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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 03 de dezembro de 2009 19:26:32                                               

 
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REFLEXÃO

Toma lá dá cá!!!!

Maria Aparecida Francisquini

publicado em 03/12/2009

 

Para algumas pessoas, falar dos sentimentos representa um problema imenso. Se reprimem o tempo inteiro, e muitas vezes, negam ao outro o prazer de saberem que são amados, admirados, queridos. Para estas pessoas, falar o que sentem está condicionado a alguns fatores. Muitos deles, bastante ilógicos. A maioria de nós aprendeu bem cedo, que devemos reprimir sempre que possível, nossos sentimentos, nossos desejos. De acordo com este aprendizado, só devemos nos expressar, quando percebermos alguma possibilidade de retorno. Ou seja, dizer que ama alguém, até pode, mas só quando existe a possibilidade de recebermos retribuição.

 

Falar do sentimento de admiração por alguém, só pode acontecer, se for para ganhar algo como troca! E muitas vezes, na maioria delas, transformamos nossos sentimentos em moeda (para dar de troco, ou para pagar), ou ainda em mercadoria (para adquirir algo que nos convém). Não fazemos nada de graça! Não expressamos sentimento algum simplesmente por expressar, por querer comunicar a alguém o que sentimos. Avaliamos sempre. Não dizemos para o outro que o admiramos, que gostamos da companhia dele, ou ainda que o amamos, se não houver da parte dele, qualquer demonstração de que ele irá nos corresponder. Retribuindo, nos recompensando. Pagando de alguma forma! E assim, nesta constante e sem lógica maneira de viver negociando, querendo receber o troco, ou o pagamento, aprendemos a sempre viver de acordo com a nossa conveniência.

 

Aprendemos que temos que ser espertos, que sempre que possível, temos que agir pensando no nosso próprio interesse. Queremos sempre ganhar. Nos dar bem! Mas ao que parece, este nos dar bem, quase sempre vem acompanhado do fazer alguém se dar mal! Não elogiamos sinceramente, mas apenas bajulamos com algum interesse?

 

Nosso afeto, só pode ser demonstrado, como depósito? Ou barganha? Mercadoria valorizada para ser negociada. Para levarmos alguma vantagem. Temos que receber algo em troca! Amar por amar, assim, de maneira simples e puramente como um sentimento que faz quem ama se sentir bem, não pode de maneira alguma acontecer. Porque amamos sempre, depositando no outro, a nossa expectativa de ser correspondido. De ganhar algo com este sentimento que designamos como amor. Olha, eu te dou esta valiosa mercadoria que é meu amor, mas em troca, você me dá algumas coisas que quero. Não interessa muito o seu querer.

 

Para ter meu amor, é só pagar o preço que eu estipular. Se deseja o meu amor, podemos negociar! Afinal, dizem que tudo pode ser negociado, tem seu preço! E parece que as pessoas entendem que neste tudo entra tudo mesmo. Até os sentimentos! E eles são negociados algumas vezes de forma clara, mas na maioria delas, sutilmente. Quase imperceptível! Uma negociação velada, quase romântica mesmo! Para quem se deixou convencer que tudo realmente tem um preço, que tudo pode e deve entrar como mercadoria, expressar os sentimentos, realmente se tornou um grande problema. Mas felizmente ainda existem muitas pessoas que não aceitaram incorporar este aprendizado.

 

Para elas, falar e expressar seus sentimentos, não é problema algum. Muito pelo contrário. É solução! Expressar o que sentem, se colocarem diante das situações, as fazem se sentirem bem. Dá tranqüilidade, bem estar. Facilmente falam o que sentem. E já se acostumaram também a não esperarem compreensão das outras pessoas. Não esperam retorno do que expressam. Falam e demonstram através dos atos o que sentem porque agindo assim, se sentem bem.

 

Não adquiriram o hábito de viverem sempre e em qualquer circunstância, como se estivessem negociando, ou ainda, que precisam sempre ter uma resposta para tudo que demonstram. Um troco! Um pagamento! Que beleza, se cada vez mais, aumentasse bastante o número de pessoas assim!



 

 
 
  

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