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Parece haver uma sutil mudança da
importância dos nossos órgãos sensoriais ao longo da história da
Humanidade. Certamente o tato é um dos primeiros a ser supervalorizado,
principalmente quando a época requeria força física e habilidades
manuais. Todavia, no século XXI parece que a visão supera os demais
sentidos, ganhando importância não apenas pelas mídias modernas
(internet, cd´s, dvd´s, blue-rays´s), além da tradicional televisão, mas
também pela própria conduta do brasileiro em apreciar a forma física do
corpo e consequentemente, a sensualidade.
Todavia, esta superexposição torna a
capacidade de discernimento um fator chave de sucesso para a pessoa,
caso contrário corre-se o risco de encarar a ilusão como realidade, ou
ainda meias verdades subjetivas sem o devido abalizamento com outras
percepções. O juízo de uma situação depende dos sentidos do corpo e
estes são passíveis de engano.
Digo isso não apelando para o
misticismo, mas para a própria ciência, cujo desenvolvimento material e
tecnológico vem em passos acelerados, enquanto que a Humanidade ainda
engatinha no desenvolvimento moral.
Pela ciência, o Homem possui uma
racionalidade limitada (veja por exemplo os trabalhos do ganhador do
prêmio Nobel de economia Herbert Simon). Ou seja, não é possível ter
todas as informações necessárias para a decisão, o tempo para decidir
não é infinito, a cognição é restrita. Enfim, há apenas a condição de se
escolher alternativas satisfatórias e não otimizadas em situações dúbias
e problemáticas.
Por isso é sempre preciso prudência
para se analisar as situações sem se deixar levar pelas aparências. É
necessário buscar a essência e ir mais a fundo, arranhando a
superficialidade do fenômeno até que se tenha condição, pela razão, de
realizar parecer menos imbuído de emoção e expectativas e mais firme
numa realidade lógica e cabível de se tornar científica. Digo isso, uma
vez que é papel da ciência desmistificar os conhecimentos ingênuos e
colocar ordem e sentido no mundo. Não é pela crença dogmática sem a
devida pesquisa que se avança a Humanidade, mas por meio do experimento
e da teorização, do trabalho e do estudo.
Por isso, ainda neste princípio de
século XXI, tenhamos a certeza de que a razão é a nossa luz guia,
condutora de nossos comportamentos e principalmente, de que somente por
ela, e não pela discriminação cega que o conhecimento e o bem estar da
Humanidade avançará para patamares cada vez superiores e mais evoluídos.
Por exemplo, se um dia houve dúvidas sobre a morte e sobrevivência do
espírito, reencarnação e espírito, então que apareça a certeza por meio
do estudo e da pesquisa e não pelo preconceito e dogmas sem a devida
investigação da realidade.
Se para Pitágoras “a prudência é o
olho de todas as virtudes”, então que o estudo e a pesquisa, a
verificação empírica e a proximidade com a realidade sejam os nossos
olhos de cientistas, pois se um dia navegar era preciso, hoje é preciso
pesquisar para levar adiante a alma e a vida para mares dantes
navegáveis.
Que os cientistas tenham olhos e
ouvidos para ver além das verdades da matéria, pois um dia seremos todos
chamados para testemunhar, na banca de qualificação da vida na morte, o
uso da inteligência e raciocínio para o bem da Humanidade. Como bem
disse um dos maiores cientistas da Humanidade, Albert Einstein: “a
percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O homem
que não tem os olhos abertos para o mistério passará pela vida sem ver
nada”. Que fique aqui o convite.
Paulo Hayashi Jr.
Doutorando em Administração pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS)
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