Resumo:
Novas exigências de qualificação humana
impõem mudanças substanciais na instituição Escola; na atitude e
participação dos cidadãos ante essas mudanças que atingem de forma
importante e desigual a todas as formações sociais. A pesquisa traz
breves considerações, ancorada em análises competentes de vários autores
de diferentes tendências, procurando entender como são forjadas as
situações que dão origem a novas linguagens, novos comportamentos
culturais, a nova estética, enfim, a uma nova realidade econômica,
política, social e cultural.
Palavras-chave: Educação, Futuro,
Realidade, Capitalismo, Conhecimento.
Abstract: New qualification
requirements human being imposes substantial changes in the institution
School; in the attitude and participation of the citizens before these
changes that reach of important and different form to all the social
formations. The work brings brief considerations, anchored in competent
analyses of some authors of different trends, looking for to understand
as the situations are forged that give to origin the new languages, new
cultural behaviors, new the aesthetic one, at last, to a new economic
reality, politics, social and cultural.
Keywords: Education, Future,
Reality, Capitalism, Knowledge.
Introdução
Nestes tempos de
modernidade ou pós-modernidade como muitos apregoam, surgem ou ressurgem
nas pautas e agendas de debates dos meios acadêmicos, políticos,
econômicos, culturais como no ciberespaço, questões que dada a
recorrência naturalizam-se como verdades históricas inexoráveis. A
educação como categoria econômica central se inscreve nessa direção: é
uma infinidade de espaços surgindo: sociedade do conhecimento, sociedade
de aprendentes, organizações aprendentes, sistemas com base no
conhecimento, engenharia do conhecimento, ecologia cognitiva,
cognitariado etc.
Um caminho para examinar a
questão pode ser o de tentar compreender a relação educação e sociedade,
de vez que as práticas educativas ao longo da história do capitalismo
sempre se subordinaram às necessidades do capital, como poder-se-á
observar nas análises de Manacorda sobre a educação através dos tempos,
na Europa e na América; os discursos revelam que a formação do homem se
destinou à adequação à realidade e modos específicos de subordinação ao
sistema produtivo, independente do modo dominante de condução da
sociedade.
Um fato importante para o
desenvolvimento das sociedades foi o aparecimento da instituição escola
junto com a fábrica e hoje estão surgindo novos espaços de conhecimento,
em função das mudanças no processo produtivo, com especial destaque para
a Informática, para outras possibilidades de acesso e produção de saber,
como as redes computacionais interativas.
No decorrer deste
trabalho, destaca-se o que, por enquanto ainda se denomina escola, por
acreditar em sua essencialidade para a formação e emancipação humana.
Certamente que não se trata dessa escola transmissora de conhecimentos
embalados ou estocados e fossilizados, como úteis e os necessários a
serem repassados para mentes imaturas, obedecendo a regras e padrões
pré-estabelecidos; escola essa desconectada da complexidade de um mundo
cambiante e global.
Como sabemos, não existem
outras instâncias sociais que exerçam uma interferência formativa tão
longa, constante e profunda quanto a escola. Seu papel certamente se
reduziu em confronto com as demais instâncias aculturadoras e
socializadoras do ser humano moderno, inserido em sociedades amplas,
complexas e prevalentemente urbanas. Mas ainda incumbe principalmente à
escola a tarefa de garantir aos seres humanos a descoberta daquela
dinâmica básica da vida que lhes permita afirmar-se prazerosamente como
vidas possíveis.
A educação escolar como já
sugeri anteriormente, de alguma forma sempre se subordinou aos ditames
do poder dirigente.
Na
medida, todavia em que o sistema capitalista se solidifica e os sistemas
educacionais se estruturam, assume nitidez a defesa da universalização
dualista, segmentada: escola disciplinadora e adestradora para os filhos
dos trabalhadores e a escola formativa para os filhos das classes
dirigentes.
FRIGOTTO (1995 )
Ao particularizar-se a
situação brasileira, observa-se que em 1889 foi elaborada uma política
educacional a cargo do Estado, em conjunto com a Igreja. Mas, só com o
Estado Novo (1930-45), o sistema educacional é utilizado para adequar a
força de trabalho ao capital, tornando obrigatório o ensino primário; em
1937 é instituído o ensino profissionalizante para as classes populares,
bem como a obrigatoriedade para as indústrias e sindicatos manterem
escolas de aprendizagem, resultando num grande incremento das matrículas
no ensino público; tem-se em 1948 a apresentação de nova Lei de
Diretrizes e Bases, de cunho bastante populista, aos moldes do Governo,
onde propunha a extensão do ensino para as populações rurais e igualava
o ensino médio (propedêutico e o técnico), só sendo aprovada em 1961 e
consolidando o ensino privado.
