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RESUMO
Este texto faz parte de um dos
trabalhos realizados na disciplina Educação Ambiental e o Materialismo
Histórico, no Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da
Universidade Federal do Rio Grande. O estudo sobre o Processo de
Mais-Valia tornou-se imprescindível ao nos dedicarmos ao aprofundamento
das categorias do Materialismo Histórico. Entendemos ser o estudo da
mais-valia de suma importância para o desvelamento das contradições que
permeiam as relações do trabalho na sociedade capitalista e é por esta
razão que a apresentamos aqui.
Palavras-Chave: forças
produtivas, relações de produção, mais-valia, lucro.
RESUMEN
Este texto es parte de la labor realizada en la disciplina de Educación
Ambiental y el materialismo histórico en el Programa de Posgrado en
Educación Ambiental de la Universidad Federal de Río Grande. El estudio
sobre el proceso de la plusvalía se convirtió en esencial para
participar en el estudio de las categorías del materialismo histórico.
Entendemos que el estudio de la ganancia de la mayor importancia para
comprender mejor las contradicciones que permean las relaciones de
trabajo en la sociedad capitalista y es por esta razón que presentamos a
continuación.
Palabras
claves: las fuerzas productivas, relaciones de producción, la
plusvalía, el beneficio.
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INTRODUÇÃO:
O valor da força de trabalho e
o valor que ela cria no processo de trabalho são duas magnitudes
diferentes. O trabalhador vende sua força de trabalho pelo seu valor,
que é o tempo de trabalho necessário para reproduzir sua subsistência
(existência), mas o valor que ela produz é maior porque a jornada de
trabalho ultrapassa o tempo necessário para reproduzir sua subsistência.
Esta diferença é um valor a mais, apropriado pelo capitalista que
adquire o direito de usar a força de trabalho em um dia inteiro, mesmo
que ela custe apenas algumas horas do dia. A jornada de trabalho, assim,
divide-se em duas partes: o tempo de trabalho necessário para o
trabalhador criar um valor correspondente ao de sua força de trabalho,
acrescido de um tempo de trabalho excedente, no qual ele cria
mais-valor, que não lhe é pago, sendo este, então, a mais-valia
apropriada pelo capitalista, conforme veremos mais detalhadamente a
seguir.
2. O PROCESSO DE PRODUÇÃO
DE MAIS-VALIA
Durante o processo de
trabalho, este sofre movimentos de transmutações que o transformam de
ações a um produto concreto. Assim, é que ao vermos um produto,
compreendemos que nele está cristalizada determinada quantidade de
trabalho (ou seja, tempo de trabalho).
O produto final é, pois, a
materialização de horas/dias..., enfim de tempo de trabalho, não
importando o tipo de trabalho humano desenvolvido (se fiação ou
mineração, por exemplo) nem tampouco se esse material é produto de outro
processo anterior de trabalho, servindo enquanto matéria-prima para o
processo de trabalho presente.
Ao final do processo de
trabalho, o valor do produto é igual ao do capital adiantado (isto é, a
quantia gasta no mercado com os elementos constitutivos do produto ou
com os fatores do processo de trabalho). Portanto, no final do processo
não foi produzido excedente (mais-valia), logo o dinheiro não se
transformou em capital.
Lembramos que o valor agregado
aos produtos são a soma dos valores existentes nas matérias-primas, nos
meios de produção e, portanto, na força de trabalho, sendo que dessa
adição de valores não surge mais-valia. Exemplo: o valor agregado do fio
de lã corresponde à soma dos valores existentes no algodão, no fuso e na
força de trabalho.
Sabendo que os meios de
subsistência quotidianamente necessários para produzir a força de
trabalho correspondem a ½ dia de trabalho, o trabalho para criar valor
tem de ser despendido em forma útil para que no mercado se receba por
esse valor de uso, um valor de troca.
O capitalista pagou pelo valor
diário da força de trabalho. Logo, pertence a ele que é o possuidor do
dinheiro o uso dela (força de trabalho) durante o dia (o trabalho de uma
jornada inteira), embora a manutenção da força de trabalho custe ao
capitalista apenas meia jornada.
Sendo assim, o valor que a
força de trabalho cria num dia é o dobro do próprio valor de troca e
desta maneira é que o dinheiro se transforma em capital. Logo, a
transformação do dinheiro em capital se dá na esfera da circulação que
serve para se chegar à produção de mais-valia (o que ocorre na esfera da
produção).
O valor de uma mercadoria se
determina pela quantidade total de trabalho que encerra. Mas, uma parte
dessa quantidade de trabalho representa um valor pelo qual se pagou um
equivalente em forma de salários e a outra parte se materializa num
valor pelo qual nenhum equivalente foi pago.
