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Quantas vezes, abrimos mão
de sonhos e projetos, usando a justificativa de que é para agradar o nosso
parceiro? Consequentemente, quantas vezes cobramos esta “dívida” dele pela
vida inteira? Algumas vezes de forma velada, mas cobramos!
Será que eu mereço fazer
isso comigo? Será que alguém realmente merece ser eternamente
responsabilizado por frustrações minhas? Por que alguém tem que
necessariamente pagar pelas minhas escolhas, pelos meus atos?
A tirania pode existir em
várias situações de vida. A relação tirano etiranizado muitas vezes acontece
bem próxima de nós, até mais próxima do que podemos perceber, ou do que
queremos que aconteça.
Com toda certeza, ela
acontece várias vezes, todos os dias em todos os lugares. Muitas vezes, nós
ocupamos o papel de tiranizado. Outras tantas, exercemos duramente o de
tirano.
Onde houver pessoas se
relacionando, esta modalidade de relacionamento pode acontecer.
Por exemplo, existem
casais em que um dos parceiros se acha no direito de fazer várias proibições
ao outro. Proíbe o outro até mesmo de viver, e este por sua vez,
submissamente, abre mão da possibilidade de vida para não contrariar, não
aborrecer, ou seja, para não desobedecer, para fortalecer a amorosa relação.
Existem parceiros zelosos
que fazem cara feia toda vez que o companheiro conversa com aqueles amigos(é
puramente para protegê-lo, pois são todos aproveitadores, uns maus
elementos!) A forma que o parceiro tirano arruma para impor este
autoritarismo, as vezes é sutil, suave. Chegando a ser quase romântica e
vista pelo tiranizado, como uma comovente demonstração do quanto o outro o
ama! E acontece através de chantagens emocionais: lágrimas, por exemplo, são
ótimas táticas de se obter poder(principalmente quando desencadeiam
sentimento de culpa).
Impor ao outro uma
dependência financeira só perde em eficácia para a dependência afetiva!
Amedrontar o outro também vale e é bastante usado, com inúmeras variações:
pode ir desde a ameaça da agressão física, até uma aparentemente mais amena,
mas bastante eficaz, que é a ameaça do abandono, da retirada do que fazem o
outro acreditar que é amor. “Se você fizer isso( se me contrariar, ou seja,
se não me obedecer), eu vou embora, me separo de você, te privo da minha
amorosa e cuidadosa companhia, te deixo sozinho(a) para fazer o que bem
entender”.
E o “eu me mato” ? Que
expressão de autoritarismo poderosa, capaz de resultar até mesmo numa eterna
prisão submissa do outro!
Numa morte sim, lenta,
mas de quem se submete!
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