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Alguns comportamentos que presencio pelas ruas, sempre me surpreendem.
Apesar de serem bastante constantes, não consigo enxergá-los como comuns.
Não consigo lidar com eles, como habituais. Não consigo deixá-los na gaveta
dos meus pensamentos, de indiferentes para mim. Me deixam com uma sensação
de não entendimento. Cada vez que vejo, fico um tempo me perguntando, mas
como é que pode? Como alguém faz isso assim, tão naturalmente? São
comportamentos que sinceramente, raciocinando dentro da lógica e da
sensatez, não consigo encontrar explicação. Não consigo concordar que exista
uma explicação lógica para eles, nem que as pessoas façam imaginando as
possíveis conseqüências.
Ou
ainda, as ignorando!
Quando vejo, por exemplo, adultos com crianças pequenas no colo,
assentados no banco da frente de um carro. Imediatamente dá um nó terrível
na minha cabeça. Indiferente de ser uma conduta completamente ilegal, dentro
das leis de trânsito. Nem levo em consideração por este lado, pois sei que,
infelizmente, muitas pessoas desconsideram e negligenciam as leis. Fazem de
tudo, e um pouco mais, para burlá-las.
Já
vi, por exemplo, pessoas fazendo de conta que usam o cinto de segurança,
apenas para enganar o guarda de trânsito! Passam pelo corpo, mas não travam!
Como se o uso correto fosse para proteger o guarda, ou ainda, como se fosse
problema do guarda a segurança do condutor ou dos passageiros. Mas nesta
situação, caso ocorra algum acidente, as conseqüências da falta do uso
correto do cinto, serão de quem não o travou. Problema dele, que optou por
agir de forma ignorante, desprovida de inteligência. Um adulto, com toda
capacidade de escolher correr o risco.
Mas quando envolve crianças, a situação é grave e muito mais séria. Alguém,
no caso, um adulto, escolhe por ela.
A
questão da criança no colo, (no banco da frente, pior ainda) chego a
classificar como covardia, como motivo de falta de respeito à vida desta
criança, como imensa falta de responsabilidade com a vida de alguém
indefeso. Penso até, que deveria ser enquadrado em algum artigo penal que
trate da proteção das crianças. Adultos que deveriam proteger as crianças, a
colocam em risco.
Será que não percebem o risco enorme em que estão colocando esta criança? Em
caso de colisão, ou ainda de uma freada brusca, a criança será usada como
air bag. Ou seja, o corpo dela irá proteger o corpo do adulto no qual está
assentada no colo! O pequeno corpo da criança amenizará o impacto da batida
no adulto que a está levando no colo. Será que estes adultos não percebem o
tamanho da irresponsabilidade que cometem, numa situação dessa? Usar uma
criança como air bag? Colocam em risco a vida de uma criança. Por que é isso
que fazem nessa situação.
E
aqueles pais que dirigem com o filho pequeno no colo? Ou pior ainda, pessoas
que conduzem crianças na moto. Alguns casais transportam bebês de poucos
meses de vida, em motos. Será que ignoram o risco, ou nem se preocupam com
isso? Em caso de queda de uma moto, o choque será diretamente no corpo dos
passageiros. A moto é um veículo que não tem pára choque, não tem
carroceria. Num acidente, por menor que seja, os passageiros irão ao chão.
Os adultos provavelmente terão a cabeça protegida, pelo uso do capacete. E
os bebês? Será que a manta que os cobre será suficiente para protegê-los do
impacto da queda? Ou ainda, a toquinha que usam, amenizará o impacto com o
chão?
Não
posso de maneira alguma acreditar que as pessoas fazem isso de maneira
consciente. Estes comportamentos, na verdade, vão de encontro à conclusão
que já cheguei há um tempo: muitas pessoas, várias vezes, agem por agir. Sem
nem mesmo terem a percepção clara e racional do que estão fazendo. Sem
conseguirem perceber a gravidade da maneira que se comportam. Simplesmente
fazem! Por comodismo, por hábito, por conveniência. Por acreditarem de forma
distraída que é simples. Que não tem problema nenhum. Já estão acostumadas,
fizeram mil vezes, e nunca deu problema algum.
Mas
e se quando chegar a vez mil e uma, der algum problema? Vale a vida da
criança? Vale sair ileso de um acidente, com a criança inerte no colo? Você,
que tem este hábito, pense nisso!
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