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Vivemos procurando o nosso
bem estar. Queremos ser felizes. Ficamos por ai, tantas vezes nos esquivando
de tudo que nos faz sofrer. Em busca deste bem estar, muitas vezes,
preferimos ter uma vida tão sem verdades! Tão cheia de mentiras! Fazemos de
tudo que está ao nosso alcance, para alcançar esta felicidade que queremos,
esta tranquilidade que tanto desejamos, a distância do que nos causa
sofrimento.
Até mesmo nos enganamos!
Fazemos de conta que não ouvimos, que não enxergamos, que aquela traição
clara, não aconteceu! Estamos tão carentes! Tão necessitados de ter alguém
do nosso lado!
Desenvolvemos um medo tão
intenso da solidão!! Um pavor mesmo, tão grande, que tantas vezes nos coloca
submissos, implorando a companhia de alguém. Mesmo que seja uma migalha
insignificante de atenção, diante da enorme fome que sentimos, fazemos de
conta que nos satisfaz. Desdenhamos o quanto podemos ser importantes, o
quanto podemos ser merecedores de um amor verdadeiro, de um relacionamento
onde sempre prevaleça o respeito. A sinceridade! O nosso cada vez maior
sentimento de pequenez, nos faz tão coniventes com formas de relacionamentos
desrespeitosos. E nós vivemos gritando, implorando, suplicando que o outro
me aceite, que não me abandone, que fique comigo. E assim, desprovidos de
amor próprio, ainda pensamos que é possível, ser amado por alguém.
Na nossa amedrontada
necessidade de amor, gastamos tantas vezes uma energia imensa para
acreditar! Para suportar conviver com humilhações, com situações ¨confusas¨,
mal explicadas. Uma mentira clara, tantas vezes se torna verdade, porque
precisamos acreditar nela! Mas sabemos que uma situaçãonão deixa de existir,
simplesmente porque resolvemos que ela não existe! E como pode doer, tentar
ignorá-la! Mas precisamos nos convencer que somos aceitos, que somos amados!
E tantas vezes,
demonstramos uma dificuldade imensa em conviver com verdades, eoptamos em
simplesmente ouvir e conviver com mentiras, ou ainda, em não saber da
verdade(na maioria das vezes, fazer de conta que não sabemos...) Fazemos um
esforço incrível! Algumas vezes, até tentamos deturpar os fatos, para nos
parecer menos graves ou sérios. Ou comprometedores. E nesta tentativa
desesperada de nos enganar, conseguimos justamente o que num primeiro
momento, acreditávamos estar evitando: uma vida pequena, um mal estar
constante.
Dores físicas, as mais
variadas, que nos leva a tornar hábito, o uso de tantos ¨remedinhos¨! A
cabeça que insiste em sempre doer, resultante da tensão que acumulamos, cada
vez que compactuamos com alguém que nos desrespeita (o analgésico está
sempre na bolsa, ou no bolso). Dificuldade para dormir (que algum remedinho
também nos socorre). Apetite, mas falta de vontade de comer (como se a
garganta estivesse fechada. Talvez até esteja, pelo tanto que nos obrigamos
a engolir!).
E tantas vezes, preferimos
ignorar a nossa percepção, e fazer de conta que foi equivocada. Por medo de
contestar, de nos posicionar. De dar um basta! E sofrer!?
Dizem que a verdade muitas vezes dói. Mas será que dói mais que uma
história de vida de mentiras, de traições, de enganos?
Por medo da queimadura, usamos uma peneira e nos fazemos acreditar que
estamos protegidos do sol forte, na ilusória sombra! E queimadura de sol dói
tanto! Incomoda! Causa mal estar!!
E vamos vivendo assim! Ou pelo menos tentando nos convencer que estamos
vivendo... |