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Passei boa
parte da minha vida ouvindo meus pais dizerem “seja mais
humilde”. Na época, não compreendia o que eles queriam dizer,
pois, pelo meu entendimento, humildade estaria relacionada à
não-discriminação, ser gentil desde porteiros às pessoas
socialmente consideradas importantes.
Mas eles
insistiam que eu deveria ser mais humilde e percebi que podia
estar errada em meus conceitos, faltava alguma coisa. Foi aí que
comecei a pesquisar a fundo o que realmente seria essa
qualidade. Descobri que ela se desdobra em vários comportamentos
e aquele meu primeiro conceito era somente um deles.
Não sou
religiosa, embora batizada na igreja Católica. Tenho minhas
próprias crenças que se formaram após estudos sobre as mais
diversas religiões. Digo me considerar uma pessoa
espiritualizada.
Após anos
de questionamentos quanto à vida, ao mundo, à humanidade, à
psicologia e tantos outros, descobri algo que para milhares de
pessoas creio não ser novidade: o maior exemplo de humildade é
Jesus. Porém, há grande diferença em saber e agir conforme tal
entendimento.
Às vezes,
quando não tenho certeza sobre como agir, penso em como Jesus
agiria naquela situação. Não sou perfeita, mas tento o meu
melhor.
Humilde é
aquele que não se acha – e não sabe ser -- auto-suficiente a
ponto de tornar-se uma ilha (voluntária ou involuntariamente).
Todos dependemos de relacionamentos saudáveis e esta dependência
nos torna fortes e também saudáveis. Compartilhar nosso
dia-a-dia, nossas alegrias e tristezas, não guardar as coisas
para si... isso sim é ser humilde.
Humilde é
aquele que consegue diferenciar o agir como criança e o ser
infantil; aquele que não julga aos outros; perdoa ao próximo,
mas, principalmente, a si mesmo; não se prende a dogmas e está
sempre aberto a novas crenças; se esforça para conhecer a si
mesmo; compreende que se acreditarmos ser superiores aos outros
significa que, no fundo, temos medo de sermos inferiores;
compreende mesmo àquele ao qual não gosta; confia; e também o é
aquele que ouve mais do que fala.
Nessa era
da comunicação as pessoas estão mais instigadas a falar e, na
correria do cotidiano, nem prestam atenção no que o outro está
dizendo. Isto é muito grave porque gera má comunicação, uma das
chaves para a destruição dos relacionamentos. É irônico que, na
era da comunicação, haja tanta má-comunicação.
Quando
ouvimos de verdade, de coração, o que estão nos dizendo,
aprendemos muito. Demonstrar o genuíno interesse pelo próximo me
faz lembrar de Carlyle em algum livro que já li: "Robert
Burns é mais nobre que toda nobreza da Inglaterra, porque
consegue amar tudo - o rato, a margarida, todas as coisas
grandes e pequenas que Deus fez. Assim, com este passaporte,
Burns podia conversar com qualquer pessoa, visitar palácios e
dormir em cabanas".
Interessar-se pelas pessoas é poder. Poder não é ser presidente
ou rei, mas sim criar relacionamentos verdadeiros, criar laços,
ouvir, ter interesse pelo próximo. “Daí a César o que é de
César”, disse Jesus Cristo. César queria o poder sobre as
pessoas, o qual desapareceria quando ele morresse. Mas o
verdadeiro poder é aquele que transcende a morte, aquele
alcançado com as pessoas através de empatia e humildade.
Somos
todos iguais. Quem acha que sabe muito, na realidade nada sabe.
O humilde sabe que, quanto mais aprende, menos sabe.
Ontem,
ainda, assisti o filme “Colateral”, com Jamie Foxx, em que seu
personagem, Max, dizia que somos nada neste Universo cheio de
estrelas. Se nada somos, para quê a arrogância? Para quê nos
sentirmos melhor que os outros só porque vestimos terno ou
tailler para trabalhar enquanto o servente usa um uniforme
laranja para limpar o chão? Acorde! De um dia para outro podemos
perder tudo -- e isso não é um ditado, mas realidade pura.
Se numa
conversa achamos absurdas as palavras do próximo, mesmo assim
não há razão para iniciar uma discussão calorosa que não vai
chegar a um denominador comum. As pessoas têm suas crenças e
crenças são difíceis de serem modificadas, a não ser pela
experiência daquele que crê.
Por que
acha que Jesus falava em parábolas? Porque através de sua
própria perspectiva pessoal a pessoa extrai da parábola as
verdades que são capazes de compreender a partir de suas
próprias perspectivas. Tentar “enfiar” uma informação
considerada “correta” na cabeça de alguém é perda de tempo e
pode soar como grande arrogância. Por esse motivo Jesus passava
seus ensinamentos sutilmente, de maneira que as pessoas pudessem
compreender e guardar o ensinamento sem que Ele soasse
arrogante. Aliás, em vários cursos de oratória os palestrantes
ensinam aos alunos a se colocar na posição do ouvinte para se
fazer entender.
Sei que
ainda não cheguei ao nível de humildade perfeito como o exemplo
de Jesus. Tenho muito o que aprender. Estamos aqui para esse
tipo de aprendizado e são somente esses ensinamentos que
levaremos ao partir deste mundo.
Em tempo:
sugiro a leitura do livro intitulado “Jesus, o maior
psicólogo que já existiu – Como os ensinamentos de Cristo podem
nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano e aumentar nossa
saúde emocional”, do autor Mark W. Baker, presente
maravilhoso que ganhei da amiga Ana Marina Godoy, jornalista, o
qual recomendo a todos por ser de fácil leitura e tão
esclarecedor.
A
programação neurolingüística (PNL)** é outra arma poderosa para
mudarmos nossas crenças, mas a deixemos como um outro tema a ser
discutido em breve.
Por
enquanto, desejo PAZ neste ano vindouro e muita ESPERANÇA a
todos os leitores. Vamos dar as mãos porque TUDO É POSSÍVEL
QUANDO CREMOS!
Feliz
2006!
** Os
praticantes da Programação Neurolingüística trabalham com o
funcionamento do cérebro humano, ensinando seus pacientes a
usá-los proveitosa e positivamente, criando novas maneiras de
entender como a comunicação verbal e não verbal afetam o
cérebro. Apresenta-se como uma oportunidade de nos comunicarmos
melhor com nós mesmos e com os outros, além de aprendermos a
controlar nossas crenças, o que definitivamente pode mudar
nossas vidas. |