Resumo:
O objetivo deste artigo é apresentar e discutir o que pensam os
estudiosos brasileiros e brasilianistas sobre o sistema político do
Brasil, especialmente sobre os partidos. Esses estudiosos podem ser
distribuídos em dois grupos com visões opostas sobre a atuação dos
partidos no interior da Câmara dos Deputados: os do primeiro grupo
acreditam que o sistema político produz parlamentares
individualistas e indisciplinados; enquanto os estudiosos do segundo
grupo, a organização legislativa estimula a união e a disciplina
entre os parlamentares. O argumento deste artigo aponta para uma
combinação das duas visões.
Palavras-chave:
Câmara dos Deputados, partidos, deputado federal, organização
legislativa e liderança partidária.
Abstract: The objective of this paper is to show and discuss what
they think the brazilians specialists and brasilianistas on the
Brazil’s political system, especially on the parties. These
specialists can be divided in two groups with opposite visions and
that they have as central focus the performance of the parties in
the Chamber of Deputies: the first group defends that the political
system produces parliamentarians undisciplined; and the second group
defends that the legislative organization produces parliamentarians
disciplined. The argument of this paper it points to combination of
these two visions.
Keywords:
Chamber of Deputies, political party, federal deputy,
legislative organization and party
leadership.
A Constituição Federal de 1988 inaugurou um novo arranjo
institucional e os estudiosos brasileiros e brasilianistas
têm se interessado cada vez mais em compreender as particularidades
e o funcionamento desse arranjo.
Esse interesse tem produzido inúmeros estudos sobre o desempenho das
instituições que compõem esse desenho, em especial da Câmara dos
Deputados e dos partidos. Os pesquisadores que se dedicam a estudar
o sistema político brasileiro se dividem em dois grupos com visões
opostas sobre os estudos do poder Legislativo, sobretudo da atuação
das legendas partidárias no processo de tomada de decisão da casa
Legislativa.
Os adeptos do primeiro grupo concentram suas análises na forma de
governo e no sistema eleitoral e partidário, e defendem que a
combinação dessas instituições produz instabilidade institucional e
pouca governabilidade. Já os simpatizantes do segundo grupo analisam
as regras do processo legislativo, e defendem que existem mecanismos
institucionais que permitem a governabilidade e a estabilidade das
decisões.
Essas distintas visões são resultados dos trabalhos publicados por
Juan Linz, Arturo Valenzuela e outros, sobre a forma de governo, o
presidencialismo, escolhida pelos membros das elites políticas dos
países da América Latina. Para esses estudiosos, a funcionabilidade
do presidencialismo poderia criar dificuldades à atividade
governamental e ameaçar à estabilidade do regime democrático. Agora,
se o presidencialismo é combinado com a representação proporcional
de lista aberta e com o sistema multipartidário, a situação poderia
aumentar os conflitos entre os poderes Executivo e Legislativo que,
por sua vez, afetaria drasticamente a governabilidade. Atualmente, o
Brasil apresenta essa combinação e se esperava que passasse, segundo
Lamounier (1992), por uma síndrome da paralisia hiperativa, mas tal
constatação não é confirmada.
O trabalho seminal de Sérgio Abranches destaca que o conflito entre
os poderes Executivo e Legislativo é crítico para a estabilidade da
democracia. Esse conflito, segundo ele, é causado por dois fatores:
1) a alta fragmentação partidária no interior do poder Legislativo e
2) pelos problemas impostos ao plano de trabalho do chefe do poder
Executivo (ABRANCHES, 1988). Para ele, o mais crítico dos dois
fatores é a alta fragmentação partidária que comprometeria a
formação de maiorias estáveis para aprovar as reformas propostas
pelo presidente da República. A solução para isto seria criar
coalizões governamentais e como se vê hoje, é a prática mais comum
dos chefes do Executivo. Sérgio Abranches chamou essa prática de
presidencialismo de coalizão e o mais importante é que tal prática
soube combinar com a representação proporcional de lista aberta, com
o multipartidarismo extremado e com o presidencialismo em um mesmo
arranjo estratégico que, por sua vez, provou que as proposições
defendidas Juan Linz e outros, carecem de sustentabilidade
empírica.
