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ISSN 1678-8419                                                                                                           


 
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Reflexão
 
A Guerra Fria e as transformações no espaço geográfico
Por: Zaqueu Luiz Bobato e Emerson Rigoni
Em:  10/01/20121

                                                                 

   

 

A GUERRA FRIA E AS TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO

 

Zaqueu Luiz Bobato[1]

Emerson Rigoni[2]

Resumo

O artigo em questão visa realizar uma abordagem reflexiva em torno do contexto histórico e geográfico intitulado de “Guerra Fria”, aonde as relações de poder entre Estados Unidos e União Soviética se intensificaram a ponto de imprimirem profundas transformações na economia, na política, na cultura de vários países, enfim, na organização do espaço geográfico mundial. 

Palavras-chave: Guerra Fria, Espaço geográfico, poder

 

Resumen

El artículo tiene por objeto un enfoque reflexivo de todo el contexto histórico y geográfico titulado "Guerra Fría", donde las relaciones de poder entre Estados Unidos y la Unión Soviética se intensificó hasta el punto de imprimir cambios profundos en la economía, la política, la cultura de varios países, por último, la organización del espacio geográfico mundial. 

Palavras clave: Guerra Fría, el espacio geográfico, el poder

 

Introdução 

Os agentes humanos têm a capacidade de produzirem o espaço geográfico caracterizando-o como sendo uma “totalidade” complexa.

Quando falamos em produção do espaço, quereremos explicitar que essa produção se dá não só no campo da transformação da natureza, pensando pela via dos impactos ambientais, poluição etc. Mas também, produção no sentido de mudanças no campo da cultura, do estilo de vida, da economia, das relações que se estabelecem entre os homens.

Os agentes humanos “agem” no espaço geográfico movido por interesses distintos e muitas vezes conflitantes, consequentemente produzem transformações no espaço. A exemplo disso cita-se a rivalidade ocorrida entre Estados Unidos e União Soviética durante o contexto histórico e geográfico (1947-1989) conhecido pelo termo “Guerra Fria”. Em tal contexto, o mundo portou profundas transformações, e estas ocorreram nas mais diversas instâncias sejam no âmbito da cultura, da economia, bem como, na organização de espaços territoriais. Enfim, o espaço geográfico foi palco de inúmeras divergências e por consequência transformação.

 

O CONTEXTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA GUERRA FRIA 

Ao fim da segunda guerra mundial (1945), os interesses conflitantes entre Estados Unidos e União Soviética, cresceram cada vez mais. Tudo indicava que a qualquer momento poderia ocorrer um confronto entre as duas potências. Ao ser implantado o socialismo na Europa central e em outros países, os Estados Unidos e os aliados Ocidentais começam a ver seus interesses prejudicados. Passam a perder mercados compradores para seus produtos, e assistem ao fortalecimento da União Soviética, que vai se caracterizando como uma superpotência rival, “a história desse período foi reunida sob um padrão único pela situação internacional peculiar que o dominou até a queda da URSS: o constante confronto das duas superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial na chamada Guerra Fria” (HOBSBAWM, 1995, P. 223).

Para poder entender a Guerra Fria, é preciso primeiramente compreender o que foi a Doutrina Truman. Em 12 de abril de 1947, o presidente Truman dos Estados Unidos, anunciou uma Doutrina elaborada por seu governo, que tinha como objetivo frear o avanço e a expansão do socialismo no mundo. Se fosse necessário os Estados Unidos enviariam tropas, forneceriam armas, dinheiro munições, para os países que estivessem sendo ameaçados pelo sistema socialista. Foi com o anúncio da Doutrina Truman, que teve o início do período conhecido como Guerra Fria, que durou 42 anos (1947-1989).

Pode-se entender a Guerra Fria como sendo um confronto indireto entre Estados Unidos e União Soviética. Tal confronto se caracterizou decorrente do fato de ambos representarem formas diferentes de organização social, econômica política e cultural. Portanto, foi um confronto entre duas ideologias, de um lado capitalismo de outro socialismo. Vale ressaltar que esse conflito ocorreu sem o uso de armamentos, o que se tinha era um clima de constante pressão, alarmando a população. O mundo estava em constante expectativa e preocupação, a tensão era muito grande, ou seja, conforme Robsbawm (1995, p. 224):

 

[...] a peculiaridade da Guerra Fria era a de que, em termos objetivos, não existia perigo iminente de guerra mundial. Mais que isso: apesar da retórica apocalíptica de ambos os lados, mas sobretudo do lado America, os governos das duas superpotências aceitaram a distribuição global de forças no fim da Segunda Guerra Mundial, que equivalia a um equilíbrio de poder desigual mas não contestado em sua essência.

