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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 02 de outubro de 2010 22:50:30                                               

 
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Reflexão

A Filosofia epicurista como negação da morte

   

Marcel Alcleante Alexandre de Sousa

publicado em 02/10/2010

 

Resumo

O presente trabalho pretende apresentar a concepção de morte para Epicuro. A abordagem se dá pela seguinte pergunta: a morte consiste em uma ausência de sensação? Diante disso, apresenta-se uma compreensão da idéia de morte no período helenístico e o que nos diz Epicuro acerca das sensações e da morte. Nesta pesquisa foram usadas as seguintes bibliografias: a Carta sobre a felicidade e a Carta a Heródoto. Concluímos que a morte priva as sensações, mas ela só acontece quanto os átomos leves se separam dos pesados.
 

Palavras- Chave: Epicuro, morte, sensação.
 

THE SECOND DEATH NIHILATION EPICURUS
 

Abstract

This paper intends to present the concept of death for Epicurus. The approach is given by the following question: the death is an absence of feeling? Given this, it presents an understanding of the idea of death in the Hellenistic period and what Epicurus tells us about the feelings and death. The present survey used the following bibliographies: the Charter on happiness and the Letter to Herodotus. We conclude that death deprives the sensations, but it only happens when the atoms are separated from the weight.
 

Key- words: Epicurus, death, sensation.
 


 

INTRODUÇÃO
 

Ao longo da história da filosofia, alguns teóricos pensaram acerca da morte. De certa forma diferenciam do conceito que poderíamos adquirir no senso comum. Percebe-se dentre eles que, “Marco Aurélio via a morte como um estado que não permitia nenhum homem tornar-se superior a outro homem. Ele dizia que perante a morte todos somos iguais” (ABBAGNANO, 1998, p. 683). “Wittgenstein ao se referir à morte, dizia que ela não se vive” (ABBAGNANO, 1998, p. 683). Já “Sartre, identificava a morte como uma facticidade, um fato puro” (ABBAGNANO, 1998, p. 683).

O interesse por pesquisar acerca da morte nasceu com a intenção de conhecer uma teoria. Aproximadamente, no século III ou IV a.C., do período helenístico, Epicuro disse que a morte só está quando sentimos e que a morte não deve ser temida. Logo, apesar de muitos filósofos terem falado da morte, a idéia de morte no filosofo de Samos despertou um valor investigativo. Pois, no período helenístico o medo da morte era exagerado, a vida naquele período era marcada por resquícios de uma educação clássica presa a mitos.

Então, a teoria de Epicuro sobre a morte é um tema que desperta um valor exploratório, porque suas idéias desmistificam aquilo que é causa de medo e que não está entre nós. Assim, ele nos permitirá sistematizar o conceito de morte.

A partir da consciência de morte que atualmente temos, notamos que antigamente não era muito diferente. Epicuro trabalhou em uma perspectiva de que ela não existe. Por este tema ser muito complexo, faremos uma análise da morte em um texto que, apesar de tão antigo, clareia filosoficamente a idéia de morte. Buscaremos compreender, a luz deste filósofo, o porquê temer algo que, tanto na contemporaneidade como na antiguidade, é causa de desespero.

Deu-se com a seguinte problemática: A morte em Epicuro consiste em uma ausência de sensação? Para ele a morte é explicada através de um jogo de palavras, a saber, “[...] quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos” (EPICURO, 2002, p. 29). Devido a isso, esta corrente filosófica prega que, enquanto a morte não está, ou não chega, devemos aproveitar a vida.

Ao referir-se a vida efêmera não admite uma vida desregrada. Mas, por a morte não influenciar na vida é necessário equilibrar-se no aspecto de não acrescentar dias até a chegada da morte e nem desejar a imortalidade, pois o que deve prevalecer é um equilíbrio constante da vida efêmera.

Epicuro fala da morte na Carta Sobre a Felicidade. Na carta deixa bem claro que a morte não existe e por não existir a vida deve ser aproveitada, ou seja, devemos pensar naquilo que esta ao nosso redor. Percebemos que, nesta obra não fica explícita como se dá o processo de morte, mas deixa claro que para eles ela não é causa de medo e, portanto, não existe. Mas, será que podemos dizer que a morte não existe? Como a morte acontece?

Então, o presente trabalho tem como objetivo compreender o que Epicuro nos diz sobre a morte em uma perspectiva que proporcione uma reflexão sistemática, a qual possa contribuir para um conhecimento claro sobre a temática morte e a concepção de morte neste pensador.

