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GEOGRAFIA E AMBIENTE
EMPRESARIAL CONTEMPORÂNEO: O CASO DAS RELAÇÕES DE COOPERAÇÃO NO
ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DO TRICOT DE IMBITUVA-PR
Zaqueu
Luiz Bobato
Roberto
França da Silva Junior
Resumo
O presente artigo aborda as relações de cooperação que se
evidenciam no Arranjo Produtivo Local (APL) do tricot de
Imbituva, uma pequena cidade paranaense. Para tanto, será levado
em consideração os processos característicos da atual fase do
sistema capitalista, onde as redes assumem crucial importância,
dando diversas formas ao território.
Palavras-chave:
APL,
cooperação, redes, território.
Resumen
Este artículo analiza
las
relaciones de cooperación
que son evidentes en
el Arreglo
Productivo Local
(APL)
del
tricot/
tejido de punto
de
Imbituva,
una pequeña
ciudad del
Paraná.
Para ello,
se tendrán
en
cuenta las características
de
los
procesos de
la fase actual
del sistema
capitalista,
donde la importancia de
las redes
es crucial,
dando
diversas/
distintas formas
en el territorio.
Palabras-clave:
APL, la cooperación, la creación de redes/ las redes, el
territorio.
Introdução
Imbituva foi estabelecida pelo Instituto paranaense de
desenvolvimento econômico e social (Ipardes) como uma das
cidades do Paraná que possui Arranjo Produtivo Local (APL), por
historicamente ter se especializado no ramo do tricot. Em 2009,
Imbituva contava com uma concentração espacial de 40 empresas
sendo coordenada pela Associação das Malharias de Imbituva (Imbitumalhas),
uma instituição fundada em 1987 com o objetivo de consolidar
ações de cooperação entre seus membros, assim como, promover a
Feira de malhas de tricot de Imbituva (Femai). Para o Ipardes
(2006, p.8), um Arranjo Produtivo Local, “pode ser definido como
um aglomerado de agentes econômicos, políticos e sociais que
operam em atividades correlatas, estão localizados em um mesmo
território e apresentam vínculos de articulação, interação,
cooperação e aprendizagem”.
Em meio as peculiaridades existentes no APL em questão,
observa-se a falta de cooperação como um dos principais entraves
ao desenvolvimento do ramo. Portanto, pensando as relações de
cooperação acredita-se que estas podem ser realizadas de forma
articulada no território, ou seja, em redes, pois esta
característica vem assumindo crucial importância nos diversos
compartimentos do espaço geográfico em sua totalidade.
Materiais
e Métodos
Para a elaboração deste artigo foi necessário a realização de
pesquisa bibliográfica em bibliotecas convencionais, bibliotecas
virtuais de instituições de ensino superior e em sites de
instituições de pesquisas. Além da pesquisa bibliográfica fora
realizado trabalhos de campo para observação, dados, e,
informações, através da observação e aplicação de questionários.
Clarifica-se que o método que dá suporte ao presente artigo é o
dialético, pois este permite entender melhor a problemática da
pesquisa, haja vista que as contradições existentes no âmbito do
setor, bem como, a dinâmica dos fatos expressos em uma
totalidade (contexto histórico, social, político e econômico),
dão impulso a esta pesquisa.
As redes
de cooperação em um cenário de intensa globalização
As relações que se delineiam no espaço territorializado pelos
empresários que confeccionam roupas de tricot são bastante
complexas. Com efeito, propõe-se aqui discutir as relações de
cooperação entre as empresas do setor, tendo em vista que nas
últimas décadas do século XX, o ambiente empresarial vem
enfrentando profundas transformações e reestruturações
produtivas que são decorrentes de um conjunto de transformações
técnicas, políticas e econômicas. Percebe-se assim, que a
dinâmica competitiva está cada vez mais intensa e veloz. Os
paradigmas de aprendizagem coletiva, cooperação e dinâmica
inovativa das empresas são relevantes para compreender os novos
desafios do capitalismo no período da globalização. Ressalta-se
que com as transformações em curso, faz-se necessário que as
empresas do segmento do tricot de Imbituva se articulem e
estabeleçam cooperação entre si, uma vez que a cooperação
gera vantagens competitivas.
Segundo Cezarino e Campomar (2006), na atual fase do sistema
capitalista, marcado pela crescente globalização da economia, as
micro, pequenas e médias empresas sofrem impactos ainda mais
intensos. Sendo assim, torna-se condição sine qua non que
estas se organizem, a fim de desenvolverem trabalho cooperado.
De acordo com Lundvall (1988, apud CEZARINO e CAMPOMAR, 2006),
as empresas conseguem ser competitivas através de interações com
outras firmas. Enfim, a articulação de empresas em redes
possibilita um ambiente inovador, aonde as informações, trocas
de experiências, fluem de forma mais intensa, gerando benefícios
coletivos que refletirão em desenvolvimento para o empresariado.
