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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 03 de setembro de 2010 21:53:14                                               

 
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Reflexão

O paralelismo entre o narcisismo e a televisão

   

Igor Chiesse Alves de Oliveira*

publicado em 01/03/2010

 


 

Resumo: Este artigo possui como base central, um estudo de comportamentos midiáticos elevados ao nível televisivo sobre os aspectos narcisistas divulgados por atores e elementos chave das mídias em geral juntamente com a televisão, fazendo os tornar grandes ícones de representações exibicionistas e símbolos de imagem de amor próprio em grande demasia incutida pela representação televisiva. O estudo deste artigo é justamente analisar de forma psicológica a atuação da televisão com estes atores sociais investidos por companhias televisivas de modo que façam refletir a cultura narcisista presente nos ramos do entretenimento de forma profunda e autocrítica.

Palavras-Chave : Televisão;Narcisismo;Comportamento;Exibicionismo


 

Abstract : This article has as a central basis, conduct a study of high-level media show about the narcissistic aspects disclosed by actors and key elements of the media in general with the TV, making them make great icons of symbols and representations exhibitionistic image of self-esteem too large inculcated by television representation. The study of this article is to examine in the psychological operation of television with these social actors invested companies television so they do reflect the narcissistic culture in this branch of entertainment in a deep self-criticism.

No ramo televisivo, muitos atores, diretores, protagonistas de programas de auditório e todo tipo de pessoas ligadas à imagem a ser passada para os demais telespectadores, se mostram de forma auto-analista de comportamentos e bases narcísicas. Uma exploração infundada de critérios e formas de lidar com os públicos, que contrapõem os valores psicológicos estudados sobre as formas de estudam estes fatores de exibição em excesso, vaidade extrema, auto-suficiência em comprovar que é capaz de tudo neste mundo e autoritarismo, são alguns exemplos de como a mídia controla os fatores sociais aplicadas ao narcisismo. Alguns arriscam em entrevistas de celebridades se intitularam grandes artistas de porte nacional e até mesmo internacional. O que levaria estas pessoas se auto-afirmarem como modelos narcísicos de uma sociedade midiática. Quem elege estas pessoas grandes estrelas em uma constelação chamada televisão? A proposta deste artigo é estudar o fenômeno televisivo juntamente com fatores psicológicos e embasamentos teóricos que citem a proposta de estudo que torna extremamente claro a ligação de narcisismo e televisão juntos em uma sociedade. Para a realização deste artigo proposto, foi utilizada uma pesquisa do tipo exploratória qualitativa, através de opiniões, valores, comparações e interpretações.


 


 

  1. O Narcisismo e as suas definições


 

O narcisismo surgiu como termo oriundo das mitologias gregas, na qual narra uma história de um jovem esbelto chamado Narciso, na qual desprezou o amor da ninfa Eco para ficar condenado a amar a sua própria imagem e semelhança em grande excesso, levando assim o caminho até a sua morte afogado por tentar estar amando a si mesmo neste amor impossível. Morreu afogado em seu próprio reflexo, sendo intitulado desde então o termo narcisismo para as pessoas que se amam demais, ou seja, pessoas que possuem uma paixão doentia em grande excesso pelo eu próprio.

Mesmo depois de uma grande virada do tempo, estudiosos ainda pressentiam que o efeito narcisismo na sociedade ainda era muito comum a ser notado. A auto-importância, a beleza a ser destacada sempre por ser a mais notada, a forma como são admirados e conquistam pessoas fazem parte de um rito narcísico que estuda estas paixões pela própria imagem de forma até mesmo sendo auto-críticas e psicológica.

O primeiro estudioso a afirmar a existência real do narcisismo de forma vaidosa / egoísta em uma sociedade foi Havelock Ellis, em 1898, na tentativa de explicar o comportamento feminino diante do espelho. Em 1899, Paul Näcke inseriu esta palavra na esfera psiquiátrica para introduzir um novo tipo de perversão – o amor pela própria imagem. Mas foi com Sigmund Freud que a visão de narcisismo em uma sociedade pôde ser mais detalhada e delineada como objeto de estudo comportamental.

O eu encontra-se originariamente, no começo da vida psíquica, investido por pulsões e é em parte capaz de satisfazê-las em si mesmo. Denominamos este estado de ‘narcisismo’, e essa forma de obter satisfação de auto-erótica. Nesta época o mundo externo não é investido com interesse e é indiferente à satisfação. Portanto, durante este período o eu coincide com o que é prazeroso, e o mundo externo com o que é indiferente. ( FREUD , 2006 , p.120-1 )


 

Sigmund Freud analisou detalhadamente como o pensamento narcísico de uma sociedade é auto-avaliativa para as determinantes estruturais de um sujeito. As formas narcísicas ladeadas com desejos e libidos estruturais de caráter amoroso do eu com a própria imagem.

