A mãe é vista pela nossa
sociedade como algo, puro, natural e perfeito.
Um amor incondicional capaz de completude e
total acolhimento.
A crença desse amor idealizado tem gerado
importantes conseqüências no exercício da
convivência entre pais e filhos. Os filhos,
quando não encontram esse amor sofrem por não
terem algo que deveria ser natural e
fundamental. De outro lado encontramos mães que
se sentem frustradas e culpadas por não
conseguirem atender essa necessidade básica dos
seus filhos.
Essa dinâmica de sofrimento nos convida a
rever esses conceitos prontos que imperam nos
discursos socialmente dominantes, isto é, o amor
materno incondicional que conhecemos atualmente,
é uma visão, uma crença bem recente.
No passado a mãe tinha mais uma função
biológica que afetiva, ficando os filhos ao
cargo de amas-de-leite que garantiam a
sobrevivência física e emocional destas
crianças. Hoje, muitas crianças ficam com babás,
nas escolas de educação infantil e a mãe não tem
mais só a função biológica, cabe a ela também
dar educação e amor aos filhos.
A visão de amor se baseia na conquista e na
intimidade das relações construídas no
cotidiano, que germina, cresce e frutifica. E o
amor materno não foge a essa regra. Não é
natural e instintivo. O amor materno demanda
empenho, cuidado e investimento que se constroem
durante a vida através da afeição desenvolvida
em um relacionamento estreito e contínuo,
assegurando confiança e familiaridade.