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Você pode
banhar-se no mesmo
rio diversas vezes.
Entretanto
nunca poderá banhar-se na mesma
água daquele rio duas
vezes.
Você poderá entrar no mesmo
rio diversas vezes.
Mas
você nunca será o
mesmo, a cada
vez que
nele entrar.
Assim
como a água de
um
rio que passa
por uma pequena
região, numa pequena
cidade
ao longo de diversas
gerações, somos nós.
A cada dia
temos novas
experiências
acerca de nós
mesmos
e estas experiências fazem
com
que sejamos diferentes
momento a momento.
As pessoas
sempre crêem que
não
mudam. Que como
pedra
são estáticas,
sólidas, impenetráveis.
Mas
somos água corrente.
Algumas vezes
límpidas e transparentes e
noutras, barrentas e lodosas. Em
alguma parte
de nossa vida
tornamo-nos sólidos e gelados,
noutras ficamos líquidos
e úmidos. Há
estágios
mais avançados
em
que a temperatura e o
estado se alteram, e transformamo-nos
em
vapor, em
gás,
em pleno
estado
de sublimação.
As pessoas
crêem que são
o rio.
Esquecem que
o rio é a água
que
nele corre e que
sem
o leito, os vales,
as
chuvas e temporais
nada
mais existiria no local
além de um
valo
seco.
Muitas pessoas
se transformam num vale seco.
Outras, numa
lagoa
de água estagnada e
mal-cheirosa.
O que
faz de nós rios
caudalosos, nutridores e belos?
Justamente
a certeza que
somos água
e não o rio. A
certeza
que sempre estaremos
exercendo nossa
função
enquanto seres
humanos.
Mas que para
chegarmos à sublimação, teremos
que
nos desapegar do
estado
de gelo sólido.
É a certeza que,
mesmo
estando passeando ao redor do
mundo,
feito nuvem, esperando
a hora de voltar
a ser
líquida, temos dentro de
nós
nossa essência,
nossa
natureza diferenciada e igual
a todos os demais
seres
humanos.
Nosso
corpo é composto de 70% de
líquidos, de água.
Somos como
o rio. Somos humanos
e nosso
estado de humanidade
nos
fará compreender que
hoje
eu sou assim,
amanhã
serei diferente. E
respeitar nossos
ciclos, nosso
movimento
em prol da
vida
que habita nosso
planeta.
Somos a água.
Jamais o rio...
Por
ROSANE MAGALY MARTINS em
19/04/06
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