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A GUERRA FRIA E
AS TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Zaqueu
Luiz Bobato
Emerson
Rigoni
Resumo
O artigo em questão visa realizar uma abordagem reflexiva em
torno do contexto histórico e geográfico intitulado de “Guerra
Fria”, aonde as relações de poder entre Estados Unidos e União
Soviética se intensificaram a ponto de imprimirem profundas
transformações na economia, na política, na cultura de vários
países, enfim, na organização do espaço geográfico mundial.
Palavras-chave:
Guerra Fria, Espaço geográfico, poder
Resumen
El
artículo tiene por objeto
un enfoque reflexivo
de todo el contexto histórico y
geográfico titulado
"Guerra Fría",
donde las relaciones de poder
entre Estados Unidos
y la Unión Soviética se intensificó
hasta el punto de
imprimir cambios profundos en la
economía, la política, la cultura de
varios países, por
último, la organización del espacio
geográfico mundial.
Palavras clave:
Guerra Fría,
el espacio
geográfico,
el poder
Introdução
Os agentes humanos têm a capacidade de
produzirem o espaço geográfico caracterizando-o como sendo uma
“totalidade” complexa.
Quando falamos em produção do espaço,
quereremos explicitar que essa produção se dá não só no campo da
transformação da natureza, pensando pela via dos impactos
ambientais, poluição etc. Mas também, produção no sentido de
mudanças no campo da cultura, do estilo de vida, da economia,
das relações que se estabelecem entre os homens.
Os agentes humanos “agem” no espaço
geográfico movido por interesses distintos e muitas vezes
conflitantes, consequentemente produzem transformações no
espaço. A exemplo disso cita-se a rivalidade ocorrida entre
Estados Unidos e União Soviética durante o contexto histórico e
geográfico (1947-1989) conhecido pelo termo “Guerra Fria”. Em
tal contexto, o mundo portou profundas transformações, e estas
ocorreram nas mais diversas instâncias sejam no âmbito da
cultura, da economia, bem como, na organização de espaços
territoriais. Enfim, o espaço geográfico foi palco de inúmeras
divergências e por consequência transformação.
O CONTEXTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA GUERRA FRIA
Ao fim da segunda guerra mundial (1945), os
interesses conflitantes entre Estados Unidos e União Soviética,
cresceram cada vez mais. Tudo indicava que a qualquer momento
poderia ocorrer um confronto entre as duas potências. Ao ser
implantado o socialismo na Europa central e em outros países, os
Estados Unidos e os aliados Ocidentais começam a ver seus
interesses prejudicados. Passam a perder mercados compradores
para seus produtos, e assistem ao fortalecimento da União
Soviética, que vai se caracterizando como uma superpotência
rival, “a história desse período foi reunida sob um padrão único
pela situação internacional peculiar que o dominou até a queda
da URSS: o constante confronto das duas superpotências que
emergiram da Segunda Guerra Mundial na chamada Guerra Fria”
(HOBSBAWM, 1995, P. 223).
Para poder entender a Guerra Fria, é preciso
primeiramente compreender o que foi a Doutrina Truman. Em 12 de
abril de 1947, o presidente Truman dos Estados Unidos, anunciou
uma Doutrina elaborada por seu governo, que tinha como objetivo
frear o avanço e a expansão do socialismo no mundo. Se fosse
necessário os Estados Unidos enviariam tropas, forneceriam
armas, dinheiro munições, para os países que estivessem sendo
ameaçados pelo sistema socialista. Foi com o anúncio da Doutrina
Truman, que teve o início do período conhecido como Guerra Fria,
que durou 42 anos (1947-1989).
Pode-se entender a Guerra Fria como sendo um
confronto indireto entre Estados Unidos e União Soviética. Tal
confronto se caracterizou decorrente do fato de ambos
representarem formas diferentes de organização social, econômica
política e cultural. Portanto, foi um confronto entre duas
ideologias, de um lado capitalismo de outro socialismo. Vale
ressaltar que esse conflito ocorreu sem o uso de armamentos, o
que se tinha era um clima de constante pressão, alarmando a
população. O mundo estava em constante expectativa e
preocupação, a tensão era muito grande, ou seja, conforme
Robsbawm (1995, p. 224):
[...] a peculiaridade da Guerra Fria era a de
que, em termos objetivos, não existia perigo iminente de guerra
mundial. Mais que isso: apesar da retórica apocalíptica de ambos
os lados, mas sobretudo do lado America, os governos das duas
superpotências aceitaram a distribuição global de forças no fim
da Segunda Guerra Mundial, que equivalia a um equilíbrio de
poder desigual mas não contestado em sua essência.
