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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 16 de maio de 2008 21:27:26                                               

 
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REFLEXÃO
Solução existe!
Maria Aparecida Francisquini

publicado em 16/05/2008

 

 

Eu não quero de maneira alguma, deixar de acreditar que por menor que seja o que eu possa fazer, sempre fará diferença, e será útil para ajudar de maneira positiva no resultado final.
Eu não quero nunca, mas nunca mesmo, deixar de acreditar que é possível se construir um mundo realmente mais justo e humano, onde as pessoas cultivem a autêntica sensibilidade de se comover e de se mobilizar para ajudar alguém que necessite (melhor seria se não houvessem necessitados).
Eu só não quero como também não posso, pois se isso acontecesse, se eu perdesse a esperança, eu cairia na mais profunda depressão que se possa imaginar, e com grande possibilidade de nunca mais conseguir (ou querer conseguir) ter forças para sair dela.

Eu me recuso a acreditar que a miséria em que vivem milhões de seres humanos é uma situação irreversível, que nunca haverá, do outro lado, número suficiente de pessoas para se mobilizarem e cada um fazer a sua parte para reverter esta situação, ou pelo menos amenizá-la um pouco.
Eu me recuso terminantemente a reprimir a vontade de chorar que eu sinto, ao saber que neste momento, e em todos os outros, existem milhares de pessoas que são seres humanos como eu, como você, e que, apesar de todo frio que está fazendo, estão sem teto e sem ao menos um agasalho para se aquecerem. Me dói profundamente saber que existem pessoas, seres humanos, que morrem de fome. Me angustia pensar na imensa dor que sente alguém, até chegar ao ponto de morrer por falta de alimento.

Eu não consigo ficar indiferente diante das cenas de violência produzidas pelas guerras estúpidas que homens mais estúpidos ainda, de dentro de seus confortáveis gabinetes, insistem em declarar, mas nunca vão até lá, no campo de batalha, para participarem pessoalmente. Eu tenho um amor grande demais por seres humanos!
Eu não aceito conviver naturalmente com injustiças, sem me indignar, sem me posicionar, sem pelo menos tentar fazer alguma coisa para impedi-las, ou se de tudo não for possível, pelo menos diminuir o mal provocado por elas. Em situações que aviltam a minha consciência e ferem a minha sensibilidade, eu não consigo permanecer neutra e devido a
isso, para mim, é impossível manter os braços cruzados e a boca fechada, mesmo após várias experiências ao longo da vida em que me senti prejudicada por não ter aceitado tampar os olhos, fechar a boca e desligar os ouvidos.

Eu me recuso definitivamente em usar uma armadura e uma máscara de indiferença diante de situações em que seres humanos sofrem. Eu já deleguei poder absoluto à minha consciência, e já dei força suficiente à minha sensibilidade, para conseguir permanecer calada e submissa diante de fatos que claramente percebo serem injustos e desprovidos de ética.
Eu me nego a simplesmente balançar a cabeça, concordando com o que eu discordo. Eu sempre acredito que algum jeito tem. Alguma solução existe, mas nós só vamos encontrá-la se a procurarmos, se verdadeiramente quisermos e se cada um se empenhar em fazer a sua parte!
 
  

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