Ainda ontem passando pelo centro da cidade, me deparei
com um senhor de meia idade que me disse: sabe meu filho, essa tal
eleição não é tão ruim assim, movimenta a cidade, muitos trabalham,
outros participam da festa, para te dizer a verdade, a política é a
festa da democracia. Achei aquilo lindo, sua colocação foi de causar
inveja a muitos que pensam dominar o tema quando na verdade, deveriam
aprender com esses ensinamentos, aliás, esses que se dizem entendidos
não têm nenhum milésimo da sabedoria deste honrado senhor.
É claro que no calor da disputa surgem fatos e fatos, mas
todos precisam ser diluídos pela convivência harmoniosa que têm que
prevalecer como parte da democracia. Hoje e sempre, não se pode entender
a disputa política como se fosse uma guerra, mas sim, uma batalha em
torno de idéias e projetos; cada grupo tentando mostrar que seu projeto
administrativo possui maior viabilidade e, depois do resultado o eleito
deve ter a grandeza e reconhecer que seu mandato pertence ao povo, e não
ao grupo que o elegeu. Se formos buscar na história da democracia do
Brasil, veremos que ela é muito recente, não se comparando com outros
países do mundo, onde esta prática já é corriqueira.
Quando alguém coloca seu nome para ser avaliado pelo
povo, deve ter a consciência de que ele pode ser bem aceito, como pode
ser reprovado pelo povo, aliás, esse é o grande mérito da democracia, o
povo escolhe o governo que melhor lhe convém, e pode até errar, mas aí o
mesmo povo que errou a democracia lhe concede o direito de corrigir na
próxima eleição.
O eleitor como senhor maior desta festa democrática,
precisa entender o seu importante papel, não deve vender seu voto,
afinal quando votamos, estamos delegando nossos poderes a essa pessoa
que confiamos nosso voto, então se seu voto foi comprado, não é
permitida a você nenhuma cobrança, afinal o seu beneficio já foi
entregue. Então a responsabilidade precisa ser compartilhada, na hora de
delegar através do voto é sua a responsabilidade e, depois de eleito o
candidato precisa representá-lo de forma digna e, também entender que o
mandato não é dele mais do povo que o elegeu.
Talvez por sermos uma democracia muito recente não damos
à devida importância a essa conquista tão importante que é votar. Esse
ato cívico deveria fazer parte das discussões em sala de aula, nas
palestras, em cursos, seminários e seus derivados, afinal é a nossa vida
que está em jogo, aliás, é a nossa vida em jogo.........
Penso que todos nós temos avançado nesta questão do voto,
vejam vocês que há algum tempo bem recente se trocava votos pelos mais
variados motivos: trocavam-se votos por um porco, uma galinha, umas
botinas, uns óculos vejam então como avançamos; hoje se vota pelo
pagamento da formatura, por pagamento de excursão, por um cargo
recebido, como isso melhorou! Mas ironias a parte, devemos mesmo buscar
a cada dia aperfeiçoar nossa maneira de votar, pensando não no beneficio
recebido, mas em quatro anos que virão pela frente. Votar e pensar na
vida de nossos filhos, votar e pensar na melhoria do meio onde vivemos
pensar e votar com responsabilidade e dever de um cidadão consciente.
O pior é que ainda existem pessoas saudosistas da
ditadura militar, quando ouço essas coisas chego dar arrepios, será que
esses que professam simpatia por esse sistema, realmente conheceram a
repressão militar? Mesmo que eles não tenham conhecido de perto, era
preciso inteirar-se melhor para não pensar em um sistema outro que não
seja a democracia, a democracia é falha?
Sim
claro que é, mas ainda não inventaram um sistema de governo melhor que
esse. Então viva a democracia, que mesmo com suas imperfeições é o único
modo como o povo pode colocar e retirar seus governantes.
luemirsantana@hotmail.com -
Luemir Santana- 2008