Procuramos realizar isso a partir de uma analise da consciência da morte no período helenístico, através de uma descrição acerca das sensações e um esclarecimento sobre a morte. Realizaram-se através de pesquisas bibliográficas. Das obras do filosofo Epicuro: Carta sobre a felicidade e a Carta a Heródoto e alguns comentadores, dentre eles, Laêrcios, Reale, Russell, Magee...



 



 

A MORTE NO PERÍODO HELENÍSTICO



 

No período helenístico percebe-se que a idéia de morte é um resquício tanto da cultura clássica como das invasões dos povos bárbaros ou das conquistas realizadas no período ativo de Alexandre Magno. Durante este período acontece um desmoronamento, uma fuga das condições políticas cultivadas por Platão e Aristóteles, ou seja, suas idéias de ser cidadão apenas da pólis foram substituídas pela idéia de ser cidadão do mundo. Durante este período o mundo grego foi descentralizado, pois se reelaborou uma nova visão de mundo. E por ter acontecido uma nova visão de mundo, o povo grego conheceu e sofreu algumas influencias.

A revolução a que estamos mencionando tem um caráter muito importante para acabar com as propostas dos clássicos a respeito da concepção de cidadão que tinham. É muito importante entendermos que os gregos tinham entre si certa homogeneidade. Consideravam as pessoas que não pertencessem a sua cultura como povos bárbaros. Interpretamos que, um dos objetivos que Alexandre Magno queria, seria tornar os povos em um povo. Daí, notamos que, a partir desse objetivo e com a relação das conquistas;



 

A influência da religião e das superstições não gregas no mundo helenístico foi em grande parte perniciosa, mas não de todo. [...] Infelizmente, foram os babilônios, ou os caldeus, os que mais impressionaram a imaginação dos gregos (RUSSELL, 1977, p. 258).



 

Segundo Russell, no período helenístico, notifica-se que as superstições gregas, foram influenciadas em parte pelos povos bárbaros. Essas influências foram perigosas, no aspecto de que, a imaginação dos gregos se tornou supersticiosas. E este aspecto pode ser identificado no medo da morte e dos deuses. Estas perturbações se fortaleceram com a mitologia dos gregos e das superstições adquiridas através dos bárbaros.

Nesta perspectiva podemos perceber que a política, a fobia a morte e aos deuses, tornou o povo grego inquieto. Não tinham a paz. Por isso, a perturbação ao qual estavam submetidos os tornava homens infelizes. “[...] a polis está arruinada e o homem se vê perdido em um imenso universo político, ele não pode atingir a felicidade senão apoiando-se em suas próprias forças e recolhendo-se em si mesmo” (MONDIN, 1981, p. 108).

Em meio a todo este drama em que os homens se encontravam arruinados em um universo político, sem serem felizes, surge algumas corretes filosóficas que tinham como objetivo libertar o homem decaído dos males advindos pela política e pelo medo da morte e dos deuses. As novas filosofias ajudaram o homem a olhar para si próprio. Dentre estas escolas, surgiu o pensamento epicurista. “Seu objetivo acima de tudo era libertar as pessoas do medo, não só da morte, mas do medo da vida” (MAGEE, 1999, p.44). Com Epicuro1 os homens (escravos, homens, mulheres...) tinham a oportunidade de cuidar da própria alma. Mas, para isso era preciso livrar-se da fobia. Os epicuristas pregavam afobia e ataraxia2.

Para Epicuro o homem só encontrava felicidade quando estivesse liberto do medo. Por isso escreve algumas cartas que permitem a seus leitores refletirem acerca da felicidade, da morte etc.



 



 

AS SENSAÇÕES PARA EPICURO



 



 

Tendo em vista que, para Epicuro, um dos critérios de verdade são as sensações, notamos que em sua perspectiva ela “[...] é a - racional e desprovida de memória, não se autroproduz, mas é produzida por outro [...]” (REALE, 1994, p.160, grifo do autor). A sensação é formada. Esta formação acontece do exterior para o interior, interior para o exterior, ou seja, ela é passiva. Por isso, tem um caráter verdadeiro. Podemos perceber que,



 

[...] a sensação é objetiva e verdadeira porque, em última análise, é produzida e, portanto, garantida pela própria estrutura atômica da realidade. [...] a objetividade das sensações é absoluta, porque elas podem produzir-se somente se, quando e do modo como os simulacros entram em nós. [...] Afastando-se das coisas, os simulacros alteram-se e a sensação revela-se sempre e somente do modo como eles alcançam os sentidos: o simulacro do objeto próximo é efetivamente diferente do simulacro do objeto distante, de modo que aquilo que, segundo alguns, é um engano dos sentidos é, ao invés, uma prova da sua objetividade (REALE, 1994, p.160, grifo do autor).