A partir do Golpe de 1964,
a educação subordina-se mais claramente aos ditames capitalistas, em
termos de discurso, conforme se pode observar nos Planos Nacionais de
Desenvolvimento, onde o ingresso do Brasil no rol dos países
desenvolvidos, com liderança entre os integrantes da América Latina
exigia uma ação revolucionária na educação, de forma a realizar uma
fecunda aliança entre educação e desenvolvimento.
Apesar de toda retórica
oficial da importância da educação para o sucesso do projeto econômico
do Estado, os resultados concretos das políticas educacionais dos
últimos trinta anos são pouco ou nada animadores, haja vista os próprios
diagnósticos dos órgãos oficiais brasileiros e internacionais. Porém,
ainda assim, o Brasil, atingiu um razoável nível de desenvolvimento com
tão pouca educação.
Talvez se possa dizer que
para o processo produtivo do tipo padronizado, tipo Taylorista/-Fordista,
onde as máquinas rígidas exigem pouca qualificação, para executar
tarefas repetitivas ou mesmo uma capacitação mais especializada, a
escola com o auxílio do treinamento no próprio local de trabalho
permitiu concretizar. Claro que isso não acontece, dessa forma tão
simplificada, por envolver outras relações, que no momento não compete
aprofundar.
Por outro lado, os
recursos humanos de nível superior (e não mão-de-obra) necessários à
direção e organização do processo produtivo e administração do País são
preparados nas instituições públicas de ensino superior e nas
pós-graduações nacionais e internacionais, aliadas a outras formas de
qualificação só, em geral, acessíveis aos de melhores condições
econômicas. Será que é possível vincular-se diretamente o nível de
desenvolvimento dos países capitalistas aos indicadores educacionais
elevados?
Mesmo não tendo os dados
que permitam responder a questão, algumas indicações de autores como
Apple, evidenciam a não democratização do acesso ao conhecimento.
Hoje, com as brutais
transformações advindas de um inigualável progresso científico e
tecnológico, as exigências de educação se intensificam num cenário de
maior amplitude, onde o novo cidadão precisa juntar inteligência,
conhecimento e capacidade emocional e social para enfrentar e poder
atuar rumo às mudanças requeridas.
A qualificação humana,
portanto, vai além da aquisição de conhecimentos intelectuais para
outros atributos como liderança, versatilidade, flexibilidade, rapidez
de decisões, saber trabalhar em equipe, ter equilíbrio emocional e
físico, ser comunicativo, solidário, dentre outros. Será que essa pessoa
pode existir? Será que na lógica da economia de mercado, onde a
competitividade é palavra de ordem, há espaço para solidariedade (que
exige um grau elevado de generosidade)?
Embora já haja relativo
consenso entre os estudiosos da pós-modernidade sobre a inexorabilidade
de mais conhecimento e qualificação, em parte, alguns elencados neste
trabalho, considero necessário examinar o que está por trás desse novo
padrão econômico-social-cultural e, notadamente que relações sociais o
produziram.
Valho-me da análise de
David Harvey para localizar no Fordismo a origem dessa nova realidade
acima explicitada, caracterizando-o como um período que vai mais ou
menos de 1945 a 1973, de regulação, cuja base se assenta na teorização
Keynesiana, fundamentada num conjunto de medidas de controle e gerência
do trabalho, de tecnologias, de hábitos de consumo e de configurações do
poder político-econômico.
O empresário americano
Henry Ford começou a inovar em sua fábrica de automóveis, no Michigan
implantando a jornada de trabalho com oito horas e um incentivo de
produtividade a seus operários. Entretanto, não foi isso que o
diferenciou de outros empreendedores, notadamente após a publicação da
obra "Os Princípios da Administração Científica” de F. W. Taylor, em
1911, onde este demonstrava como a produtividade poderia ser aumentada
através da racionalização do uso do tempo e movimento cronometrados na
realização das tarefas.
O insight de Ford foi
descobrir que a produção em massa significava consumo de massa, um novo
sistema de reprodução da força de trabalho, novos métodos de organização
e controle do processo produtivo - um novo modo de vida total ancorado
no poder corporativo da regulação econômica.
O Fordismo-Keynesiano como
modo de acumulação capitalista propiciou uma expansão crescente de seu
poder na formação de mercados de massas global, na abertura
internacional, na globalização da oferta de matéria prima, na
implantação e/ou implementação de outros empreendimentos nas áreas de
seguros, hotéis, aeroportos, turismo, dentre outros.
