Nas últimas semanas, um
fato monstruoso chocou a população brasileira: um grupo de jovens
bem-nascidos, de classe média, estudando em boas escolas, voltando da
“balada” resolveram se divertir espancando uma moça que estava no ponto de
ônibus em uma via principal do Rio de Janeiro.
Estes jovens não são
diferentes daqueles que atearam fogo nos indigentes que estavam dormindo na
rua, dos que arrastaram um menino pequeno, depois de roubarem o carro em que
estava a criança por sete quilômetros, e tantos outros que, entre “amigos’,
somam uma força devastadora que é capaz de tudo. Agora que força é essa?
Falta de limites, pouca
orientação e atenção dos pais, famílias desajustadas, maus exemplos,
ignorância dos problemas emocionais dos filhos, uso de drogas aliada a idéia
de que todos problemas dos jovens são provocados pela adolescência, somam as
condições ideais para que problemas graves se manifestem em ações violentas.
Muitos pais têm
dificuldade de dar limites a seus filhos, de dizer não, de fazê-lo ouvir, de
agüentar suas reações, de suportar suas impertinências, de se impor, de
assumir que precisam de ajuda e acabam delegando essa função para a escola
ou mesmo deixam o jovem caminhar sozinho.
Na adolescência, os jovens
devem exercitar os seus conceitos, suas perspectivas de mundo, suas idéias,
suas dimensões de limite, convivências, atitudes, sua força física e
emocional, seus sentimentos, inteligência e seus papéis na sociedade.
Nessa fase todas as
descobertas são guiadas pelas bases construídas desde a infância que partem
da família, escola e amigos.
A personalidade de uma
pessoa é a soma de vários sistemas: físicos, fisiológicos, morais e
psíquicos que interagem determinando a forma como o indivíduo se adequa ao
meio em que vive. A personalidade é resultado de um processo gradual que
vai da infância até a vida adulta, sendo que seu exercício pode-se modificar
de acordo com o autoconhecimento.
Os transtornos de
personalidade se subdividem em várias classificações tais são as suas
variações, mas é sabido que esse tipo de patologia afeta o modo como
indivíduo vê o mundo, o comportamento social e a maneira como expressa as
emoções, ou seja, caracteriza um estilo mal adaptado, prejudicial,
inflexível que é capaz de comprometer toda uma existência.
Os jovens, na
adolescência, priorizam a inclusão nos grupos e é sabido que esses refletem
e representam escolhas ideológicas e afetivas.
Um jovem desajustado, com
uma personalidade comprometida não acorda de manhã dessa maneira, ele mostra
que não esta bem a seus pais durante toda a vida, com uma série de atitudes
que o denunciam. E porque os pais não enxergam?
É muito difícil para os
pais admitirem que seu filho tem problemas, pois estes problemas de alguma
maneira, refletem os conflitos emocionais e estruturais dos pais, mas os
adultos não são capazes de reconhecer seus problemas os dos filhos...
Os pais são responsáveis
pela omissão de cuidados a um filho comprometido psicologicamente, mas isso
não acontece de propósito. É resultado de uma conduta de desvalorização dos
problemas, ignorância, despreparo, além da possibilidade dos pais serem
desajustados.
A adolescência é um
período mágico, de descobertas importantes para a formação da personalidade
e a doença emocional pode fazer parte desse quadro dificultando ou
inviabilizando as experiências positivas desta fase. Os pais devem estar
atentos a seus filhos e precisam se certificar que eles estão bem, na
dúvida, existem profissionais habilitados a cooperarem e contribuirem nessa
tarefa tão difícil que é educar.