 

Devemos entender que as sensações são produzidas a partir do contato com algo real. A realidade recebida chega até nossa mente pelas afecções. Entendemos que o que ela capta é verdadeiro, mas as imagens podem ser falsas. O grande perigo não está nas sensações, mas nas imagens que passam pelo sentido e a forma a qual são interpretadas. O problema gnosiológico, segundo Epicuro, por início, está nas sensações e em seguida nas afecções, porque o resultado de todo este processo está na opinião acerca do que foi apresentada pelas sensações a mente.

Podemos dizer que a objetividade das sensações faz com que o homem produza em seus sentidos tudo que entram através dos simulacros. Os simulacros carregando as sensações verdadeiras fazem-nas alcançar os sentidos. Entendemos que só existem sensações a partir do instante que, através dos simulacros, as imagens penetram nos nossos sentidos. Penetradas, as imagens, poderão ser falsas podendo prejudicar o homem através de concepções que, em diversos casos, não podem ser admitidas como verdadeiras. Absorvidas pelas sensações as prolépsis representam e presentificam aquilo que a sensação absorveu, voltando através do instante em que são chamadas. “[...] todas as nossas noções derivam das sensações, seja por incidência, ou por analogia, ou por semelhança, ou por união com certa colaboração também do raciocínio” (LAÊRCIOS, 1998, p. 290).

Isto significa que, se temos medo da morte, não é por algo que nasceu com o ser humano, mas que ao longo da história, recebeu, ou melhor, adquiriu. As noções adquiridas acerca da morte foram noções mitológicas de que a morte é algo terrível, mas como esta proposição pode ser verdadeira se tudo o que podemos afirmar é sobre aquilo que vivenciamos? Por isso, a questão da morte, nesta circunstância não deveria ser passada pelos sentidos, porque ela não é real. Segundo Epicuro, ela não existe.

Então, “Devemos também ter em mente que é pela penetração em nós de qualquer coisa vinda de fora que vemos as figuras das coisas e fazemos delas objeto de nosso pensamento” (LAÊRCIOS, 1998, p. 294). Nisto podemos perceber que, quando as figuras que estão a nossa volta, não são absorvidas nos priva de algo. Então viver a sensação da morte estando vivo é privar as sensações de sentir aquilo que lhe é próprio, no caso, qualquer coisa vinda de fora, ou seja, as figuras as quais fazemos delas nossos pensamentos. As sensações devem favorecer ao pensamento vivenciar o que é real e não deveria ser a morte, porque ela não é real. Ao redor do ser humano há coisas significantes que devem ser vivenciadas e que estão presentes.



 

Tudo isso é evidenciado pelas faculdades da alma e pelos sentimentos, e pela mobilidade da mente e pelos pensamentos e por tudo aquilo cuja perda causa morte. Devemos ainda considerar que a alma desempenha o papel mais importante na sensação (LAÊRCIOS, 1998, p. 298).



 

É interessante notar que a sensação tem por objetivo vivenciar aquilo que a rodeia, viver seria estar com a sensação ativa. Mas, quando a sensação não leva à mente aquilo que está a sua volta, ela deixa de viver todas as imagens necessárias para o funcionamento gnosiológico da mente. Implica que, viver a morte é privar a sensação de sentir. Se a sensação não sente, logo o ser humano não vive. Com isso, podemos dizer que, quando isso acontece alguma coisa está errada no ser humano. O erro é que a presença inadequada da morte ou do medo da morte faz com que a sensação deixe de considerar tudo que está a sua volta.



 



 

A MORTE PARA EPICURO



 



 

Epicuro quando escreve a Meneceu fala para ele que a morte não é nada. Mas, por que não é nada? O que Epicuro quer dizer com o nada? Como poderíamos definir isso? Os epicuristas não se preocupavam com a morte, aproveitam a vida efêmera. Ela, a morte, priva a sensação. Para Epicuro a sensação é a responsável pela presença ou pela ausência da morte. A sensação para Epicuro é tida como algo significativo e que a compreendendo, compreende-se a morte. Usa a sensação como um fator importante e desmitificar do medo de morte.

Eles consideravam o deixar de viver algo normal, que faz parte da matéria viva e deixar de viver não seria algo inédito. Por isso, por que temer a morte? Se o mais importante é viver e viver o presente. É um “tolo quem diz temer a morte” (EPICURO, 2002, p. 27). Para o filosofo, a morte, apesar de ser tão temida, deve ser superada sabiamente. Só quem é sábio, consegue perceber isso. Ressaltamos que, está na sensação a maior contribuição para que a morte, mesmo estando ausente, esteja presente. Nisto percebemos que o ser humano erra presentificando algo que ainda não chegou.

