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Ser passivo, submisso.
Aceitar conviver com absurdos e acatar ordens sem nem mesmo concordar com
elas. Ou ainda, nem sabendo direito o que está obedecendo.
A princípio, até
mesmo fazer um esforço imenso, desgastante, para se convencer a não pensar a
respeito, não se importar, não se indignar. Não perguntar! Permanecer
ignorante a respeito. Para demonstrar que não está nem aí!
Mas com o tempo, após
tanto esforço, tanta repressão do sentir, tanta inibição da capacidade de
raciocínio, consegue se convencer que não se importa mesmo, que aquela
situação absurda e ilógica que você vivenciou, não lhe diz respeito. Que
aquele fato injusto, não lhe causou nenhuma indignação! Que solucionar
aquela dúvida sua, não importa.
E a vida transcorre
desta maneira. Você chega até mesmo a tentar se enganar, que está vivendo de
verdade a própria vida.
Constantemente repete
baixinho para você mesmo, que tudo bem! Tudo bem que não teve o
reconhecimento esperado pelo trabalho que se esforçou tanto para realizar.
Tudo bem que não se sente respeitado pelas qualidades que tem. Tudo bem se
aquela pessoa constantemente, através dos comportamentos que tem, lhe
provoca tanto mal estar. Você insiste em continuar tendo contato com ela.
Tudo bem, que inúmeras vezes se sente explorado por pessoas tão próximas!
Você em nenhum momento faz nada para manter distância delas!
Tudo bem
mesmo!Tão bem, que apesar do imenso desconforto que constantemente sente,
você não faz o mínimo esforço para mudar nada! Você precisa reforçar a idéia
e a imagem que acredita ter, que é invulnerável. Inatingível! Que não se
importa com nada disso mesmo!
Já cogitou a idéia,
que aquelas constantes e incômodas dores de cabeça que te maltratam tanto,
podem ser resultados desta mania sua de sempre tentar se convencer que está
tudo bem! Que nada consegue lhe atingir! Mas afasta rapidamente esta
cogitação!
Muitas vezes,
ao deitar, não consegue dormir, já que os seus pensamentos insistem em
incomodarem você. Aquela raiva reprimida durante o dia vem com tudo. Aquela
frase que queria ter dito, fica martelando na sua cabeça! Mas tudo bem,
acaba pegando no sono. Por exaustão ou por um daqueles santos remedinhos que
te fazem apagar, ou ainda, aquela bebida milagrosa que te desliga de tudo!
E assim vai levando a
vida. Ou vai sendo levado por ela. E conduzido por alguém.
Mas, tenho certeza
que de vez em quando, ou de quando em vez, você chega a querer esboçar
alguma reação, ou ainda, deixar transparecer sua indignação. Mas é só isso!
De acordo com o que você acredita que seja a opinião da maioria, não
compensa! Não adianta mesmo! Nadar contra a correnteza, requer muito
esforço, dá uma cansaço danado. E você não quer se cansar! Nem ter trabalho!
Diante disso, prefere
soltar as rédeas da sua vida, e deixar se levar! E você até que acaba
acreditando mesmo e se acostumando com esta falta de reagir, de se
posicionar, de dar opiniões, fazer criticas, questionar, pedir explicações.
Acostuma-se tanto que passa a ter comportamentos, com os quais nunca
concordou.
De tanto não estar
nem aí, você acaba não existindo mesmo. E nem sendo importante, ou fazendo
parte de nada.
Você, após tanta
insistência, tanta negação dos seus quereres, da sua falta de usar a própria
capacidade de raciocínio, sumiu! Depois de tantos longos anos se anulando,
corre um risco muito grande de realmente vencer. De conseguir! Você talvez
até consiga mesmo passar a ser nada!
Nada é assim: nada
não existe! Nada não faz falta, não incomoda, não é visto, não ocupa espaço.
Nada! Nada é nada!
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