O parlamento brasileiro dá mais um passo importante no caminho da
transparência total das contas públicas. O presidente da Câmara dos
Deputados Arlindo Chinaglia anunciou que vai priorizar a votação do
Projeto de Lei Complementar - PLP - 217/2004, do ex-senador João
Capiberibe (PSB/AP). Não é admissível, num regime democrático, que o
dinheiro de todos os brasileiros seja gasto ao bel prazer dos ocupantes
de cargos ou funções públicas.
Conhecido como Projeto Transparência,
foi aprovado por unanimidade no Senado Federal, em 2004. Desde 2005
aguarda para ser votado pela Câmara e só no ano passado foi incluído na
pauta de votações da Casa.
Aprovado pela Câmara e sancionado pelo
Presidente da República, permitirá ao cidadão ligado à Internet
acompanhar, de casa, onde as prefeituras, os governos de estado e o
federal, assim como o legislativo e o judiciário, estão gastando cada
centavo pago em impostos.
O Projeto Transparência obriga a
exposição de todas as contas públicas na rede mundial de computadores,
sem qualquer restrição de acesso. Assim, dá visibilidade ao orçamento e
a contabilidade pública, facilita a fiscalização e inibe a corrupção.
Qualquer cidadão poderá saber, antecipadamente, com a publicação em
tempo real da nota de empenho das compras e gastos públicos, quanto será
pago por um serviço ou por um produto, a descrição e a quantidade que
será comprada e quem receberá o dinheiro. Agindo assim, poder público e
sociedade civil poderão detectar e anular o ato lesivo antes que ele se
concretize, já que serão publicadas as notas de empenho ou de compras
antes que o pagamento seja consumado. Todos os ocupantes de cargos
públicos serão tratados igualmente.
Deste modo, a transparência nas contas
públicas é um poderoso instrumento de controle social republicano, que
reduz as práticas criminosas na aplicação do dinheiro do contribuinte.
Por isso a sociedade civil insiste na sua aprovação. O Projeto já têm o
apoio declarado da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, da Ordem dos
Advogados do Brasil - OAB, da Associação Nacional dos Juízes Federais -
AJUFE, da Procuradoria Geral da República e da Controladoria Geral da
União. CNBB, CONAMP, ANPR, CNI, FIBRA e Fecomércio-DF são favoráveis à
idéia.
A Frente Parlamentar de Combate à
Corrupção, com 150 deputados, escolheu o Projeto Transparência como
proposta prioritária para ser levada a votação pelo plenário da Câmara.
Foi apresentado, junto com as manifestações da sociedade civil, ao
presidente Arlindo Chinaglia, que o considerou uma ferramenta
indispensável de controle social, sintetizada na afirmação: "Isso pode
significar um grande avanço para toda a organização do Estado
Brasileiro".
Pelo Projeto Transparência, os
cidadãos, individualmente, e a sociedade civil terão ampliada sua
participação democrática no funcionamento do Estado. E os
administradores públicos verão crescer o apoio para banir a corrupção da
prática cotidiana.