Se escutarmos com afinco as acusações que o paciente se faz, chega um momento em que não é possível evitar a impressão de que as mais violentas correspondem muito pouco a sua própria pessoa e, muitas vezes, com pequenas modificações, ajustam-se a outra pessoa a quem o paciente ama, amou ou deveria amar. (FREUD, 2006 , p. 245).


 

O narcisismo é um fenômeno global. Muitas pessoas são adeptas deste rito já proposto cultural que enraíza as finalidades de serem expostas e admiradas em qualquer setor de produtividade. Nos setores televisivos e segmentos ligados a comunicação e visualização do personagem, o sujeito narcísico não perde a oportunidade de mostrar-se diante a um espelho totalmente adequado no ponto que se encontra para estar visível aos demais querendo tornar-se ponto de admiração em uma sociedade.

Como a imagem de Narciso no espelho, o simulacro é inicialmente um duplo ou uma duplicação do real. A imagem no espelho pode ser o reflexo de um certo grau de identidade do real, pode encobrir ou deformar essa realidade, mas também pode abolir qualquer idéia de identidade, na medida em que não se refira mais a nenhuma realidade externa, mas a si mesmo, a seu próprio jogo simulador. ( SODRÉ , 1984 , p.29 ).


 

Fatores como amor próprio, o eu sempre em grande destaque, a busca por admiradores e sempre amado por onde quer que passe, torna-se uma personalidade típica narcisista, na qual o ser de todas as formas pretende mostrar aos demais que é o mais belo, o mais destacado, o mais inteligente, o mais potencial em todos os sentidos de um modo tão pretensioso e infundado, que podem trazer ao narcísico uma imagem de negação de sociedade quando o mesmo é afrontado pelos demais membros da sociedade indo contra os argumentos propostos na sua eternização.

A eternização do eu é o ponto básico de todo narcisismo. Mas também implica o desejo do sujeito de ser irrestritamente amado. E no amor o que o parceiro extrai do outro, é a si mesmo, enquanto imagem. Isto confere ao amor , à paixão intersexual, um caráter homossexualizante.( SODRÉ , 1984 , p.74 ).


 

  1. A Televisão como elemento narcísico ideal


 

A televisão em si, é um grande canal para narcisistas praticarem as suas performances do eu em destaque e divulgar para a sociedade em geral o quanto são belos e importantes no cenário. A televisão, as mídias de qualquer forma de exposição atuam no conjunto de significados e meios que não somente mostram as mensagens, mas inclui outra gama de derivações que apontam pensamentos narcísicos.

Numa cultura como a nossa, há muito acostumada a dividir e estilhaçar todas as coisas como meio de contro-lá-las , não deixa, às vezes, de ser um tanto chocante lembrar que, para efeitos práticos e operacionais, o meio é a mensagem. ( MCLUHAN ,1969,p.21 )


 

Em grandes casos, acontece uma exposição muito forte em relação à imagem a ser passada. O sujeito narcísico passa a olhar mais freqüentemente para os meios de comunicação e descobre de um ponto de vista de identificação os heróis, personagens excepcionais/incríveis como meta ideal para o sujeito idealizar-se. Mudança de valores e posturas de acordo com as representações e identificações no espelho do eu em destaque para estar mais admirado e prestigiado.

Assim como o individuo indentifica-se com a sua imagem especular ( mito de Narciso ), é também suscetível de se identificar ( horizontalmente ) com o semelhante a si no “ espelho ” televisivo. Mais ainda: Identifica-se ( verticalmente ) com as idéias e modelos. Em termos psicanalíticos, trata-se das identificações com o eu ideal ( heróis , personagens excepcionais ou prestigiosos ) e com o ideal do eu ( figuras parentais e autoridade, objetos de amor , ideais coletivos ) ou ainda o superego, instância interditora que representa internamente tanto as proibições parentais como as tradições e os valores geracionais. ( SODRÉ ,1987,p.51 )

A televisão atua como gancho criativo e influenciador de uma sociedade. Ela dita valores, regras, costumes e filosofia de vida a ser seguido. O papel do telespectador sempre é de acompanhar um segmento e sentir-se interagido com o que é passado, suas funções são acompanhar e tradicionalmente seguir-se de ritos para dar vazão ao programa de entretenimento exibido. O que faz destas pessoas ícones de multidões inter-ligadas em celebridades e personalidades do entretenimento e poder de público? Estas pessoas, ícones de representação artística ou da indústria do entretenimento, ou simplesmente uma gama de pessoas que compõem esta indústria, são pessoas, atores sociais que basicamente adotam da filosofia narcísica para poder dar sentido as suas vidas. É necessário estar exposto, ser noticiado, ser aplaudido e reverenciado para poder satisfazer-se do enorme ego do eu interno e tornar-se influência indireta ou diretamente.