Muitos estudiosos dão ênfase à explicação institucional centrada no
sistema eleitoral e partidário, Carey (1997, p. 68) afirma que no
Brasil “(...) o sistema eleitoral cria fortes incentivos para os
parlamentares cultivarem fidelidades pessoais com os seus eleitores,
mesmo quando isto significa ignorar uma agenda mais ampla de seus
partidos”, isto significa que os “(...) presidentes não podem contar
com coalizões legislativas estáveis para negociar política (...)”.
Sartori (1993, p. 11) está de acordo com esses argumentos e aponta
que os políticos “(...) mudam de partido e, frequentemente, votam em
desacordo com sua orientação e se recusam a aceitar qualquer tipo de
disciplina partidária”. Nessas condições, o autor conclui que no
Brasil os partidos são instituições frágeis e sem autoridade e que o
chefe do Palácio do Planalto fica sem referência “(...) sobre um
parlamento incontrolável e eminentemente atomizado” (1993, p. 11). É
importante dizer que as idéias defendidas pelos estudiosos do
primeiro grupo não se baseiam em estudos empíricos, mas são
deduzidas das leis que constituem o sistema eleitoral e partidário.
Scott Mainwaring, o brasilianista mais crítico do sistema político
brasileiro, ressalta que a baixa disciplina dos principais partidos
seria uma das características mais negativa do sistema político.
Ainda para ele, o sistema partidário brasileiro é o mais
subdesenvolvido do mundo e os partidos são incapazes de dar
sustentabilidade à democracia (MAINWARING, 2001, 1993). Esse
brasilianista chega a considerar que os responsáveis pelo mau
funcionamento do sistema político realmente são as legendas
partidárias, pois agrupam políticos com vocação individualista e
quando eleitos estão interessados em benefícios clientelistas. Para
Barry Ames, que também compartilha com as mesmas observações de
Scott Mainwaring, na esfera nacional, os partidos brasileiros
dificilmente poderiam ser considerados uma verdadeira legenda
partidária, pois essas instituições não expressam e não representam
a vontade do eleitor, ao mesmo tempo não cumprem com as funções de
governar (AMES, 2003).
Para esses autores e outros, as mazelas do sistema político
brasileiro são produzidas pelos aspectos institucionais da
representação proporcional de lista aberta e também por outras
instituições. Esse tipo de representação estimula os políticos a
terem um comportamento individualista para conquistarem uma cadeira
na casa Legislativa e depois de eleitos carregam para arena
legislativa o sentimento individualista e nessa esfera agem
independentemente do partido o que, por sua vez, dificulta a “(...)
construção de identidades partidárias mais definidas” (KINZO, 1988,
p. 35). O comportamento individualista dos parlamentares pode
dificultar a capacidade das lideranças partidárias de promover e
assegurar o plano programático de ação do partido no interior do
Congresso Nacional.
Para os simpatizantes do primeiro grupo, o sistema eleitoral também
seria responsável pela alta fragmentação partidária, dando origem a
um sistema sem limites. O Gráfico
I apresenta o número de partidos que participaram das eleições
gerais e municipais
no período de
1982 a 2008. Ao longo do período aconteceram 15 eleições e
participaram, no total, 416 partidos, com uma média de 27,7 legendas
por eleição. Observe-se que a menor participação foi em 1982 com
cinco legendas partidárias, mas essa participação subiu bruscamente
para 28, em 1985, e chega a atingir 34, em 1992. Em
1994, a
participação caiu para 23, mas em 1996 subiu para 30 e ficou estável
até as eleições gerais de 2002 e na última eleição, em 2006, subiu
para 29 partidos, mas no último pleito, em 2008, o número de
partidos caiu levemente para 27.

INSERIR AQUI O GRÁFICO I
Os dados expostos no gráfico acima informam quantos partidos
participaram das eleições, mas, como se sabe, são poucos aqueles que
realmente têm influência na arena eleitoral. Para observar isto,
apresenta-se o Quadro I
que mostra,
ao longo dos anos de
1990 a
2002,
a média do Índice de Número Efetivo de Partidos de alguns países
sul-americanos
e da América Latina como um todo.
