ISSN 1678-8419  

Última atualização feita em:06-03-2008 22:37
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Reflexão
A idealização do amor materno
Por
Graziela Zlotnik Chehaibar

 

A mãe é vista pela nossa sociedade como algo, puro, natural e perfeito. Um amor incondicional capaz de completude e total acolhimento.

A crença desse amor idealizado tem gerado importantes conseqüências no exercício da convivência entre pais e filhos. Os filhos, quando não encontram esse amor sofrem por não terem algo que deveria ser natural e fundamental. De outro lado encontramos mães que se sentem frustradas e culpadas por não conseguirem atender essa necessidade básica dos seus filhos.

Essa dinâmica de sofrimento nos convida a rever esses conceitos prontos que imperam nos discursos socialmente dominantes, isto é, o amor materno incondicional que conhecemos atualmente, é uma visão, uma crença bem recente.

No passado a mãe tinha mais uma função biológica que afetiva, ficando os filhos ao cargo de amas-de-leite que garantiam a sobrevivência física e emocional destas crianças. Hoje, muitas crianças ficam com babás, nas escolas de educação infantil e a mãe não tem mais só a função biológica, cabe a ela também dar educação e amor aos filhos.

A visão de amor se baseia na conquista e na intimidade das relações construídas no cotidiano, que germina, cresce e frutifica. E o amor materno não foge a essa regra. Não é natural e instintivo. O amor materno demanda empenho, cuidado e investimento que se constroem durante a vida através da afeição desenvolvida em um relacionamento estreito e contínuo, assegurando confiança e familiaridade.

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Graziela Zlotnik Chehaibar é psicóloga, terapeuta familiar, casal e individual. Doutoranda da Universidade de São Paulo - USP