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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 03 de julho de 2010 00:05:55                                               

 
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Reflexão

Morte e vida: experiências de formas singulares

   

Adalberto Romualdo Pereira Henrique *

publicado em 02/07/2010

 

Resumo

No mundo estamos em todos os momentos nos deparando com a morte e a vida. Dois paradoxos que nos levam a refletir sobre as experiências contidas no nascer/vida e no morrer. O objetivo do artigo que se segue é abordarmos reflexões sobre a vida e a morte, como sendo experiências únicas e singulares do seres humanos.
 

Palavras-chave: morte, vida, experiências, singulares


 

Resumen

En el mundo estamos en todo momento ante la muerte y la vida. Dos paradojas que nos llevan a reflexionar sobre las experiencias contenidas en el nacimiento, vida y muerte. El propósito del artículo que sigue es tratar reflexiones sobre la vida y la muerte como experiencia natural y única de los seres humanos.
 

Palabras clave: muerte, vida, experiencias, naturales


 

Morte e vida
 

O que podemos entender quando estamos diante da morte?. É inevitável que a dor e o desespero sejam comuns diante desse fato. A morte não é considerada algo estranho para o pensamento, contudo, não sabemos muito sobre a mesma, detendo-nos então ao discurso comum que afirma que “há três coisas que sabemos de maneira absolutamente certa: que morreremos, que não sabemos o que isso significa e que nenhum homem jamais o saberá”. (SÓCRATES, MONTAIGNE e PASCAL, apud CONCHE, 2000, p.136).

A morte é percebida de diferentes maneiras, e que a experiência se dá de forma singular. Pessoas que se deparam com a perspectiva real da morte em decorrência de patologias incuráveis ou que carreguem seu risco no processo de tratamento experimentam o confronto com a possibilidade de verem sua vida se extinguir diante de um tempo cronológico e emocional, muitas vezes sendo-lhes imposto contato com sofrimento físico e psíquico intenso.

           Segundo CONCHE (2000), a morte é considerada um objeto possível do pensamento: em primeiro lugar, um objeto, em segundo, um objeto possível. Ou pensamos na morte, ou não pensamos. O pensamento está de um lado e a morte, do outro. Com isso, o pensamento fica, como tal, preservado da morte. O pensamento depara com a morte como um objeto doloroso, de que é preciso se afastar se quisermos ser felizes. “Os homens, por não terem podido livrar-se da morte, da miséria, da ignorância, permitiram-se, para tornarem-se felizes, não pensar nela” (CONCHE, 2000, p.135).

Com o advento do cristianismo estabeleceu-se uma familiaridade com a morte. Tem-se medo de morrer sem receber algum aviso prévio, para os seguidores do cristianismo, importam, ao mesmo tempo, tanto lamentar a vida que vai quanto pedir perdão aos companheiros, sobretudo os que rodeiam o moribundo. Nesse período a morte era esperada no leito, o quarto do moribundo era um lugar público, onde acontecia o ato dirigido pelo próprio moribundo, que conhecia o rito e presidia a cena que ali desenrolava. As crianças eram também levadas para assistir aos últimos momentos do moribundo. Nota-se a grande diferença com os dias atuais, em que a morte nos amedronta a tal ponto que evitamos falar dela e até dizer o seu nome, sobretudo ao tratar com crianças. (CORRÊA, 2008).

Depois da Primeira Guerra Mundial, a morte se desloca da casa, local que sempre vivera o moribundo, onde estavam as suas raízes, as suas lembranças, os seus familiares e os seus pertences, para um espaço de anonimato, para um ambiente frio, vazio e desconhecido, o quarto de hospital. A partir desse momento cada vez mais não se morre em casa, morre-se sozinho ou entre desconhecidos nos leitos de hospitais. Essa situação vai atingir até mesmo os mais pobres, que antes não tinham condições de ir a um hospital para tratar de suas doenças. “Agora a ‘sociedade do bem-estar’, através do decreto de que a saúde é direito de todo cidadão e dever do Estado, tornará a morte um fenômeno burocrático e técnico”. (CORRÊA, 2008: 33-34). Um fator relevante nos dias atuais e que devemos por em prática é focar sempre na qualidade de vida do indivíduo, mesmo que ele esteja no leito de morte, KÜBLER-ROSS (1998) escreve sobre a possibilidade de que o paciente finde seus dias no “querido ambiente familiar”, isto requer dele uma menor adaptação. Seus familiares o conhecem perfeitamente para substituir um sedativo por um copo de seu vinho predileto. A autora não menospreza os procedimentos utilizados pelos hospitais, reconhece sua importância, mas entende que a paciência, a presença dos familiares e a alimentação de casa poderiam substituir um frasco de soro intravenoso.


 

Considerações finais

Diante do fato inevitável da morte, faz-se necessário que ocorra um trabalho de humanização nos hospitais e demais instituições que abrigam pessoas no leito de morte, promovendo uma passagem/morte tranqüila e com qualidade de vida até os últimos instantes.
 


 

Referências Bibliográficas
 

CONCHE, Marcel. Trad. Maria José Perillo Isaac. Orientação Filosófica. São Paulo: Martins Fontes, 2000. ISBN 85-336-1223-0.
 

CORRÊA, José de Anchieta. Morte. São Paulo: Globo, 2008. ISBN 978-85-250-4474-7.
 

KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Trad. Paulo Menezes. Sobre a Morte e o Morrer. 8ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. ISBN 85-336-0963-9.


 

* HENRIQUE, Adalberto Romualdo Pereira Henrique. É acadêmico do 7º período do curso de Terapia Ocupacional pela FAMINAS – Faculdade de Minas / Minas Gerais.


Como citar:

HENRIQUE, Adalberto Romualdo Pereira. Morte e vida: experiências de formas singulares. Revista P@rtes (São Paulo). V.00. P.eletrônica. Julho de 2010. Disponível em <http://www.partes.com.br/reflexao/morteevida.asp>


 

 
  

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