Durante esse período a corrida armamentista
foi bastante intensa. É claro que desde 1940 Estados Unidos e
União Soviética detinham um poderio nuclear, mas, durante o
período Guerra Fria esse poderio se intensificou. Por trás de
toda essa corrida armamentista, existia um forte interesse
econômico dos Estados Unidos e das indústrias que produziam
armas, afinal, grandes somas de dinheiro estavam envolvidas.
Formaram-se os lobbies (grupos de pressão) para obterem maior
apoio, verbas do Congresso para serem aplicadas na produção de
armamentos e na corrida espacial. Essa fase segundo Vesentini
(2004) foi marcada pela constante emulação e ameaça entre as
duas grandes nações onde havia um estado de prontidão permanente
para a guerra e os inimigos bem definidos, com a estratégia de
espalhar tropas e mísseis por todo o mundo e em especial ao
redor deles.
Os Estados Unidos durante tal período
investiu maciçamente em armamentos e passou a deixar de lado as
questões sociais, assim como também a União Soviética,
descontentando grandes parcelas das populações de seus países.
Na década de 80 os Estados Unidos possuía um déficit público
enorme, e precisava ser diminuído. Entra em cena a política
neoliberal dos Estados Unidos (Ronald Reagan 1980-1988), que
consiste na elevação dos impostos e diminuição dos investimentos
sociais, resultando numa queda no nível de vida e aumento da
pobreza. Nas décadas de 60 70
80 a
União Soviética começa a dar sinais de esgotamento na sua
economia, faltavam produtos básicos para sua população, porém a
indústria militar e aeroespacial desenvolvia-se em ritmo
acelerado.
Considerações finais
A Guerra Fria
estimulou a corrida armamentista e espacial, como também o
desenvolvimento da tecnologia de ponta nos Estados Unidos e na
União Soviética. A partir de 1947 até 1989 podemos dizer que a
ordem mundial ficou bipolarizada. De um lado os Estados Unidos
representando o bloco capitalista, e do outro a União Soviética
representando o bloco socialista. Cumpre enfatizar que as
relações decorrentes de tal disputa de poder imprimiram graus de
produção no espaço, e este se deu em diferentes campos seja na
cultura, na economia, bem como na própria organização do espaço
mundial.
Conforme aponta Hein (2008), nesse período se estabilizou o
“equilíbrio de poder” internacional, deslocando as esferas de
choque para a oposição entre os dois sistemas, conformando os
conflitos e rivalidades da política mundial, forjou um novo
sistema internacional, cuja lógica articulou as relações entre
as nações, constitui-se num conflito ideológico que,
propagando-se através da mídia, atingiu culturalmente a
sociedade e sua conduta, forçou uma corrida armamentista, que
criou um complexo industrial militar continuamente produtivo,
que tendeu a buscar mercados nos conflitos convencionais
localizados do Terceiro Mundo, conseqüentemente, serviu como
elemento incentivador de tais conflitos e inaugurou a era
nuclear e a possibilidade de destruição global da humanidade.
REFERÊNCIAS
VESENTINI, Jose Willian.
Novas geopolíticas.
3ª Ed. São Paulo: Contexto, 2004.
HOBSBAWM, Eric.
Era dos Extremos: o
breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras,
1995.
HEIN, L. Lothar C.
Guerra Fria:
Conceitos e problemas. 15 set. 2008. Núcleo de Estudos
Contemporâneos. Disponível em
http://www.historia.uff.br/nec/sites/default/files/text10.pdf
Acesso em 01 dez. 2011.
Professor do Departamento de Geografia da Universidade
Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr.
Possui graduação em Geografia pela Unicentro e é
mestrando em Geografia “Gestão do Território” pela
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). E-mail:
zaqueudegeo@yahoo.com.br
Professor do Departamento de
Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro)
campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela
Unicentro e Mestrado em Geografia pela Universidade
Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
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