada um de nós compreendermos nossa responsabilidade em relação ao
todo.” (Che Guevara).