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IDENTIDADE.
Conjunto
das
características
próprias e exclusivas de
um
indivíduo.
CULTURA.
Conjunto
de
crenças,
costumes,
atividades
etc. de
um
grupo
social.
FRONTEIRA.
Limite
entre
duas
áreas,
regiões,
países,
etc.
(Dicionário
Houaiss)
Sabemos
hoje
que
as
identidades
culturais
não
são
rígidas
nem,
muito
menos,
imutáveis.
São
resultados
sempre
transitórios
e
fugazes
de
processos
de
identificação.
Mesmo
as
identidades
aparentemente
mais
sólidas,
como
a
mulher,
homem,
país
africano,
país
latino-americano
ou
país
europeu,
escondem negociações de
sentido,
jogos
de polissemia,
choques
de temporalidades
em
constante
processo
de transformação,
responsáveis
em
última
instância
pela
sucessão
de
configurações
hermenêuticas
que
de
época
para
época
dão
corpo
e
vida
a
tais
identidades.
Identidades,
são
pois
identificações
em
curso.
(Professor
Boaventura de Sousa
Santos,
doutor
em
Sociologia
do
Direito
pela
Universidade
Yale e
professor
titular
da
Universidade
de Coimbra)
Em
seu
livro
Cultura
–
um
conceito
antropológico,
o
professor
doutor
Roque
de
Barros
Laraia desenvolve uma
análise
do
histórico
do
desenvolvimento
do
conceito
de
cultura
e,
também,
como
a
cultura
influencia o
comportamento
social
e tem
um
peso
significativo
na
diversificação
da
humanidade.
Laraia
trata,
inicialmente,
dos
conceitos
de
determinismo
biológico e
geográfico.
O
primeiro
é derrubado
pelo
próprio
desenvolvimento
das
sociedades.
Embora
haja
diferenças
anatômicas e fisiológicas, estas
não
são
responsáveis
pela
forma
de
comportamento
do
ser
humano.
A
conclusão
antropológica é
que
“o
comportamento
dos
indivíduos
depende de
um
aprendizado”
chamado
processo
de endoculturação.
O
determinismo
geográfico,
segundo
o
qual
“as
diferenças
do
ambiente
físico
condicionam a
diversidade
cultural”,
também
encontra
barreiras
práticas.
Como
exemplo,
considera-se as
diferenças
entre
os lapões e os
esquimós
(os
primeiros
habitantes
da
calota
polar
ao
norte
da Europa e os
segundos,
ao
norte
da América).
Embora
em
ambientes
semelhantes,
possuem
características
distintas
entre
si.
Diferenças
também
são
observadas
entre
índios
na América do
Norte
e no Brasil.
Definir
o
conceito
de
cultura
é,
portanto,
uma
tarefa
ainda
em
discussão.
As
suas
sub-divisões
em
cultura
popular
(inerente
a
um
grupo
social),
erudita
(obtida
através
de
métodos
científicos)
e de
massa
(produtos
da
indústria
cultural),
também
possuem uma
linha
tênue
entre
si.
Sendo,
portanto,
impossível
determinar
uma
diferenciação
em
razão
biológica
ou
geográfica,
dificulta-se o
estabelecimento
do
conceito
de
fronteira,
ainda
mais
com
relação
à
identidade
cultural.
Porém,
Laraia
chega
a uma
conclusão:
“Podemos
afirmar
que
existem
dois
tipos
de
mudança
cultural: uma
que
é
interna,
resultante
da
dinâmica
do
próprio
sistema
cultural, e uma
segunda
que
é o
resultado
do
contato
de
um
sistema
cultural
com
um
outro”
(p. 96).
A
partir
da
idéia
de
que
“as
identidades
culturais
não
são
rígidas
nem,
muito
menos,
imutáveis”,
o sociólogo Boaventura
Santos
passa
a
tratar
das
identificações
e do
conceito
de “cultura
de
fronteira”
tendo,
como
objeto
de
estudo,
Portugal.