Por isso, quando o capitalista
vende a mercadoria pelo seu valor, isto é, pela cristalização da
quantidade total de trabalho, ele deve vendê-la com lucro, ou seja,
vende não só o que lhe custou como também o que não custou, embora haja
custado o trabalho do seu empregado.
Vejamos um exemplo:
Vamos supor hipoteticamente
que o valor da força de trabalho vendida por um trabalhador e comprada
pelo capitalista seja equivalente a 4 horas de trabalho, correspondentes
a um salário de R$ 24, 00 (vinte e quatro reais) por jornada diária de
trabalho. Este é o valor necessário para reproduzir sua subsistência ao
longo de um dia.
Supondo como processo de
trabalho a confecção de camisas por um trabalhador que em 4 (quatro)
horas produz 5 (cinco) camisas, vamos considerar que para produzir 5
(cinco) camisas se consumam 10 metros de tecido (objeto de trabalho) ao
custo de R$ 70, 00 (setenta reais) e que o desgaste dos meios de
trabalho seja equivalente a R$ 6,00 (seis reais).
O capitalista compra todos os
elementos do processo de trabalho, que neste caso totalizam R$ 100, 00
(cem reais)=(24+6+70) e o produto do trabalho serão 5 (cinco) camisas. O
valor de cada camisa será de R$ 20,00=(R$ 100/5).
Tabela 1: Cálculo do Valor
da Mercadoria Camisa
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Força de Trabalho |
Objetos de Trabalho |
Meios de Trabalho |
Produto do Trabalho |
Valor Total |
Valor por Camisa |
|
R$ 24,00 |
R$ 70, 00 (10m) |
R$ 6,00 |
5 camisas |
R$ 100,00 |
R$ 20,00 |
O valor adiantado pelo
capitalista foi de R$ 100,00 (cem reais) e o valor que obterá vendendo
as mercadorias será de R$ 100,00 (cem reais). Se assim fosse, o
capitalista não ganharia nada.
Veremos, no entanto, que o
capitalista poderá vender a mercadoria camisa pelo preço justo, pelo seu
valor de R$ 20,00 (vinte reais) e mesmo assim sairá ganhando por meio da
extração da mais-valia. Acontece que ele utiliza a força de trabalho não
apenas durante 4 horas, mas ao longo de uma jornada inteira.
Vejamos um exemplo supondo que
o capitalista utilize a força de trabalho durante uma jornada de 8
horas. Neste caso serão produzidas o dobro de camisas que poderão ser
vendidas por R$ 200,00 (duzentos reais), ou seja, o mesmo valor de R$
20,00 (vinte reais) cada uma. A contabilidade neste caso fica assim:
Tabela 2: Mais-Valia
|
Força de Trabalho |
Objetos de Trabalho |
Meios de Trabalho |
Produto do Trabalho |
Valor Total |
Valor por Camisa |
|
R$ 24,00 |
R$ 140,00 (20m) |
R$ 12,00 |
10 camisas |
R$ 200,00 |
R$ 20,00 |
Neste caso, o valor adiantado
é de R$ 176,00 (cento e setenta e seis reais)=(24+ 140+ 12) e o valor
obtido com a venda será de R$ 200,00 (duzentos reais). Esta diferença de
R$ 24,00 (vinte e quatro reais)=(200-176) será o lucro do capitalista
obtido pela extração da mais-valia produzida no processo de trabalho.
Vemos com isto que o custo da
mercadoria para o capitalista e o custo real da mercadoria são coisas
distintas. Lucros se obtêm vendendo mercadorias não acima do que valem,
mas pelo seu verdadeiro valor, às custas do trabalhador que para tal
mercadoria ser vendida no mercado pelo seu valor, sofre um sobretrabalho.
O “verdadeiro valor” cobrado
pela mercadoria na comercialização desta corresponde ao tempo ou à
quantidade de trabalho consumida no seu processo de produção. Isso
significa dizer que houve um trabalho real, que ocupou determinado
período de tempo para que a mercadoria fosse produzida.
Mas, pensemos: se o verdadeiro
valor da mercadoria-trabalho utilizada no processo de produção fosse
pago a quem vende a força de trabalho (o trabalhador) necessariamente
para que houvesse lucro ao proprietário, o valor da mercadoria deveria
ser elevado quando da sua comercialização.
O que permite então, ao
proprietário vender a mercadoria pelo seu verdadeiro valor na
comercialização desta é por que o lucro já foi extraído anteriormente na
produção, por meio da mais-valia, ou seja, o valor não pago pela força
de trabalho de quem a vende, ou a exploração desta.