É interessante percebermos que na Carta sobre a Felicidade o filosofo quer esclarecer que o homem não pode deixar de aproveitar a vida por causa do medo. Consequentemente, a espera de algo que não temos hora nem dia para recebermos, torna alguém infeliz, privando o ser humano de viver sua própria vida não gozando aquilo que tem direito. Pois, o presente deve ser vivido e não reprimido. Nisso, notamos que a sensação da morte impede que o homem tenha a consciência de viver o presente, ela impede que haja um aproveitamento daquilo que se tem, ou seja, a efemeridade. Por isso, “aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado” (EPICURO, 2002, p. 29). O esperado ainda não existe, a não ser a sensação do irreal, daquilo que aflige. Logo, a aflição torna-se um mal, mas um mal produzido por nós mesmos quando tornamos real o que não é real.

Vale ressaltar que o esperado atrapalha aquilo que era para estar sendo vivido, viver aquilo que não existe não é agir sabiamente. Então, sua discussão acerca da morte faz-nos pensar que o hoje, por ser encarada como uma vida passageira deve ser vista como um momento oportuno, ou seja, o presente tem que acontecer. Não é bom, nem sábio estar no presente e viver o futuro. Existe tempo para tudo, logo não há por que temer o que não existe.



 

Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos abrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais (EPICURO, 2002, p.33).



 

Por não sermos obrigados, segundo Epicuro, a esperarmos o futuro, não há razão por que não aproveitar a vida. O importante é saber aproveitar aquilo que temos, ou seja, o futuro que não é nem totalmente nosso, nem não nosso, deve ser encarado filosoficamente. Usando minha inteligência, não acrescentarei dias à morte, mesmo estando vivo. Nem desejarei ser imortal. Saberei lidar equilibradamente com a sensação. Esclareceu para Meneceu que todo bem ou mal está nas sensações.



 

Acostuma-te à idéia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade (EPICURO, 2002, p.27).



 

A morte não é nada, porque ela não existe. Ela só existe, segundo o helenista, quando nós não estamos. Por este motivo, é nas sensações que encontramos a presença inadequada da morte, ou seja, o mal que foi ou é cultivado em nós, como os falsos juízos e as afirmações, permitem temos uma concepção não justa para aquilo que é causa de medo. A filosofia materialista do filósofo nos permite entendermos claramente que a vida efêmera faz parte da vida do sábio, que, por ser sábio, não teme a morte.

Ao conceituar que a morte é a privação das sensações, entendemos que pensar na morte e encerrar as sensações e se as sensações estão acabadas o ser humano não pode perceber o que lhe rodeia. É obvio que, na perspectiva epicurista, as minhas sensações devem estar voltadas para o presente. É a sensação que me permite desfrutar, gozar aquilo que está a cerca de mim, fazendo com que eu não encare aquilo que ainda não chegou. Então, a sensação me priva de pensar na morte, como também me permite viver algo que não era para ser vivido. Assim, quando vivo a morte não sinto o que me rodeia e torno-me infeliz. Portanto, “a libertação do medo de morte é alcançada quando se percebe que enquanto se vive se tem a sensação da morte e quando se está morto não se tem sensação alguma” (MORA, 2001, p. 848-849).

Até aqui conseguimos mostrar que a idéia de Epicuro sobre a morte é muito complexa, pois ele desenvolveu uma teoria atômica muito importante. Na interpretação de Mondin conseguimos compreender melhor a morte. Para este, compreende-se da seguinte forma:



 

Os deuses são constituídos de átomos sutis e redondos; habitam nos intermúndios, espaços vazios entre os corpos celestes; passam a vida feliz sem se interessarem pelos homens, comendo e bebendo. O homem é feito de átomos pesados (o corpo) e de átomos leves (a alma). Ele morre quando os átomos leves se separam dos pesados (MONDIN, 1981, p.115, grifo do autor).



 

Nossa investigação sobre o que Epicuro diz sobre a morte concretiza-se com os átomos, ou seja, a morte em sentido real não acontece com a sensação, mas com a separação dos átomos leves dos pesados. Entendemos esse fato, tendo em mente um ser formado de um corpo e de uma alma e a única forma de sua exterminação é a separação dessa união, pois, para Epicuro, o ser humano é formado de átomos leves e pesado.

