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Para
Aristóteles a dúvida é o princípio da sabedoria, pois duvidar é
atividade de não aceitar como certo ou errado uma determinada proposta
sem a devida investigação posterior ou uma reflexão mais profunda e
crítica sobre a questão. Isso é importante, porque é pelos sentidos que
temos contato e fazemos à construção de uma realidade, a qual
interpretamos e nos adaptamos, reagindo a ela. Todavia, os sentidos não
são infalíveis e podem nos levar a falsos julgamentos, seja pela questão
de ser traída pelos sentidos, seja pela falha em nossa linha de
raciocínio. É a nossa racionalidade limitada, como bem demarcou o
ganhador do prêmio Nobel de Economia Herbert Simon. Além disso, o nosso
tempo e as nossas informações são limitados também. Deste modo,
precaução e cautela sempre foram ótimas companheiras do homem ajuizado,
a tal ponto de ser considerada a prudência, por Pitágoras, o olho de
todas as outras virtudes.
Assim,
na correria do dia-a-dia não deixemos de reservar parte de nosso tempo
para uma pausa e reflexão, pois pode ser que neste pequeno lapso de
tempo as preciosas intuições e inspirações fluam como água abençoada que
sacia a sede de conhecimento e de decisões, tranqüilizando assim a
consciência. É nas horas mais difíceis que o tempo parece ser escasso e
precisamos assim “esticá-lo” para ter condições de fazer certo o que
precisa realmente ser feito e não aquilo que gostaríamos, num primeiro
impulso, de fazer. Tranqüilidade e calma, estudo e meditação são
caminhos seguros para acertar mais do que errar, pois somos todos seres
ainda imperfeitos. Os tombos fazem parte do caminho e da caminhada, mas
nada mais humano e louvável do que levantar, tirar o pó e continuar em
frente.
Se um
dia navegar foi preciso para engrandecer a alma e a vida, hoje é
necessário criar e se distinguir na multidão. É preciso levar a vida
para voos mais altos, saindo da estreiteza horizontal do ego e
adentrando em ares mais amplos e verticais de consciência do próprio
ser. É conhecer-se a si mesmo e as riquezas do seu coração para cultivar
com os braços e os músculos do corpo a lista de serviços da caridade, a
qual servirá como testemunha fiel para Deus e outros homens sobre sua
pessoa. Nada mais justo, nada mais lógico do que as tuas obras, as tuas
pegadas na Terra mostrem para todos onde tuas decisões e ações te
levaram. E se um dia houve dúvidas, que venha o dia da certeza de quem
plantou o bem, colherá apenas e unicamente o bem. Ponto novamente para
os prudentes!
Doutorando em Administração pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS)
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