O estabelecimento desse
modo de acumulação foi desigual nos diversos países em função da
correlação de forças políticas, econômicas e sociais internas e
externas, gerando, em grande medida, descontentamentos, notadamente no
Terceiro Mundo, onde a dita modernização vinha carregada de promessas de
desenvolvimento, associado à melhoria das condições gerais de vida, o
que não ocorreu, excetuando o caso das elites.
Até no seu berço de
origem, os Estados Unidos, o Fordismo foi incapaz de conter a crise
inerente ao sistema capitalista, apesar de todo o apoio do Estado e do
controle exercido na organização e reprodução da força de trabalho, o
movimento de luta dos trabalhadores se qualificou e aumentou suas
reivindicações.
A crescente
internacionalização retirou parte dos ganhos fiscais correspondentes ao
investimento e à renda que o fundo público articulava e financiava,
deixando para o Estado nacional a responsabilidade pela reprodução da
força de trabalho e do capital, além de que os incentivos financeiros do
fundo público deslancharam uma infinidade de inovações que não têm
condições de servir à produção, com a parcela dos lucros auferidos,
necessitando cada vez mais de recursos do Estado, sem regulação, numa
volta do livre-mercado, segundo os ideais neoliberais. Essa crise
estrutural do sistema capitalista tem levado a altas taxas de
desemprego, que ajudam fortemente no desmantelamento do sindicalismo,
forçando as economias a lutarem por novos mercados, num processo de
competição desenfreada: impulsionando a criação de novos setores de
produção e serviços, estabelecendo novas relações de trabalho e
inovações de toda ordem.
Os centros avançados do
capitalismo inauguram um novo modo de acumulação, centrado na
flexibilidade e altamente tecnologizado numa escala mundial, obrigando
as economias periféricas a reposicionarem-se, com altos custos sociais.
Para quem, como o Brasil, nem chegará ao verdadeiro Estado do Bem Estar,
o problema se agudiza.
Como o objetivo desse
texto não é fazer um estudo sobre o processo de desenvolvimento
capitalista, nem tampouco ousar analisar as teorias econômicas, a
incursão por estas deu-se em função da necessidade de tentar compreender
um pouco dos meandros dos fenômenos surgidos, em determinados momentos
históricos.
A nova base produtiva,
centrada na microeletrônica, informática, microbiologia e engenharia
genética, capaz de criar novos materiais e fontes de energia (recurso
escasso, indispensável ao desenvolvimento), diminui o uso de capital
vivo e revoluciona o processo produtivo como um todo, incluindo as
relações de trabalho.
Conforme já foi assinalado
anteriormente, o conhecimento científico, técnico e administrativo e a
informação são peças-chave, nesse novo modo de acumulação flexível
global, num mundo transformado num hipermercado onde "todos" poderão
entrar e fazer suas escolhas. Fica complicado compreender como todos
terão acesso, se a lógica da excludência e competitividade são os
pilares desse sistema.
A posse do conhecimento é
determinante como vantagem competitiva e imprescindível nesse processo
de produção, altamente informatizado, diferente da padronização
fordista, que atuava com especializações. A rapidez na tomada de
decisões, o trabalho cooperativo grupal, capacidade de inovar, a
versatilidade, a mobilidade espacial se impõem como pré-requisitos aos
trabalhadores estáveis, notadamente os que desempenham funções de
supervisão de máquinas frágeis e vulneráveis, correspondendo a um grupo
reduzido de empregados.
Esses indicativos talvez
possam ajudar a compreender o porquê da preocupação educativa e
humanística do empresariado com o trabalhador, nessa nova realidade,
porque além da fragilidade da máquina, a empresa flexível atua na
direção do defeito zero, na produção, como se pode ver no exemplo dado
por Antunes, de uma fábrica japonesa em que os robôs fazem a maior parte
do trabalho, mas que vivem quebrados sendo necessário o auxílio dos
operários para prevenir e reparar os danos, ocasionando um incessante
serviço, que não elimina o trabalho, mas o qualifica.
A análise de Harvey sobre
o mercado de trabalho norte-americano é reveladora, ao afirmar que os
recursos humanos de alto nível, de direção, em número reduzido, usufruem
alguns generosos benefícios, como salário indireto e necessitam ter uma
capacidade cognitiva, emocional e física considerável (aquelas
qualidades de que já tratei repetidamente), trabalham em tempo integral,
recebem promoção e reciclagem.
Outro grupo é formado pelo
pessoal facilmente descartável, mais administrativo, como secretária,
pessoal do setor financeiro e serviços auxiliares, facilmente disponível
no mercado. Geralmente não têm oportunidade de fazer carreira ou
usufruir de capacitações.
