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Veritá Effettuale, ou verdade efetiva, é um conceito utilizado por
Maquiavel, em O príncipe, para justificar as ações de dominação de um
chefe sobre sua nação. Segundo o autor, devemos examinar a realidade
como ela é, e não como gostaríamos que fosse, razão pela qual, explica,
seria lícito um líder valer-se de quaisquer métodos, inclusive escusos,
para manter a ordem e garantir sua soberania. Em resumo, ter “sabedoria
para agir conforme as circunstâncias”. Apesar de vastamente criticada, a
máxima ainda anda em voga na maioria dos governos. E das mídias, claro.
A pressão exercida por parte da imprensa (atente para a palavra parte),
em alguns casos – como, por exemplo, o Satiagraha – quase nos faz crer
que determinados profissionais estejam de fato sequiosos de justiça. Não
se iluda, leitor. Trata-se, no mais das vezes, de tapas de luvas (em
certos embates outros objetos menos delicados) entre girondinos e
jacobinos do chamado quarto poder – o que, se não é sempre saudável, ao
menos serve para esclarecer, quando cuidamos de peneirar as informações.
Questão de pesos e medidas. É melhor julgar o excesso que a falta, não?
Um aparte, pelo visto, é o da PRP 92/07, lei complementar que se ocupa
da criação da Fundação Estatal do Direito Privado para áreas
estratégicas como saúde, assistência social e meio ambiente, entre
outros. Amor e ódio sim, mas apenas entre os principais interessados. Se
pesquisarmos sobre o assunto, encontraremos vários vestígios do duelo
entre funcionalismo público e publicações governamentais, contra e a
favor, respectivamente, de sua aprovação. Os veículos ditos imparciais,
entretanto, optaram por transcrever os fatos sem muitos detalhes, ou,
mais especificamente, como habitual, sem apresentar de modo satisfatório
suas implicações, o que não deixa de ser uma tomada de posição. Foram
matérias, via de regra, como essa do Globo (vide
link:) que expuseram o
tema de forma genérica e disfarçadamente – ou não tanto assim –
partidária. Mantendo ao largo a emblemática discussão Estado x
Capitalismo (enfraquecimento do aparato estatal, “privatização” de
setores-chave, etc.), se a publicação era eqüitativa, peca por não
apresentar algumas das principais contradições entre os argumentos: se
por um lado findam-se as regalias do funcionalismo público, que passaria
a ter seu desempenho constantemente avaliado e cumpriria metas como
qualquer classe de trabalhadores regidos pela CLT, por outro essa
flexibilização na contratação acarretaria a criação de ambiente propício
às indicações e trocas de cargos entre aliados políticos, em negociações
de apoio. Ainda que fosse “desburocratizado” o atendimento nos hospitais
universitários, vagas gratuitas diminuiriam em função da necessidade de
leitos particulares. Temática de tal monta, aliás, deveria ser incitada
a tornar-se discussão popular, quiçá definida através de plebiscito,
onde pudesse prevalecer a opinião da maioria (uma forma de a sociedade
exercitar o direito de decidir sobre o que lhe diz respeito), sob a
batuta de analistas atuantes, mesmo que DECLARADAMENTE a seu favor, ou
contra. E o povo que fizesse seu dever de casa e tratasse de pesquisar
para escolher a opção conveniente.
Trabalhoso e injusto? Talvez. Mais simples, no entanto, que esperar que
comunicadores auto-entitulados neutros atuem genuinamente como
auxiliares na articulação de idéias que objetivam pura e simplesmente a
elucidação da população. Afinal, em se tratando de certos meios, “todos
vêem aquilo que pareces, (mas infelizmente) pouco sentem o que és”.
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