.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 25/10/2005 17:04:03 

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Noção de Justiça
Por Maria Aparecida Francisquini

Clamamos muitas vezes por justiça, ética e honestidade.

Nos horrorizamos diante de fatos e comportamentos de pessoas que ferem a nossa consciência, e que é determinada pela noção de honestidade e ética que dizemos que temos. Apenas verbalizamos a nossa não concordância. Condenamos com palavras!

Mas muitas vezes, de acordo com a nossa conveniência egoísta, esta noção varia, e fica apenas nisso mesmo: em uma fala, em uma não concordância meramente verbal. Dificilmente em nossos comportamentos.

Tantas vezes ficamos surpresos diante da falta de ética de algumas pessoas. Nos revoltamos e levantamos ardorosamente a bandeira da necessidade de se fazer cumprir a justiça diante de crimes que tomamos conhecimento.

Queremos justiça! No entanto, ficam no ar sempre algumas dúvidas: qual a noção de justiça, honestidade e ética tem guiado nossas vidas? Quem deve ser justo, ético? Quando? Ser justo e ético incondicionalmente? Ou depende?

Depende de que? Ou de quem?

Na nossa sociedade, a todo o momento fica claro que para estas questões, sempre existe uma diferença, uma enorme distância, entre o que é se falar, se cobrar e se desejar a justiça, a honestidade e a ética, e a outra parte, que é viver a própria vida dentro da justiça, guiada por comportamentos honestos e éticos.

Falamos e cobramos honestidade, mas ao que parece, em várias situações, esta é uma cobrança puramente verbal, ou quase sempre direcionada para o exterior, para as outras pessoas, pois quando se trata da própria vida...

Bom, a história é outra! Depende! Da nossa conveniência!

Será que temos sido constantemente honestos nas nossas atitudes? Será que nos preocupamos em ser éticos nos nossos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais?

Não, claro que não! Quantas vezes se mente, se comete atos de injustiça prejudicando alguém, por exemplo, por ser mais conveniente, ou vantajoso e lucrativo? Para quem?

Quantas vezes, usando do que chamam de esperteza nos negócios, muitas pessoas consideradas aparentemente sérias, honestas, trabalhadoras e

respeitadas, armam esquemas inescrupulosos, para levarem vantagem e prejudicam o outro?

Usar do poder e de uma melhor condição financeira, para humilhar e desrespeitar alguém, é ser honesto? É se comportar com ética? Bom, nestes casos, não dá para dizer que depende!

 

Maria Aparecida Francisquini é psicóloga.
mafrancisquini@navinet.com.br



 

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