Neste quadro, ao longo do período de
1990 a
2002, a
dispersão partidária no Brasil é maior do que nos outros países da
região latina, o que significa que entre os países multipartidários
da América do Sul, o Brasil se mantém como o mais fragmentado,
apresentando uma média de Número Efetivo de Partidos igual a 8,1.
Interessante assinalar que o Brasil está muito acima da média da
América Latina, que corresponde a 3,8, isto significa que entre os
países latino-americanos, o sistema partidário brasileiro é o mais
fragmentado. Como visto anteriormente, a média de partido por
eleição, entre o período de
1982 a
2008, foi de 27,7, mas o Índice de Número Efetivo de Partidos
mostrou que somente oito siglas partidárias são importantes na arena
eleitoral, isto é, esses partidos estão constantemente lutando pelo
poder. O
aumento do número efetivo de partidos diminui a probabilidade de
formar governos com partidos majoritários. Noutras palavras, quem
ganha não governa mais sozinho, tem que dividir o poder com outros
partidos para fazer uma boa gestão.
Em um regime democrático, o principal âmbito de atuação dos partidos
é no interior do poder Legislativo e devido a isto, a casa
Legislativa abriga a fragmentação do sistema partidário. Isto
reflete no número de legendas com representação parlamentar e hoje
na Câmara dos Deputados a fragmentação é muito alta, pois está
composto por 20 partidos:
o bloco PMDB e PTC, PT, bloco PSB, PDT, PC do B, PMN e PRB, PSDB,
DEM, PR, PP, PTB, PV, PPS, PSC, PSOL, PHS, PT do B e PRTB.
É possível distribuir esses partidos em três blocos ideológicos:
na direita, o DEM, PR, PTB, PHS, PT do B, PRTB, PSC, PTC, PMN, PRB e
PP;
no centro, o PMDB e PSDB e na esquerda, o
PT, PV, PPS, PSOL, PSB, PDT e PC do B.
Atualmente das 20 siglas partidárias somente seis (o PMDB, PT, PSDB,
DEM, PR e PP) controlam as atividades legislativas no interior da
Câmara dos Deputados.
Devido à grande fragmentação partidária no interior do poder
Legislativo, segundo os adeptos do primeiro grupo, o Brasil teria um
quadro político composto por parlamentares individualistas e
indisciplinados, que não seguiriam a orientação da liderança nas
votações em plenário. O comportamento parlamentar desregrado seria o
maior obstáculo às ações do chefe do poder Executivo, isto significa
que as dificuldades do presidente da República em estabilizar a
economia e em reformar o Estado estariam na fragilidade do apoio
parlamentar às propostas do Executivo.
Para esse grupo, o sistema político vigente produz um Legislativo
disperso com um processo decisório lento, negociações clientelistas,
coalizões partidárias instáveis e outras mazelas que, por sua vez,
criariam uma tensão permanente entre os poderes Executivo e
Legislativo. De acordo com Ames (2003, p. 235), “(...) a estrutura
política brasileira enche o Legislativo de partidos fracos e
indisciplinados, assim como de centenas de deputados que se
preocupam muito mais com seu eleitorado pessoal e seus interesses
particulares do que com grandes questões nacionais”. Noutras
palavras, no interior da Câmara dos Deputados não existe uma ordem,
mas sim o caos, provocando instabilidades nas decisões e deixaria o
governo instável e paralisado diante do caos.
O diagnóstico apresentado pelo primeiro grupo é refutado por alguns
estudiosos. Ao contestarem a visão do grupo anterior, eles resgatam
a atuação dos partidos durante o processo decisório e a importância
da organização legislativa no interior da Câmara dos Deputados.
Esses estudiosos apresentam evidências empíricas de que o processo
legislativo é centralizado e favorável ao governo para que seus
projetos sejam aprovados. O argumento central que está presente
nessas análises é que os problemas gerados pelo sistema eleitoral e
partidário, apontados pelos adeptos do primeiro grupo, são anulados
por outra arena, a legislativa. Esse locus garantiria mais
estabilidade às decisões coletivas e produziria políticas públicas
eficientes e coerentes. Os estudiosos também apontam que nessa
arena, o comportamento dos parlamentares estaria sendo influenciado
pelos poderes legislativos do presidente da República e pelos
partidos em suas votações. Também seria influenciado pelas regras do
jogo parlamentar, que são altamente centralizadas no Colégio de
Líderes.