Há ainda aqueles também
periféricos, temporários, casuais que trabalham em tempo parcial, sem
segurança no emprego - os chamados trabalhadores flexíveis, ou seja,
trabalham em qualquer lugar e se encaixam às determinações particulares
das empresas. São esses que mais interessam ao processo de acumulação
flexível.
Na medida em que as
necessidades de qualificação intensificam e a força de trabalho é tão
móvel, além de numerosa, a discriminação e exclusão aumentam,
notadamente para as minorias, no sentido sociológico do termo, negros,
imigrantes. Ainda mais, a considerar-se a força da imagem e da
aparência, os feios, velhos e deficientes também serão excluídos.
Como parte desse novo modo
produtivo, a terceirização oferece oportunidades para a abertura de
pequenos negócios, que servirão às empresas maiores; ressuscitam
oficinas artesanais familiares e outras estratégias de sobrevivência.
Quem regulará esse mercado
perverso, se os trabalhadores deixam de ser atores com poderes de
participar da disputa por seus direitos, já que as entidades sindicais
estão sendo solapadas e também porque como poderão se organizar com
interesses tão diferentes? Será que o mercado comporta tantos pequenos
negócios, na lógica da competitividade?
As indagações são muitas,
mas preciso mapear a questão da centralidade da educação, objeto deste
exercício intelectual.
DA ESCOLA AOS NOVOS
ESPAÇOS DO CONHECIMENTO
Muitos estudiosos da área
de Educação, Economia, Ciências Sociais e Filosofia, de diferentes
tendências ideológicas, têm-se ocupado do estudo da pós-modernidade.
Destaco a análise de Hugo Assmann que evidencia que o mundo está imerso
na "economia do conhecimento" (knowledge economy), a qual se caracteriza
pelo predomínio das redes de informação e conhecimento, onde desponta um
novo tipo de capital - informação - conhecimento; sendo, portanto a
educação escolar fundamental para "criar as condições para que
desabrochem e se entrelacem, na vida concreta das pessoas, os nexos
corporais, as linguagens e os comportamentos, de modo a poder constituir
uma ecologia cognitiva favorável à auto-organização unificada de
processos vitais e processos cognitivos”.
Assmann, embora reconheça
a importância, relativiza e particulariza o papel da instituição escola,
em função de outras instâncias aculturadoras e socializadoras existentes
na sociedade ampla, complexa e prevalentemente urbana, como a mídia e a
cibernética.
Ressalto como mais
relevante no posicionamento acima, o entendimento do autor da
necessidade de sinonimizar processos vitais e processos cognitivos,
considerando a aquisição de conhecimentos sistematizados como condição
de viver.
Outro ponto da abordagem
que deve ser enfatizado é que o autor, mesmo criticando a crença
exacerbada na capacidade do mercado, na lógica da exclusão e
insensibilidade das pessoas, não sinaliza para outra alternativa de
desenvolvimento da sociedade, fora da economia de livre-mercado.
É importante entender que a transformação
dos espaços do conhecimento não pode se dar apenas de dentro dos espaços
da educação e sim encarar a educação como "motor" da modernização.
Faz-se necessário um posicionamento
diferente acerca da educação para a pós-modernidade, rechaçando o papel
da escola, tal como a conhecemos hoje; não acredita na sua
adaptabilidade e flexibilidade aos futuros possíveis: as escolas
continuarão a existir em retalhos, mas se tornarão cada vez mais
esparsas e menos relevantes ao sistema como um todo, em relação aos seus
futuros.
A análise acima é
instigante e desafiadora, e vem reforçar uma realidade perversa, onde a
competição divide o mundo entre vencedores e perdedores, sem lugar para
solidariedade, para o prazer do encontro com a autoridade, para o
compartilhar do prazer de captar o sentido do inútil, do lúdico.
Valoriza-se a educação individual, única e solitária que se efetiva via
ciberespaço. Quem terá possibilidade de acesso a esse universo?
Reconhece-se a função econômica, social, política e ideológica da
escola, entretanto critica-se o modo dela educar através de
livros-texto, por serem muito limitados, em função de uma gama enorme de
informações existentes; sobrecarrega o poder das outras fontes, como a
mídia, ciberespaço e as realidades virtuais.
Há uma corrente
representada por intelectuais que mesmo compreendendo a demanda por mais
conhecimentos e informações, conseguem identificar outros horizontes
possíveis para a humanidade, não se conformando com o determinismo
capitalista como única possibilidade civilizatória, de inspiração
neoliberal, extremamente excludente socialmente, onde o conhecimento,
enquanto mercadoria só poderá ser adquirido por poucos.
