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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 25 de março de 2008 21:10:45                                               

 
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Reflexão

É dando que se recebe?

Omar Freddi

publicado em 25/03/2008

 

Acabei de ouvir o Gilberto Dimenstein na CBN dizer que está provado cientificamente que quem gasta dinheiro com os outros é mais feliz, acrescentou ainda, por conta própria, (de maneira bem científica como é praxe em suas afirmações) que percebe que toda as pessoas que se dedicam a auxiliar os outros demonstram claramente serem mais felizes.

Todas as religiões do mundo dizem a mesma coisa desde que existem humanos vivendo neste planeta. Não é incrível? Depois que praticamente acabamos com todas as possibilidades de construção de uma sociedade humana realmente benéfica, sem ser ao mesmo tempo altamente destrutiva como é a nossa sociedade hoje, (a globalização da injustiça e do egoísmo, num capitalismo competitivo universal), depois de deixarmos nossos jovens laicizados, em escolas que não podem ensinar princípios religiosos, entregues a todo o tipo de busca desenfreada de satisfação dos prazeres, sem sequer terem idéia dos problemas que estes prazeres acarretam em suas vidas para citar um exemplo: gerar filhos na adolescência; quer mais um? Vícios simples como álcool e cigarros que com o tempo tornam-se praticamente impossíveis de serem eliminados e muitas vezes acompanham o infeliz da adolescência até a morte, com os sofrimentos enormes causados a eles próprios e aos outros. Sem falar das DSTs e as chamadas drogas ilícitas, onde as pessoas não imaginam a dimensão negativa que estas aventuras têm em suas vidas.

Depois que nos tornamos cientificamente frios, insensíveis, convivendo tranquilamente com a desgraça de nosso semelhante sem nenhum tipo de abalo – e quando digo semelhante não me refiro a um outro humano qualquer, como um mendigo na rua, mas vejo a frieza no trato entre irmãos, pais e filhos, amigos de infância, e todos os graus de parentesco – vivemos literalmente o estilo CADA UM POR SI, e Deus? Deus ou não existe ou é propriedade privada, isto é: não é para todos.

Não podemos esquecer que as religiões historicamente avalizaram guerras e continuam fazendo isso, o que é contradição intrínseca e um paradoxo que pode ser explicado quando partimos do fato de serem os humanos os praticantes de todas as religiões. E aos humanos tudo é permitido (fato chamado de livre arbítrio).

Para piorar, as religiões vivem em guerra entre si, disputando clientes no melhor estilo capitalista de disputar clientes, isto é: VALE TUDO. E hoje basicamente temos uma religião mais antiga, cheia de pecados cometidos como inquisições e perversões sexuais, que está sendo espezinhada, tratada como retrógrada, contra tudo o que é “sensato”, enfim tratada como algo a ser ultrapassado, e pasmem, uma outra que vem crescendo enormemente e que incorpora o capital divinamente e ainda se arroga o direito único de acesso a Deus. O capitalismo religioso e o monopólio de Deus. E o que é pior, para ela, ou melhorpara os seus adeptos - os outros são todos secretários do adversário e vão arder no fogo do inferno.

Mas será que é melhor deixar crianças e jovens entregues à fome voluptuosa das propagandas que estimulam os piores instintos humanos?

Para vender suas batatinhas cheias de deliciosa gordura trans impingem um modo de vida competitivo, sensual, violento e frio. E quem vier me dizer quenão é bem assim “, me perdoe mas não assiste televisão.

Será que precisa o Dimenstein dizer cientificamente que as pessoas que se dedicam a ajudar os outros são mais felizes para percebermos algo tão obvio, tão antigo e tão necessário em nossos tempos de COMPETIÇÃO pela sobrevivência.

Aliás não estamos competindo pela sobrevivência. Competimos para ter mais, para possuir o Maximo !!! Queremos tudo! Queremos ter tudo o que tivermos vontade de ter. Como são muitas coisas, e cada dia aparecem mais coisas novas para se ter, e nossa vontade  não tem fim.  Estamos competindo pelo plus, pelo a mais, pelo luxo, pelo excesso. E os que não conseguem competir? Azar o deles. tem gente achando que devemos realmente agir como os animais, isto é: sobrevive o mais apto, morre o mais fraco, ou o que estiver ferido (sem dinheiro (e ou) saúde, por exemplo).

Quem ajuda alguém deveria agradecer por ter tido a oportunidade de ajudar, pois o bem maior é dele. Quem ajuda os outros ajuda a si mesmo, muito mais do que ao outro. Até porque a atitude de ajudar está condicionada à capacidade de agir e todos nós sabemos muito bem que quem está precisando de ajuda é a pessoa que está privada de capacidade de ação, o que representa em nossos tempos de adoração total ao deus dinheiro: geralmente é o que está DURO.

Cresci freqüentando a igreja católica que dizia todos os domingos: É DANDO QUE SE RECEBE, vejo os crentes dando dízimo para a igreja, vejo os budistas dizendo que tudo o que você dá, você recebe, e se você não dá: não recebe, e ponto final. Quem sabe agora com o Dimenstein dizendo que a ciência mais uma vez tenta chegar perto das religiões, e lógico, se não for tarde demais para nossa sociedade belicista se conscientizar, podemos efetivamente começar a viver melhor como sociedade, e não mais na apologia do CADA UM POR SI

 
  

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Omar Freddi é estudante de filosofia

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