Alguns
conceitos
observados
por
Santos:
·
O
primeiro
nome
moderno
da
identidade
é a subjetividade;
·
Há uma
tensão
entre
subjetividade
individual
e
coletiva;
·
Há uma
tensão
entre
subjetividade
contextual
e
universal;
·
O
paradigma
da modernidade é
um
projeto
sócio-cultural
amplo,
cujas
contradições
e potencialidades visam o
equilíbrio
entre
a regulação
social
e a
emancipação
social;
·
A
partir
do
século
XV, a Europa viveu uma
era
de
fanatismo,
racismo
e centrocentrismo, manipulado
pela
política
e
pela
religião;
·
A
crise
da social-democracia
nos
países
centrais
é decorrente do
liberalismo
intrínseco
à social-democracia e
não
da social-democracia
que
há no
liberalismo;
·
Há uma “luta”
entre
a
cultura
global
(imposta
pela
indústria
cultural,
sobretudo
norte-americana),
as
culturas
locais
e as
culturas
regionais;
·
O
racismo
de descolonização (imigratório) substitui o
racismo
de colonização (biológico);
·
A
dificuldade
em
aceitar
ou
suportar
as
injustiças
e as irracionalidades da
sociedade
capitalista
dificulta, ao
invés
de
facilitar,
a possibilidade de
pensar
uma
sociedade
distinta
e
melhor
do
que
esta;
·
A
multiplicação
e sobreposição dos
vínculos
de
identificação
prolifera e trivializa
inimigos.
Em
sua
análise,
Boaventura
Santos
considera
essenciais
três
orientações
metodológicas:
·
Não
sendo nenhuma
cultura
autocontida,
seus
limites
nunca
coincidem
com
os
limites
do
Estado;
·
Não
sendo autocontida, nenhuma
cultura
é
indiscriminadamente
aberta;
·
A
cultura
de
um
dado
grupo
social
não
é
nunca
uma
essência,
mas
uma autociração, uma negociação de
sentidos
e,
para
ser
compreendida, é
necessária
uma
análise
da
trajetória
histórica
e da
posição
desse
grupo
no
sistema
mundial.
Nesse
ponto,
Santos
analisa as
causas
e os
processos
de
independência
das
colônias
de Portugal, na América do
Sul
e na África. As
causas
estariam concentradas
em
Portugal,
primeiro,
com
a
revolução
liberal,
dando
origem
à
independência
brasileira.
E,
mais
tarde,
com
a
Revolução
dos
Cravos
(1974),
nos
países
africanos.
Portugal historicamente enfrenta
um
paradoxo.
Não
identifica-se
com
as
culturas
“positivas” das
nações
européias,
nem
com
as “negativas”,
dos não-europeus,
embora
sofra
influências
de
ambos.
Fica
em
um
ponto
intermediário,
ou,
como
afirma
Santos,
“semi-periférica”.
Enquanto
considerava os
povos
das
colônias
como
primitivos
e
selvagens,
passou a
ser
observado
(pelo
restante da Europa)
com
estas
características.
Por
isso,
a
conclusão
de
Santos
é
que
“a
cultura
portuguesa
não
tem
conteúdo”,
permanecendo “na
fronteira”.
Esta
característica
dá
origem
ao cosmopolitismo,
mas
também
a uma
falta
de
identidade,
não
só
em
Portugal,
mas
também
em
suas
colônias.
Um
exemplo
é o Brasil. O
processo
de colonização, somado à
ampla
extensão
territorial,
fazem
com
que
o Brasil seja reconhecido
pelo
“acolhimento”
e
diversidade
cultural.
Porém,
enquanto
país,
não
há
como
verificar
uma
identidade
cultural.
A
influência
do
processo
de colonização é,
portanto,
evidente
ao se
analisar
o
processo
cultural
brasileiro.
Em
termos
de
identidade
“nativa”,
esta encontra-se
em
“extinção”,
pois
a
cultura
dos
povos
(indígenas)
pré-colonização foram sufocadas
através
da escravização, da
imposição
religiosa
e da
falta
de
respeito
aos
costumes
e
identidades
culturais. O
processo
de
perda
de
identidade
acentuou-se no
período
em
que
a
mão-de-obra
foi substituída
pelos
escravos
trazidos da África.
Os
processos
imigratórios de
países
europeus
e
asiáticos,
no
final
do
século
XIX e
início
do
século
XX, e a
influência
da
indústria
cultural
norte-americana
através
dos
meios
de
comunicação
de
massa,
além
da
inércia
da
liderança
política
(e
também
social)
brasileira
finalizam
este
processo
de “desculturalização”, dificultando
ainda
mais
a
identificação
de uma
cultura
brasileira
(popular
ou
erudita),
quanto |