 

Há razões para desconfiar que o verdadeiro significado das comunicações de massa na sociedade reside não em seus efeitos imediatos sobre audiências específicas, mas nas influências indiretas, sutis e a longo prazo que têm a cultura humana e a organização da vida social. (DE FLEUR & BALL- ROKEACH, 1993, p.319 )


 

São essas as influências diagnosticadas que apontam que a televisão é um gancho de exposição de influenciadores e influenciados. A televisão mostra de forma rítmica como devemos agir, com quem devemos nos relacionar, quando e como podemos incutir valores. Isto até mesmo sendo expostas por atores ou seres ligados as artes que expõem suas opiniões em forma disparada de um script de uma vida sem contar com uma análise sociológica de valores.


 

A análise sociológica do comportamento humano principia com uma compreensão da natureza dos grupos humanos. O postulado fundamental das explicações sociológicas é que a modelagem estável de interação social humana é o que dá sentido a conduta humana. Na maior parte das circunstâncias da vida, quando as pessoas escolhem uma linha de ação a adotar, suas primeiras considerações são acerca das expectativas dos outros e de suas prováveis respostas. Simplificando, as pessoas se preocupam com “o que outras pessoas vão pensar” – acerca das aprovações, reprovações, recompensas, castigos, reconhecimento ou vergonha que seus atos possam provocar. (DE FLEUR & BALL-ROKEACH ,1993,p.238 )


 


 

Considerações Finais:

Através do estudo deste artigo, foi possível analisar como os meios de comunicação e as filosofias narcísicas estão lado a lado sintonizadas pelo fator cultura em uma sociedade. No narcisismo o belo, o melhor, o mais capaz é demonstrado na televisão com os seus heróis, modelos e galãs de tele-novelas capazes de proporcionar aos demais telespectadores uma imagem de pessoa modelo. A televisão por sua vez, força os demais atores sociais a estarem inseridos em algum tipo de segmento ou ordem de identificação para estarem trabalhando o eu interno nos campos midiáticos. Pode-se comprovar em demasia que programas que exploram beleza, auto-suficiência, um controle sobre tudo, autoritarismo e postura de líderes plenos, adota de princípios narcísicos em continuidade aos pensamentos já ligados pela sociedade como valores comuns. A televisão influencia os membros de uma sociedade a serem moldados com os valores narcísicos. O mais belo é o mais chamativo, o mais forte é capaz de liderar com precisão e afins. Através de estudiosos com analises psicanalíticas pode-se comprar que narcisismo é um fator comum em uma sociedade inter-ligada com a televisão. O Narciso é preciso ser o melhor de todos para sentir-se bem com o eu e a televisão precisa expor o melhor do Narciso para divulgar aos seus telespectadores e pega-los como molde a seguir. Uma é determinante para o funcionamento da outra em uma sociedade ditada por valores filosoficamente televisivos.


 

Referências:

DE FLEUR, Melvin & BALL-ROKEACH, Sandra. Teorias da comunicação de massa. Ed. Jorge Zahar Editor. 1993

FILHO , Ciro. Televisão a vida pelo vídeo. São Paulo. Ed.Moderna.1989.

FREUD, Sigmund . O Inconsciente. In: FREUD, S. Escritos sobre a psicologia do inconsciente. v. 2. Rio de Janeiro: Ed.Imago. 2006

MANNHEIM, Kalr. Diagnóstico de nosso tempo. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar Editor. 1973

MCLUHAN , Marshall. Os meios de comunicação – como extensões do homem. São Paulo. Ed.Cultrix. 1969.

SEVERIANO , Maria & ESTRAMIANA , José. Consumo , Narcisismo e identidades conteporâneas. Rio de Janeiro. Ed.Uerj.2006

SODRÉ , Muniz. A máquina de Narciso. Rio de Janeiro. Ed.Achiamé.1984.

SODRÉ , Muniz. Televisão e Psicanálise. São Paulo. Ed.Ática.1987.


 

 

* Igor Chiesse Alves de Oliveira é graduado em Comunicação Social – Ênfase em Publicidade e Propaganda - UBM, Pós Graduando em Gerenciamento de Projetos da Tecnologia de Informação – UGF e cursa MBA Profissional em Gestão Administrativa e Marketing – ESAB. É escritor, com 6 e-books publicados via world web.


 

Como citar:
OLIVEIRA, Igor Chiesse Alves de. O paralelismo entre o narcisismo e a televisão. P@rtes (São Paulo) Março de 2010. Disponível em: <www.partes.com.br/reflexao/narcisismoetelevisao.asp> Acesso em: __/__/__.
 

 

 
  

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::sobre o autor::
Igor Chiesse Alves de Oliveira é graduado em Comunicação Social – Ênfase em Publicidade e Propaganda ( UBM ) , Pós Graduando em Gerenciamento de Projetos da Tecnologia de Informação pela ( UGF ) e escritor com 6 e-books publicados via world web.
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