Identificamos aqui o
“truque” gerador do lucro: o capitalista não necessita elevar o valor
final da mercadoria para ter lucro, basta que reduza os custos de
produção, especialmente no que se refere ao valor pago pela força de
trabalho humana empregada na produção desta mercadoria (Ex. modelo
chinês; mão de obra barata).
Em outras palavras, ao
pagar um salário injusto ao trabalhador, ao subtrair deste salário o
verdadeiro valor do trabalho, eis que a parcela não paga, que é a
mais-valia, torna-se o lucro do proprietário, sem que haja necessidade
de elevar o valor final da mercadoria, pois o lucro já está “implícito”
no processo de produção.
Na
produção condicionada ao modo capitalista, é preciso que o trabalho seja
capaz de gerar lucro ao proprietário dos meios de produção. Naturalmente
o trabalho em si, sendo um trabalho produtivo, gera valores-de-uso.
Nesse
caso o produto do processo de trabalho não é capaz de fornecer lucro ao
proprietário. O lucro surge quando o produto passa a agregar em si o
excedente do trabalho humano, ou seja, a mais-valia, assumindo então o
caráter de mercadoria, à qual se associam valores-de-troca.
Na produção capitalista, a
força de trabalho humana assume também caráter de mercadoria, possuindo
assim, valor-de-troca, como qualquer outra mercadoria. Assim, para que a
força de trabalho assuma a função de gerar o lucro do comprador desta, é
preciso que o trabalhador, ao vendê-la, aliene o valor-de-uso intrínseco
do seu trabalho produtivo.
A alienação ocorre quando o
produto, que é o resultado do processo de trabalho produtivo, não é
consumido por aquele que o produziu: o trabalhador, pois seu destino é
transformar-se em mercadoria pela exploração da força de trabalho
humana. A função da mercadoria, possuidora de valores-de-troca, não é
suprir as necessidades de quem a produziu, mas sim gerar o lucro do
proprietário dos meios de produção.
Do que
entendemos que: o trabalho, quando condicionado às leis do capital,
sempre será trabalho alienado, quando a lógica deste não permite a quem
produziu consumir o produto do próprio trabalho, explorando-o.
A
exploração da força de trabalho humana, ou seja, a mais valia, é a base
da lucratividade de quem se apropria desta. O trabalhador nunca recebe,
quando inserido nesta lógica injusta, o valor total do trabalho
empregado para a produção da mercadoria, pois a sua função, também
enquanto mercadoria é gerar a mais-valia, ou seja, aquilo que não é pago
ao trabalhador na forma de salário, e que vai enriquecer o proprietário.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Assim, concluímos este texto
afirmando que para que os meios de produção se tornem capital é preciso
haver trabalho assalariado e para que o trabalho se torne assalariado é
preciso que seja comprado pelo capital.
Logo, capital e trabalho
assalariado são pares que fazem parte da mesma realidade, ou seja, a
realidade da troca desigual, uma vez que quando a força de trabalho
passa a ser posse do capitalista, surge mais trabalho do que o trabalho
nele objetivado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Útil e Trabalho Abstrato; Trabalho Socialmente Necessário; Trabalho Vivo
e Trabalho Morto: As Mistificações da Economia Política. Palestra
apresentada no Curso de extensão Ciclo de Discussões sobre o Capítulo VI
Inédito de Karl Marx, realizado de 28/11/2009 a 28/01/2010.
MARX, Karl. O Capital.
Vol. 1. (tradução de Reginaldo SantÁnna). 8. Ed. Rio de Janeiro:
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__________. O Capital Livro
I, Capítulo VI (inédito). (tradução de Eduardo Sucupira Filho. São
Paulo: Ciências Humanas, 1978.
MINASI, L.F. O Materialismo
Histórico e as Categorias de Meios de Produção e Meios de Trabalho.
Documento Preliminar de trabalho orientador de leituras/estudos na
disciplina Educação Ambiental e o Materialismo Histórico. Programa de
Pós-Graduação em Educação Ambiental da Universidade Federal do Rio
Grande, 2010.
_________. Forças
Produtivas, Relações de Produção, Mais-Valia e Lucro. Material
Complementar utilizado na disciplina Educação Ambiental e o Materialismo
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ROMERO, Daniel. Marx e a
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SANTOS, Daniel Marcos dos.
Forças Produtivas, Relações de Produção, Mais-Valia e Lucro in
MINASI, L.F. Documento Preliminar de trabalho para ser utilizado
como orientador de leituras/estudos na disciplina Educação Ambiental e o
Materialismo Histórico. Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental
da Universidade Federal do Rio Grande, 2010.
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