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Resumo
No mundo estamos em todos os
momentos nos deparando com a morte e a vida. Dois paradoxos que nos
levam a refletir sobre as experiências contidas no nascer/vida e no
morrer. O objetivo do artigo que se segue é abordarmos reflexões sobre a
vida e a morte, como sendo experiências únicas e singulares do seres
humanos.
Palavras-chave: morte, vida,
experiências, singulares
Resumen
En el mundo estamos en todo
momento ante la muerte y la vida. Dos paradojas que nos llevan a
reflexionar sobre las experiencias contenidas en el nacimiento, vida y
muerte. El propósito del artículo que sigue es tratar reflexiones sobre
la vida y la muerte como experiencia natural y única de los seres
humanos.
Palabras clave: muerte, vida,
experiencias, naturales
Morte e vida
O que podemos entender quando
estamos diante da morte?. É inevitável que a dor e o desespero sejam
comuns diante desse fato. A morte não é
considerada algo estranho para o pensamento, contudo, não sabemos muito
sobre a mesma, detendo-nos então ao discurso comum que afirma que “há
três coisas que sabemos de maneira absolutamente certa: que morreremos,
que não sabemos o que isso significa e que nenhum homem jamais o
saberá”. (SÓCRATES, MONTAIGNE e PASCAL, apud CONCHE, 2000,
p.136).
A morte
é percebida de diferentes maneiras, e que a experiência se dá de forma
singular. Pessoas que se deparam com a perspectiva real da morte em
decorrência de patologias incuráveis ou que carreguem seu risco no
processo de tratamento experimentam o confronto com a possibilidade de
verem sua vida se extinguir diante de um tempo cronológico e emocional,
muitas vezes sendo-lhes imposto contato com sofrimento físico e psíquico
intenso.
Segundo CONCHE (2000), a morte é considerada um objeto possível do
pensamento: em primeiro lugar, um objeto, em segundo, um objeto
possível. Ou pensamos na morte, ou não pensamos. O pensamento está de um
lado e a morte, do outro. Com isso, o pensamento fica, como tal,
preservado da morte. O pensamento depara com a morte como um objeto
doloroso, de que é preciso se afastar se quisermos ser felizes. “Os
homens, por não terem podido livrar-se da morte,
da miséria, da ignorância, permitiram-se, para tornarem-se felizes, não
pensar nela” (CONCHE, 2000, p.135).
Com o advento do cristianismo
estabeleceu-se uma familiaridade com a morte. Tem-se medo de morrer sem
receber algum aviso prévio, para os seguidores do cristianismo,
importam, ao mesmo tempo, tanto lamentar a vida que vai quanto pedir
perdão aos companheiros, sobretudo os que rodeiam o moribundo. Nesse
período a morte era esperada no leito, o quarto do moribundo era um
lugar público, onde acontecia o ato dirigido pelo próprio moribundo, que
conhecia o rito e presidia a cena que ali desenrolava. As crianças eram
também levadas para assistir aos últimos momentos do moribundo. Nota-se
a grande diferença com os dias atuais, em que a morte nos amedronta a
tal ponto que evitamos falar dela e até dizer o seu nome, sobretudo ao
tratar com crianças. (CORRÊA, 2008).
Depois da Primeira Guerra
Mundial, a morte se desloca da casa, local que sempre vivera o
moribundo, onde estavam as suas raízes, as suas lembranças, os seus
familiares e os seus pertences, para um espaço de anonimato, para um
ambiente frio, vazio e desconhecido, o quarto de hospital. A partir
desse momento cada vez mais não se morre em casa, morre-se sozinho ou
entre desconhecidos nos leitos de hospitais. Essa situação vai atingir
até mesmo os mais pobres, que antes não tinham condições de ir a um
hospital para tratar de suas doenças. “Agora a ‘sociedade do
bem-estar’, através do decreto de que a saúde é direito de todo cidadão
e dever do Estado, tornará a morte um fenômeno burocrático e técnico”.
(CORRÊA, 2008: 33-34). Um fator relevante nos dias atuais e que
devemos por em prática é focar sempre na qualidade de vida do indivíduo,
mesmo que ele esteja no leito de morte, KÜBLER-ROSS (1998) escreve sobre
a possibilidade de que o paciente finde seus dias no “querido ambiente
familiar”, isto requer dele uma menor adaptação. Seus familiares o
conhecem perfeitamente para substituir um sedativo por um copo de seu
vinho predileto. A autora não menospreza os procedimentos utilizados
pelos hospitais, reconhece sua importância, mas entende que a paciência,
a presença dos familiares e a alimentação de casa poderiam substituir um
frasco de soro intravenoso.
Considerações finais
Diante do fato inevitável da
morte, faz-se necessário que ocorra um trabalho de humanização nos
hospitais e demais instituições que abrigam pessoas no leito de morte,
promovendo uma passagem/morte tranqüila e com qualidade de vida até os
últimos instantes.
Referências Bibliográficas
CONCHE, Marcel. Trad. Maria
José Perillo Isaac. Orientação Filosófica. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. ISBN 85-336-1223-0.
CORRÊA,
José de Anchieta. Morte. São Paulo: Globo, 2008. ISBN
978-85-250-4474-7.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Trad.
Paulo Menezes. Sobre a Morte e o Morrer. 8ª ed. São Paulo:
Martins Fontes, 1998. ISBN 85-336-0963-9.
* HENRIQUE, Adalberto Romualdo
Pereira Henrique. É acadêmico do 7º período do curso de Terapia
Ocupacional pela FAMINAS – Faculdade de Minas / Minas Gerais.
Como citar:
HENRIQUE, Adalberto Romualdo
Pereira. Morte e vida: experiências de formas singulares.
Revista P@rtes (São Paulo). V.00.
P.eletrônica. Julho de 2010. Disponível em <http://www.partes.com.br/reflexao/morteevida.asp>
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