Esse sentimento filosófico de que a morte não é nada tem características ataráxica e afóbica, ou seja, não há temor, inquietude acerca de algo que não existe. Por não existir não há razão para ser sentida, nem temida. O que realmente pode nos tirar a vida é a separação dos átomos leves dos pesados e nada mais.



 



 

CONSIDERAÇÕES FINAIS



 



 

Percebemos que durante o período helenístico a idéia de morte foi mal interpretada por diversas circunstancias, dentre elas as invasões bárbaras, o contato com outras culturas. Com isso, os gregos sofreram influencias supersticiosas.

Neste mesmo período surgiram diversas escolas filosóficas, por exemplo, a epicurista, cujo fundador Epicuro falou sobre a morte como uma privação das sensações e a sensação como privação da morte. Este jogo de palavras se remete a uma única coisa, a saber, a morte encerra as sensações. Isso acontece por que a partir do momento em que deixo de sentir o que está a minha volta e penso na morte ou a espero, acabo com as sensações. Logo, com a sensação ativada a morte não existe. Sem a sensação a morte existe.

A partir desta conclusão podemos ressaltar que a morte, para Epicuro, só acontece quando há uma separação dos átomos leves dos pesados. Mas, se a morte acontece dessa forma, será que não poderíamos deixar de nos preocupar com a morte?



 


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


 


 

ABBAGNANO, N. Morte. In: ____. Dicionário de filosofia. Tradução de Alfredo Bosi. 2 ed. São Paulo, Martins fontes, 1998, p. 683 – 685.


 



 

EPICURO. Carta sobre a felicidade: A Meneceu. Tradução e apresentação de Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore. São Paulo, UNESP, 2002.


 



 

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. Epicuro e a fundação do Jardim (képos). In:___. História da filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo, Paulinas, 1990. (Coleção filosofia, v. 1).


 



 

REALE, Giovanni. A polêmica de Epicuro contra Platão e Aristóteles. In: __. História da filosofia antiga: Os sistemas da era helenística. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo, Loyola, 1994, p. 141-154. (Série história da filosofia, V. III).


 



 

_______________ . A canônica Epicurista. In: __. História da filosofia antiga: Os sistemas da era helenística. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo, Loyola, 1994, p. 156-169. (Série história da filosofia, V. III).


 



 

LAÊRCIOS, Diógenes. Livro X. In: ___. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Tradução de Mário da Gama Kury. 2 ed. Brasília, Universidade de Brasília, 1998, p. 233 – 321.


 



 

MAGEE, Bryan. Os Epicuristas. In: __. História da filosofia. Tradução de Marcos Bagno. 2 ed. São Paulo, Loyola, 1999, p. 44-45.


 



 

MONDIN, Batista. A filosofia helenística. In: __. Curso de filosofia: Os filósofos do ocidente. Tradução de Bênoni Lemos. Revisado por João Bosco de Lavor Medeiros. 8 ed. São Paulo, Paulus, 1981, p. 107-119.


 



 

MORA, J. F. Epicuro. In: ___. Dicionário de filosofia: Tomo II (E-I). São Paulo, Loyola, 2001, p. 848 – 850.



 


 

RUSSELL, Bertrand. O mundo Helenístico. In: __. História da filosofia ocidental. Tradução de Brenno Silveira. 3 ed. São Paulo, Companhia Nacional, 1997, p. 249-260. (Volume, 1).


 


 

SOUSA, Marcel Alcleante Alexandre de. A FILOSOFIA EPICURISTA COMO NEGAÇÃO DA MORTE. P@rtes.

Acadêmico do curso de Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.

E-mail: marcelalcleante@yahoo.com.br.

1 Epicuro nasceu em 341 e morreu em 271 a.C.. Foi criado em Samos. Seu pai chamava-se Neoclés e sua mãe Cairestrate e eram atenienses. Aos 14 anos de idade, Epicuro, iniciou seus estudos com o platônico Pânfilo. Ele estudou, também, com Nausífanes que era atomista. Passou por Colafônia, Mitilene e Lâmpsaco. Em Atenas fundou o “Jardim”. Produziu inúmeras obras, dentre elas três cartas: a Meneceu; a Heródoto e a Pitocles, máximas e sentenças ontológicas. Sua filosofia teve grande importância no período helenístico, pois era um pensamento que tinha como objetivos livrar os homens do medo da morte e dos deuses.

2 O termo afobia era usado para dizer que os epicuristas se ausentavam do temor, do medo. A ataraxia, também de origem grega era usada para se referir à ausência do medo de. Foi um termo muito usado pelos atomistas, epicuristas, estóicos e céticos.


 

 
  

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