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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 19 de março de 2008 21:52:58                                               

 
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Reflexão - Gestão Filosofal

Nietzche, o peixinho dourado e as pedras

   

Flávio Alexandre Cavalcante

publicado em 19/03/2008

 

Quantas vezes não nos autoflagelamos com planejamentos e memórias do que podia ser ou do que foi. Neste momento reflito sobre o tempo que perdemos com a história, regressão, a saudades sem cura, o planejamento estratégico e outros exercícios de adivinhação de uma futurologia qualquer. Repetimos, mesmo os conhecendo, erros de um passado simplesmente por supor que conosco, desta vez, será diferente e atribuímos isso à 'maravilhosa' fé que nos move e que permite sempre acreditar. A história é pontuada por oportunistas, no local certo e na hora exata, entretanto é necessário lembrar que em uma história o título é para os vencedores, as palavras para as várias versões da verdade e as notas de rodapé para os derrotados. Quantos "Josés" se perderam nos caminhos do tempo e nem ao menos são citados?

Os Seres Humanos tem a incrível habilidade para cometer os erros repetidamente, o que em minha opinião nos deixa subalternos aos animais, posto que as experiências Behavioristas de Skinner comprovaram que os animais se condicionam e nós dotados da incrível dádiva do raciocínio também optamos por periodicamente enfiar os dedos nas tomadas. Resgatamos fatos de relacionamentos antigos e reeditamos novas pessoas, comparamos para chegar a uma equação cartesiana em um campo completamente passional como o amor, criamos perfil para padronizar algo variável e mutante como o comportamento, criamos padrões medíocres (referentes à média) de comportamentos e julgamos os que não se enquadram punindo-os por serem singulares.

Eu quase fecho com Nietzche, que afirma serem felizes as vacas que não se preocupam com passado nem futuro. Entretanto Nietzche não entendia muito de animais e resolvi ajudá-lo um pouco, portanto felizes são os peixinhos dourados que tem memória de 15 segundos, afinal eles aprendem e esquecem para aprender novamente estando sempre repetindo a sensação maravilhosa da primeira vez. São felizes porque não carregam sobre os ombros as necessidades de melhorar o mundo, de escrever livros, plantar árvores, apenas a de ter filhos.

Não proponho esquecermos a racionalidade e simplesmente agirmos instintivamente e sim novamente balancearmos essa equação. Termos nossos momentos de peixinhos dourados sem colecionar mágoas, sem arquivar rancores, abandonando o xadrez da vida moderna e acima de tudo não buscando regras para o que nos surpreende pela imprevisibilidade, o amor. Nos fascinemos pelo novo sem temer aprender novamente, busquemos a singularidade, mas sem reprimir a diferença.

Sejamos peixinhos dourados para fazer sem esperar algo em troca, afinal daqui a 15 segundo tudo se vai e começará algo novo. Sejamos fiéis sem cobrar fidelidade, iniciemos tudo do zero sem pré-conceitos e acima de tudo lembre das pedras.

Elas estão aqui há milhares de anos, arquivam em si toda história do mundo e mesmo assim ninguém sabe a função delas na natureza e elas não estão nem se importando com isso, pois simplesmente elas são e não querem ser. Você ainda tem 14 segundos.

 
  

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::sobre o autor::

Flávio Alexandre Cavalcante.  Graduado em Administração de Empresa / Comércio Exterior em Brasilia (2002) e mestrado em Teatro e Educação pela UNIRIO(2007). Pós graduado em comércio Exterior, logística, Petróleo, Recursos Humanos, Marketing e docência superior. Atualmente é consultor sócio - Unitté Mentoring Consultoria, professor universitário.
Experiência na área de Administração, com ênfase em Mercadologia, Estratégia e Negociação, atuando principalmente nos seguintes temas: marketing, resultados organizacionais, estratégia gerencial e de marketing, Jogos Estratégicos e mensagens subliminares.
Palestrante, escritor e pesquisador. Assina também colunas em outras sites e jornais.
 

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