.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 05/04/2008 21:58:40 

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Humildade em 2006
Por
Carolina de Aguiar Teixeira Mendes

 

Passei boa parte da minha vida ouvindo meus pais dizerem “seja mais humilde”. Na época, não compreendia o que eles queriam dizer, pois, pelo meu entendimento, humildade estaria relacionada à não-discriminação, ser gentil desde porteiros às pessoas socialmente consideradas importantes.

Mas eles insistiam que eu deveria ser mais humilde e percebi que podia estar errada em meus conceitos, faltava alguma coisa. Foi aí que comecei a pesquisar a fundo o que realmente seria essa qualidade. Descobri que ela se desdobra em vários comportamentos e aquele meu primeiro conceito era somente um deles.

Não sou religiosa, embora batizada na igreja Católica. Tenho minhas próprias crenças que se formaram após estudos sobre as mais diversas religiões. Digo me considerar uma pessoa espiritualizada.

Após anos de questionamentos quanto à vida, ao mundo, à humanidade, à psicologia e tantos outros, descobri algo que para milhares de pessoas creio não ser novidade: o maior exemplo de humildade é Jesus. Porém, há grande diferença em saber e agir conforme tal entendimento.

Às vezes, quando não tenho certeza sobre como agir, penso em como Jesus agiria naquela situação. Não sou perfeita, mas tento o meu melhor.

Humilde é aquele que não se acha – e não sabe ser -- auto-suficiente a ponto de tornar-se uma ilha (voluntária ou involuntariamente). Todos dependemos de relacionamentos saudáveis e esta dependência nos torna fortes e também saudáveis. Compartilhar nosso dia-a-dia, nossas alegrias e tristezas, não guardar as coisas para si... isso sim é ser humilde.

Humilde é aquele que consegue diferenciar o agir como criança e o ser infantil; aquele que não julga aos outros; perdoa ao próximo, mas, principalmente, a si mesmo; não se prende a dogmas e está sempre aberto a novas crenças; se esforça para conhecer a si mesmo; compreende que se acreditarmos ser superiores aos outros significa que, no fundo, temos medo de sermos inferiores; compreende mesmo àquele ao qual não gosta; confia; e  também o é aquele que ouve mais do que fala.

Nessa era da comunicação as pessoas estão mais instigadas a falar e, na correria do cotidiano, nem prestam atenção no que o outro está dizendo. Isto é muito grave porque gera má comunicação, uma das chaves para a destruição dos relacionamentos. É irônico que, na era da comunicação, haja tanta má-comunicação.

Quando ouvimos de verdade, de coração, o que estão nos dizendo, aprendemos muito. Demonstrar o genuíno interesse pelo próximo me faz lembrar de Carlyle em algum livro que já li: "Robert Burns é mais nobre que toda nobreza da Inglaterra, porque consegue amar tudo - o rato, a margarida, todas as coisas grandes e pequenas que Deus fez. Assim, com este passaporte, Burns podia conversar com qualquer pessoa, visitar palácios e dormir em cabanas".

Interessar-se pelas pessoas é poder. Poder não é ser presidente ou rei, mas sim criar relacionamentos verdadeiros, criar laços, ouvir, ter interesse pelo próximo. “Daí a César o que é de César”, disse Jesus Cristo. César queria o poder sobre as pessoas, o qual desapareceria quando ele morresse. Mas o verdadeiro poder é aquele que transcende a morte, aquele alcançado com as pessoas através de empatia e humildade.

Somos todos iguais. Quem acha que sabe muito, na realidade nada sabe. O humilde sabe que, quanto mais aprende, menos sabe.

Ontem, ainda, assisti o filme “Colateral”, com Jamie Foxx, em que seu personagem, Max, dizia que somos nada neste Universo cheio de estrelas. Se nada somos, para quê a arrogância? Para quê nos sentirmos melhor que os outros só porque vestimos terno ou tailler para trabalhar enquanto o servente usa um uniforme laranja para limpar o chão? Acorde! De um dia para outro podemos perder tudo -- e isso não é um ditado, mas realidade pura.

Se numa conversa achamos absurdas as palavras do próximo, mesmo assim não há razão para iniciar uma discussão calorosa que não vai chegar a um denominador comum. As pessoas têm suas crenças e crenças são difíceis de serem modificadas, a não ser pela experiência daquele que crê.

Por que acha que Jesus falava em parábolas? Porque através de sua própria perspectiva pessoal a pessoa extrai da parábola as verdades que são capazes de compreender a partir de suas próprias perspectivas. Tentar “enfiar” uma informação considerada “correta” na cabeça de alguém é perda de tempo e pode soar como grande arrogância. Por esse motivo Jesus passava seus ensinamentos sutilmente, de maneira que as pessoas pudessem compreender e guardar o ensinamento sem que Ele soasse arrogante. Aliás, em vários cursos de oratória os palestrantes ensinam aos alunos a se colocar na posição do ouvinte para se fazer entender.

Sei que ainda não cheguei ao nível de humildade perfeito como o exemplo de Jesus. Tenho muito o que aprender. Estamos aqui para esse tipo de aprendizado e são somente esses ensinamentos que levaremos ao partir deste mundo.

Em tempo: sugiro a leitura do livro intitulado “Jesus, o maior psicólogo que já existiu – Como os ensinamentos de Cristo podem nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano e aumentar nossa saúde emocional”, do autor Mark W. Baker, presente maravilhoso que ganhei da amiga Ana Marina Godoy, jornalista, o qual recomendo a todos por ser de fácil leitura e tão esclarecedor.

A programação neurolingüística (PNL)** é outra arma poderosa para mudarmos nossas crenças, mas a deixemos como um outro tema a ser discutido em breve.

Por enquanto, desejo PAZ neste ano vindouro e muita ESPERANÇA a todos os leitores. Vamos dar as mãos porque TUDO É POSSÍVEL QUANDO CREMOS!

Feliz 2006!

 

** Os praticantes da Programação Neurolingüística trabalham com o funcionamento do cérebro humano, ensinando seus pacientes a usá-los proveitosa e positivamente, criando novas maneiras de entender como a comunicação verbal e não verbal afetam o cérebro. Apresenta-se como uma oportunidade de nos comunicarmos melhor com nós mesmos e com os outros, além de aprendermos a controlar nossas crenças, o que definitivamente pode mudar nossas vidas.

Carolina de Aguiar Teixeira Mendes é advogada e diretora do “Council of Advocates International”, ONG defensora dos Direitos Humanos, com sede em Toronto, no Canadá.
carolinaatm@adv.oabsp.org.br



 

 

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