CONCLUSÃO
O resultado concreto deste
trabalho não é conclusivo, mas com certeza se encaminha muito mais pela
identificação de que a questão maior não é, portanto, a vinculação ou
não da educação escolar, capacitação emocional, física e mental ao novo
modo de produção que se inaugura, como condição de existência ou
prosperidade desse processo de acumulação, denominado de flexível. Mas,
como esses conhecimentos serão apropriados pelo conjunto de segmentos
excluídos, que a considerar a lógica do sistema que o determina, será
bastante desigual e até desumano.
Se o olhar se dirigir para
o que está acontecendo hoje nos Estados Unidos e, particularmente no
Brasil, verifica-se que as elites dirigentes não estão se encaminhando
na direção da sociedade do conhecimento, via escolarização e
intelectualização de todos os partícipes sociais e, em especial das
classes menos favorecidas.
Veja-se o que está
acontecendo, por exemplo, nas escolas elementares e secundárias de Los
Angeles, onde estão sendo eliminadas, dos currículos, áreas não
consideradas essenciais (o contrário do que está sendo dito e escrito
hoje, pelo menos no Brasil) como arte, música, línguas estrangeiras, ao
mesmo tempo em que está sendo veiculado nas salas de aulas um programa
de notícias de televisão comercial - Canal Um, dividido entre dez
minutos de notícias nacionais e internacionais e dois minutos de
propaganda.
Ora, exige-se tanto do
novo trabalhador e pergunta-se como este alcançará níveis tão altos de
exigências intelectuais e operativas, se a educação que lhe é oferecida
fica tanto a desejar até nos países mais desenvolvidos como o exemplo
dos Estados Unidos, em que a cultura humanística é dispensável em troca
da instrumental.
Veja-se o caso do Brasil
na profissionalização do ensino médio, preconizada pelo MEC, em que se
pretende eliminar do currículo desse ensino as disciplinas consideradas
dispensáveis, por não estarem diretamente relacionadas à profissão à
qual o estudante se destina, enquanto que para uma minoria se aumenta o
nível de exigências para ingresso nos cursos superiores de boa
qualidade.
Sabe-se que informações
precisam ser processadas, criticadas e selecionadas para cumprirem um
papel importante na formação dos homens e que para isso acontecer, há
necessidade do domínio de um ferramental intelectual, capaz de fazê-los
avançar e não apenas assumir tais informações como verdades absolutas, o
que se exerce pelo poder da crítica, que só a cultura humanística é
capaz de propiciar.
Por outro lado, numa
sociedade competitiva, injusta e solitária como humanizar o homem, sem
que tenha acesso à cultura "inútil", do ponto de vista capitalista, sem
desenvolver ou estimular a sensibilidade, advinda do convívio
enriquecedor com as artes.
Além disso, o governo Bill
Clinton está reduzindo drasticamente os programas de auxílio aos
desempregados, mães solteiras, imigrantes, como produto da visão de que
todos têm chances no mercado, bastando apenas esforço pessoal,
capacidade de iniciativa, espírito de empreendimento de cada um.
No Brasil, a situação não
é diferente, basta ver o que aconteceu com a nova Lei de Diretrizes e
Bases da educação brasileira, produto de amplos debates nacionais,
mutilada por forças conservadoras no que havia de maior interesse para a
classe trabalhadora: gratuidade do ensino em todos os níveis, autonomia
das universidades, melhores condições gerais para os professores, dentre
outros.
Ao longo deste trabalho,
procurou-se examinar como a educação se situa no espaço da transição do
Fordismo-Keynesiano para a acumulação flexível, globalizada.
O acesso ao conhecimento
científico, técnico, administrativo é fundamental ao desenvolvimento da
sociedade, só que a nenhum mercado é viável a distribuição democrática
de seus produtos, sob pena de deixar de ser mercado.
Ainda mais, todo mercado
tem de oferecer mercadorias de qualidade e preços diferenciados, para
atender a todos que o procuram, o que, na verdade, é indispensável para
sua manutenção e expansão. Cada um comprará o que lhe for possível, o
que não significa fazer escolhas. Pois não existe outras alternativas.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
APPLE, Michael W. O que
os pós-modernistas esquecem: capital cultural e conhecimento
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Uchoa & Pedro Celso Uchoa.Primeiro Cidadão, depois consumidor.
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FRIGOTTO, Gaudêncio.
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História da educação: da antiguidade aos nossos dias.(Tradução
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