Ao analisarem as votações nominais do período de
1989 a
1999 e as regras do processo decisório, Argelina Cheibub Figueiredo
e Fernando Limongi revelam que existe disciplina partidária na
Câmara dos Deputados. Isto significa que o caos está longe de
ocorrer e o que se observa é uma ordem estabelecida. De acordo com
eles, “em média, 89,4% do plenário vota de acordo com a orientação
de seu líder, taxa suficiente para predizer com acerto de 93,7% das
votações nominais” (FIGUEIREDO e LIMONGI, 1999, p. 20). Continuando,
os autores mostram que “para uma votação qualquer na Câmara dos
Deputados, a probabilidade de um parlamentar qualquer votar com a
liderança de seu partido é de
0,894” (p. 27) e mais: “como o voto disciplinado é a regra, a
manifestação do plenário está longe de ser imprevisível” (p. 89). Os
dados apresentados por Argelina Cheibub Figueiredo e Fernando
Limongi indicam que os partidos são disciplinados, refutando a
principal tese do primeiro grupo, de que as legendas partidárias são
indisciplinadas nas votações em plenário e produzindo, como
consequência, um processo decisório caótico. Também os autores
revelam que os partidos são importantes no processo de decisão.
Ainda se pode dizer que o chefe do Palácio do Planalto organiza seu
apoio à agenda legislativa em bases partidárias, muito similares ao
encontrado nos regimes parlamentaristas.
Os estudos de Argelina Cheibub Figueiredo e Fernando Limongi mostram
que os adeptos do primeiro grupo equivocaram-se ao prognosticar que
o chefe do Executivo enfrentaria problemas para implementar sua
agenda legislativa. Por exemplo, na América Latina, o presidente da
República do Brasil é um dos que mais tem poderes para influenciar o
processo de decisão e a formação de uma coalizão de apoio no poder
Legislativo (CAREY e SHUGART, 1992). Com o atual arranjo
constitucional, o presidente da República dispõe de prerrogativas
legislativas capazes de influenciar significativamente o processo
legislativo visando assegurar resultados satisfatórios às propostas
do poder Executivo.
Com esse arranjo, o chefe do Executivo tem a exclusividade de
iniciativa em matérias administrativas, orçamentárias e fiscais.
Também o chefe do Executivo pode solicitar urgência para todos os
projetos de lei de sua iniciativa e editar medidas provisórias com
força de lei. O chefe do poder Executivo impõe uma agenda
legislativa determinando quando e quais propostas serão discutidas,
pois o presidente da República detém de forma quase exclusiva o
poder de propor projetos.
Ademais, o presidente da República conta com apoio dos principais
líderes da coalizão para interferir no processo de decisão. Os
estudos de Figueiredo e Limongi (1999) constatam que, mesmo sem o
voto de liderança, os líderes seguem desfrutando de poderes para
conduzir o processo legislativo. Segundo Figueiredo (2001, p. 6), as
decisões na Câmara dos Deputados são altamente centralizadas em
torno de alguns líderes partidários e a distribuição de direitos
parlamentares favorece as lideranças dos grandes partidos. Esses
líderes, juntamente com o presidente da Mesa Diretora, controlam a
agenda de trabalho da casa Legislativa, ou seja, eles definem a
pauta.
É interessante destacar que o poder dos líderes também se manifesta
de outras maneiras, não ressaltadas por Argelina Cheibub Figueiredo,
como, por exemplo, o controle das comissões permanentes e
temporárias. As lideranças controlam a distribuição de postos nas
comissões, postos esses que são alocados a partir de uma negociação
entre esses líderes partidários. Também eles podem criar as
comissões temporárias e, consequentemente, indicar seus presidentes
e relatores.
Outra influência decisiva dos líderes no processo de decisão é o uso
frequente do recurso de urgência. Se os líderes reconhecerem que uma
proposta de lei tem que tramitar urgentemente, o regime de
tramitação pode ser alterado de ordinário para urgência. Em regime
de urgência, a proposta é retirada da comissão e incluída na ordem
do dia para apreciação do plenário. Geralmente a urgência é usada
nas propostas de iniciativa do chefe do poder Executivo e 1/3 dos
membros da Câmara dos Deputados ou de líderes que representam esse
número pode pedir o regime de urgência. Muitas das propostas
tramitam em regime de urgência, Argelina Cheibub Figueiredo
identificou que das 1.000 leis estudadas, “(...) 74,0% tiveram um
pedido de urgência e foram à votação antes que as comissões dessem
um parecer” (1995, p. 8). Isto significa que o esse regime retira
das comissões sua prerrogativa decisória e também elas perdem a
função de elaborar e melhorar as leis.
