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Num país de tantos ritmos, caras e cores, sabores se multiplicam e
paisagens se configuram numa harmonia sem igual. Eis, pois, a tão bela
natureza à qual cabemos guardar. Dentre todos, ali está, o singelo e
sereno cerrado. Singelo no modo pelo qual se expressa; sereno nos rostos
dos tantos e tantas que nele se integram: o
cerrado, tão comum ao nosso povo e nós, os brasileiros, tão responsáveis
por sua conservação.
Do coração do Brasil faz-se ecoar ao mundo, pois no grito do bravo sua
voz acena. De suas terras brotam rios, veias vitais de nossa terra
brasileira. É terra do lobo guará, guardião das noites e das matas. Do
tamanduá bandeira, com seus cupins e formigueiros; da ema e do tatu, da
cotia e do quati. De outros tantos, muitos outros, milhares, talvez,
dentre bichos e frutos, encostas e açudes. Lar do Jeca Tatu, do Pai do
Mato, da Mãe do Rio, da Caipora e da cultura brasileira, aqui forjada e
transmitida por gerações que se sucedem. Quase todos solitários e
esquecidos. Andarilhos pelas terras de um bioma maltratado. São
queimadas que dizimam suas matas. São abates que mutilam seus animais.
Índios não se vêem. Dura pena para um lugar tão rico: rico em histórias
e sentido, rico em sua biodiversidade. Nada senão o reflexo de uma
orfandade há muito menosprezada. Subtraída nossa responsabilidade, a
quem acorrerá o cerrado? Clama, oh cerrado! Clama por justiça, cuidado
e zelo! Renova em nós a confiança e devolve-nos tuas riquezas, pois da
cinza renascerá a verdura que irá se alastrar por teus tortuosos
troncos, de um canto ao outro, levando esperança, luz e novo pulsar a
ti, que és o coração do nosso Brasil.
MARTINS FILHO, J.R.F. Cerrado, coração do nosso Brasil. In.:
Revista P@rtes (São Paulo), fevereiro de 2011. Disponível em <http://www.partes.com.br/reflexao/cerrado.asp
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