Na ciência geográfica compreender a noção de redes
é importante, pois, o espaço geográfico comporta diversas formas
de organização que foram e vêm sendo adotados pelos mais
diversos atores sociais. As redes são formas expressas, que
representam uma articulação territorial. Na atual fase do
sistema capitalista as redes assumiram as mais variadas formas
constituindo-se de uma materialidade e uma vasta imaterialidade.
De acordo com Santos (2006), as redes, em muitos casos, são
abstrações.
Para Thesing ([2005?], p. 5):
Uma das
novas tendências que vem conquistando um espaço privilegiado no
processo de reestruturação empresarial é a que diz respeito a um
novo processo associativo, intra e interempresariais. Empresas
associam-se formando redes de cooperação, com a finalidade de
promover a modernização tecnológica e gerencial, através de
investimentos compartilhados e ações de cooperação (...).
Para
Carrão ([2002?] p. 3) as redes de cooperação:
(...) são
estruturas resultantes do relacionamento cooperado entre
empresas, com ênfase no enfoque coletivo. Consideradas entidades
complexas, são uma configuração particular de organização cujos
membros têm sua autonomia respeitada, ainda que ligados por
objetivos comuns.
Com base em Carrão, conceitua-se no presente artigo uma rede de
cooperação, sendo um modelo de organização e articulação, que
propicia desenvolvimento, processos de aprendizagem coletiva,
permitindo a geração de outros benefícios como: ampliação de
mercados, e, o próprio fortalecimento do processo de inovação.
Segundo Thesing ([2005?] p. 6):
(...)
formação de redes é uma forma de as empresas se organizarem para
competirem em escala local, regional e global, sem terem que
arcar sozinhas com os custos e investimentos, as incertezas e
riscos, presentes no movimento de globalização da economia
(...).
Pode-se dizer que a articulação em redes possibilita obter
soluções coletivas, que se fossem tomadas isoladamente seriam
impossíveis. De acordo com
informações disponibilizadas na secretaria da Imbitumalhas, no
ano de 2008 os empresários do ramo se articularam, e juntos
realizaram compras de matérias-primas. Através de uma rede de
cooperação, os empresários conseguiram fazer compras a menores
preços, ocasionando um ganho coletivo. As empresas que aderiram
a Central de Negócios (CN) para realizarem as compras, obtiveram
maior ganho se comparadas com aquelas que optaram por realizarem
as compras individualmente.
Ariel Neiverth, empresário do ramo e coordenador do “Projeto APL
Imbituva”, em entrevista realizada no mês de maio de 2009,
relatou que a CN evidenciou as vantagens que se tem das empresas
trabalharem de forma cooperada, pois, a compra por meio da CN,
possibilitou ganhos coletivos. Com a união de parte do
empresariado, as empresas ganharam “poder de barganha” frente
aos vendedores de matérias-primas, obtendo descontos. Esse ganho
na compra de matérias-primas refletiu no barateamento das peças
confeccionadas.
Considerações finais
Apesar de serem identificadas algumas relações de cooperação
dentro do circuito das empresas do tricot de Imbituva, ficou
nítido que a implantação de relações de cooperação é difícil de
ser assimilada pelo empresariado local do ramo em questão. Para
haver um maior fortalecimento do circuito, será necessário
empreender contínuos esforços para a implantação de redes de
cooperação entre as empresas. Para maior fomento à cooperação
empresarial, é preciso também, maior participação da esfera
pública, assim como, da própria Imbitumalhas.
Referências
CEZARINO, L. O.; CAMPOMAR, M. C. Vantagem competitiva para
micro, pequenas e médias empresas: clusters e APLs. 2006.
CARRÃO, A.
M. R. A cooperação empresarial como fator de fortalecimento
das empresas de pequeno porte.
PhD.
UNIMEP, [2002?].
IPARDES.
Identificação, caracterização, construção de tipologia e
apoio na formulação de políticas para arranjos produtivos locais
(APLS) do Estado do Paraná: Diretrizes para políticas
de apoio aos arranjos produtivos locais/ Instituto Paranaense de
Desenvolvimento Econômico e Social, Secretaria de Estado do
Planejamento e Coordenação Geral. - Curitiba: IPARDES, 2006.
SANTOS, M.
A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 4.
ed. 2. reimpr. - São Paulo: Editora da Universidade de São
Paulo, 2006.
THESING,
N. J. Redes de Cooperação: novas formas de pensar e agir.
2005.
Professor do departamento de Geografia da Universidade
Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), campus de Irati-Pr.
Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista
"Júlio de Mesquita Filho" (Unesp, Faculdade de Ciências e
Tecnologia) E-mail:
rofranssa@gmail.com.
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