 

Durante esse período a corrida armamentista foi bastante intensa. É claro que desde 1940 Estados Unidos e União Soviética detinham um poderio nuclear, mas, durante o período Guerra Fria esse poderio se intensificou. Por trás de toda essa corrida armamentista, existia um forte interesse econômico dos Estados Unidos e das indústrias que produziam armas, afinal, grandes somas de dinheiro estavam envolvidas. Formaram-se os lobbies (grupos de pressão) para obterem maior apoio, verbas do Congresso para serem aplicadas na produção de armamentos e na corrida espacial. Essa fase segundo Vesentini (2004) foi marcada pela constante emulação e ameaça entre as duas grandes nações onde havia um estado de prontidão permanente para a guerra e os inimigos bem definidos, com a estratégia de espalhar tropas e mísseis por todo o mundo e em especial ao redor deles.

Os Estados Unidos durante tal período investiu maciçamente em armamentos e passou a deixar de lado as questões sociais, assim como também a União Soviética, descontentando grandes parcelas das populações de seus países.

Na década de 80 os Estados Unidos possuía um déficit público enorme, e precisava ser diminuído. Entra em cena a política neoliberal dos Estados Unidos (Ronald Reagan 1980-1988), que consiste na elevação dos impostos e diminuição dos investimentos sociais, resultando numa queda no nível de vida e aumento da pobreza. Nas décadas de 60 70 80 a União Soviética começa a dar sinais de esgotamento na sua economia, faltavam produtos básicos para sua população, porém a indústria militar e aeroespacial desenvolvia-se em ritmo acelerado.

 

Considerações finais 

A Guerra Fria estimulou a corrida armamentista e espacial, como também o desenvolvimento da tecnologia de ponta nos Estados Unidos e na União Soviética. A partir de 1947 até 1989 podemos dizer que a ordem mundial ficou bipolarizada. De um lado os Estados Unidos representando o bloco capitalista, e do outro a União Soviética representando o bloco socialista. Cumpre enfatizar que as relações decorrentes de tal disputa de poder imprimiram graus de produção no espaço, e este se deu em diferentes campos seja na cultura, na economia, bem como na própria organização do espaço mundial.

 

Conforme aponta Hein (2008), nesse período se estabilizou o “equilíbrio de poder” internacional, deslocando as esferas de choque para a oposição entre os dois sistemas, conformando os conflitos e rivalidades da política mundial, forjou um novo sistema internacional, cuja lógica articulou as relações entre as nações, constitui-se num conflito ideológico que, propagando-se através da mídia, atingiu culturalmente a sociedade e sua conduta, forçou uma corrida armamentista, que criou um complexo industrial militar continuamente produtivo, que tendeu a buscar mercados nos conflitos convencionais localizados do Terceiro Mundo, conseqüentemente, serviu como elemento incentivador de tais conflitos e inaugurou a era nuclear e a possibilidade de destruição global da humanidade.  

 

REFERÊNCIAS 

VESENTINI, Jose Willian. Novas geopolíticas. 3ª Ed. São Paulo: Contexto, 2004. 

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 

HEIN, L. Lothar C. Guerra Fria: Conceitos e problemas. 15 set. 2008. Núcleo de Estudos Contemporâneos. Disponível em http://www.historia.uff.br/nec/sites/default/files/text10.pdf Acesso em 01 dez. 2011.



[1]  Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela Unicentro e é mestrando em Geografia “Gestão do Território” pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

 

[2] Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela Unicentro e Mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

 

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Zaqueu Luiz Bobato

Zaqueu Luiz Bobato é professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela Unicentro e é mestrando em Geografia “Gestão do Território” pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

Emerson Rigoni

Emerson Rigoni é professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) campus de Irati-Pr. Possui graduação em Geografia pela Unicentro e Mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

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