.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 04/05/2006 21:19:50 

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Os estados da matéria
Por Rosane Magaly Martins

 

Você pode banhar-se no mesmo rio diversas vezes. Entretanto nunca poderá banhar-se na mesma água daquele rio duas vezes. Você poderá entrar no mesmo rio diversas vezes. Mas você nunca será o mesmo, a cada vez que nele entrar.

Assim como a água de um rio que passa por uma pequena região, numa pequena cidade ao longo de diversas gerações, somos nós. A cada dia temos novas experiências acerca de nós mesmos e estas experiências fazem com que sejamos diferentes momento a momento.

As pessoas sempre crêem que não mudam. Que como pedra são estáticas, sólidas, impenetráveis. Mas somos água corrente. Algumas vezes límpidas e transparentes e noutras, barrentas e lodosas. Em alguma parte de nossa vida tornamo-nos sólidos e gelados, noutras ficamos líquidos e úmidos. Há estágios mais avançados em que a temperatura e o estado se alteram, e transformamo-nos em vapor, em gás, em pleno estado de sublimação.

As pessoas crêem que são o rio.

Esquecem que o rio é a água que nele corre e que sem o leito, os vales, as chuvas e temporais nada mais existiria no local além de um valo seco.

Muitas pessoas se transformam num vale seco.

Outras, numa lagoa de água estagnada e mal-cheirosa.

O que faz de nós rios caudalosos, nutridores e belos?

Justamente a certeza que somos água e não o rio. A certeza que sempre estaremos exercendo nossa função enquanto seres humanos. Mas que para chegarmos à sublimação, teremos que nos desapegar do estado de  gelo sólido. É a certeza que, mesmo estando passeando ao redor do mundo, feito nuvem, esperando a hora de voltar a ser líquida, temos dentro de nós nossa essência, nossa natureza diferenciada e igual a todos os demais seres humanos.

Nosso corpo é composto de 70% de líquidos, de água.

Somos como o rio. Somos humanos e nosso estado de humanidade nos fará compreender que hoje eu sou assim, amanhã serei diferente. E respeitar nossos ciclos, nosso movimento em prol da vida que habita nosso planeta.

Somos a água. Jamais o rio...

Por ROSANE MAGALY MARTINS em 19/04/06

Rosane Magaly Martins
blumenauense, escritora, advogada com abordagem holística, terapeuta somática pós-graduanda em Gerontologia (FURB). Fundadora do movimento Poetas Independentes na década de 80, levou a poesia interligada à arte, música e dança para locais inusitados. Ocupa a cadeira 18 da Academia de Letras Blumenauense e assessora a SEB- Sociedade Escritores de Blumenau. É presidente do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau (2006/2008). Autora de “Fel do Cio”, “Pensenes” e poesias adesivas. O poema multimídia de sua autoria, Mantrash, foi inserido no acervo virtual do Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque em 2004. Seu novo livro “Poemas para Além do Tempo” (HB Editora, 141 páginas, bilíngüe) apresenta poesias em português e inglês com prefácio do escritor Deonísio da Silva e recebeu o prêmio Livro do Ano da Sociedade Escritores de Blumenau em 2005



 

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