Além dos líderes interferirem nas comissões, eles também decidem se
uma proposta de lei deve ser aprovada ou não. Na Câmara dos
Deputados praticamente nenhum projeto de lei é submetido ao plenário
sem que as lideranças façam uma prévia avaliação política da
matéria. Antes das sessões da Câmara dos Deputados, especialmente
nos dias em que ocorrem votações, as lideranças partidárias discutem
as matérias em votação e tentam chegar a um acordo sobre a posição a
ser tomada
em plenário. Chegando
a um acordo, a proposta de lei é referendada pela maioria dos
parlamentares. Como é possível perceber, a institucionalização do
Colégio de Líderes como instância com poder de decisão alija a
maioria dos parlamentares do processo legislativo. Quanto a isto,
Figueiredo e Limongi (1999, p. 68) lembram que os membros desse
colégio
(...) intervém
na tramitação da matéria e força sua rápida deliberação em plenário.
Como
essa intervenção é previamente negociada, a participação dos
parlamentares em plenário depende dos resultados das negociações
entre os líderes. No mais das vezes, cabe-lhes tão-somente
referendar acordos previamente firmados. A participação dos
parlamentares ocorre somente quando se encerram todas as
possibilidades de um acordo e a matéria é submetida a voto.
E mais: Argelina Cheibub Figueiredo e Fernando Limongi ressaltam que
“o grosso do trabalho legislativo independe da participação efetiva
dos parlamentares, o que reduz os incentivos para sua participação”
(p. 68). Em uma palavra, os líderes neutralizam a participação das
comissões e também do próprio plenário.
As discussões empreendidas ao longo do texto mostram que para os
adeptos do primeiro grupo a combinação de presidencialismo com
outras instituições do sistema político é um casamento indesejado.
Para os simpatizantes desse grupo, os problemas produzidos por essa
combinação contaminariam os membros do poder Legislativo e
produziriam políticas públicas ineficientes e crise de
governabilidade, mas existem argumentos e dados empíricos
consistentes para considerar que os problemas apontados pelos
admiradores do primeiro grupo não afetam os parlamentares. À luz
destas considerações, pode-se concluir este artigo dizendo que a
alta concentração da estrutura legislativa da casa e a forte atuação
do chefe do Palácio do Planalto e dos líderes ajudam a impedir os
efeitos perversos produzidos pelo sistema partidário e eleitoral.
Referências
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institucional brasileiro. DADOS, v. 31,
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multipartidária: o caso do Brasil. Lua Nova, n. 23-24, p. 21-73.
SARTORI, Giovanni (1993). Nem presidencialismo, nem parlamentarismo.
Novos Estudos Cebrap, n. 35, p. 48-86.
Outras fontes
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http://www2.camara.gov.br/
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
http://www.democracia.undp.org/Default.asp
Tribunal Superior Eleitoral
http://www.tse.gov.br
Doutor em Ciências Sociais
pela Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é
pesquisador associado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
da Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’,
campus Araraquara-SP. Endereço eletrônico:
ribertialmeida@yahoo.com.br.
Os brasilianistas são os estrangeiros que estudam o Brasil, por
exemplo, Scott P. Mainwaring e Barry Ames são os mais conhecidos
na Ciência Política brasileira.
O Colégio de Líderes funciona como uma espécie de órgão auxiliar
da mesa diretora da Câmara dos Deputados. Esse colégio,
juntamente com o presidente da Câmara dos Deputados, elabora a
agenda de apreciação de proposições para o estabelecimento da
ordem do dia do plenário e, acima de tudo, interfere
substantivamente nas decisões por meio do recurso de tramitação
urgente (FIGUEIREDO e LIMONGI, 1999). Isto significa que o
Colégio de Líderes não apenas concentra poder de decisão, como
controla a pauta dos trabalhos legislativos.