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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 17:58:17                                               

 
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Reflexão

O Processo de criação em um ambiente burocrático

   

Igor Chiesse Alves de Oliveira

publicado em 20/01/2010

 

Resumo: Este artigo possui como base central, uma análise dos ambientes de trabalho padronizados e burocráticos nas etapas ou processos derivados do uso de profissionais de criação. Tem a finalidade também de mostrar que os ambientes burocráticos, podem atrapalhar os resultados dos processos de criação e fazê-los tornar um trabalho movido à padronização sem novos conceitos ou fórmulas inspiradoras e motivadoras, que façam o profissional de criação sentir-se interligado com o seu meio.

Palavras-Chave : Criação;Burocracia;Artista;Produtividade


 

Abstract : This article has as a central basis, an analysis of workplace standard and bureaucratic stages or processes derived from the use of creative professionals. It is intended also to show that bureaucratic environments, can skew results of the creative processes and make them make a move to standardize work without new concepts or formulas inspiring and motivating them to do the work of creation to feel connected with the their environment.


 

É evidentemente certeiro, que uma corporação ou empresa que ainda adote de metodologias de trabalhos executadas aos moldes feudais, na qual os operários jamais poderiam incutir suas próprias criações, tendem a estar desacelerando diante um processo global de evolução das linhagens de trabalho ou de pensamento humano. Empresas e corporações em geral, que possuem funcionários creditados para os serviços de: artes , comunicação e publicidades em geral, de forma totalmente livre e aberta para o criador das obras em questão, está ligando o seu público interno/externo e ainda finalizando ainda mais um elo mais elaborado com o seu potencial consumidor dos serviços prestados. Um processo de criação para ser pleno, deve estar movido à inspiração e livre uso de ferramentas e novos conceitos elaborados a critério do profissional de criação para que toda a forma de visualização da sua obra, além de estar de acordo com o imaginado pelo profissional, possa atender as reais necessidades do motivo de sua criação. Seria possível realizar uma criação plena, eficaz e esteticamente bonita ou inovadora em um local padronizado e burocrático? Esta é a pergunta central para a formulação dos conceitos deste artigo científico. Para a realização deste artigo proposto, foi utilizada uma pesquisa do tipo exploratória qualitativa, através de opiniões, valores, comparações e interpretações.


 

  1. O padrão burocrático no setor da criação


 

Como realizar um grande feito no ramo das criações, tendo que trabalhar em um ambiente totalmente burocrático, sem poder contar com inovações e afins para uma criação de arte mais adequada? Enfim, vários processos de criações em empresas, nos departamentos de comunicação, assessoria de imprensa “quando utilizam de campanhas ou materiais de criação para serem distribuídos aos demais setores ” ou outros segmentos que utilizem algum tipo de criação, seja estas etapas em : Mídia impressa , televisiva , comunicação e publicidades internas e externas ou qualquer outro tipo de arte que possa ser classificado como processo de criação.

Muitas organizações são voltadas exclusivamente para o padrão burocrático dos seus funcionários. Todos os funcionários, inclusive os que trabalham em departamentos de artes ou marketing em si que lidam com uma identidade visual do público externo e interno, acabam sendo rotulados assim como os demais funcionários, como um funcionário qualquer ou um funcionário padrão. O erro das grandes corporações e das empresas em geral, é não atentar-se para o fato que estes profissionais carregam toda a identidade visual da empresa que exercem suas qualidades artísticas e porque não dizer, suas qualidades profissionais.

Tratando de burocracia, podemos dizer que é um estado de trabalho altamente mecânico, sem qualquer poder de inovação ou adequação de novos conceitos ou idéias que fomentam uma nova linhagem de pensamento ou exercício de uma profissão.

Em uma empresa burocrática, o principal responsável pelo sucesso de uma organização é o diretor-presidente. Logo abaixo do diretor-presidente, em termos de responsabilidade pelo sucesso da empresa, vêm os gerentes de alto nível, seguidos dos gerentes de nível médio, depois os supervisores e , finalmente (quando chegam a receber algum crédito), os empregados que não participam da gerência . (JOHNSTON ,1994, p.110)


 

Analisando o fato dos profissionais de criação, inseridos em um ambiente burocrático, pode-se dizer que muitos acabam perdidos neste setor que somente focam os mais gabaritados e renomados em questão para serem exemplos vistos para os demais funcionários nas empresas. Profissionais que não adotem este sistema burocrático acabam sendo excluídos do sistema e muitas das vezes, sendo demitidos por incompatibilidade com a empresa ou corporação em questão. Este modelo burocrático impede de certo modo, os profissionais que lidam com criações e artes, de expressarem suas concepções e modos de enxergar o que gira em torno de si mesmo.

“Aparentemente, um dos preceitos básicos da burocracia é que toda ambigüidade é intolerável e deve ser desfeita. As coisas têm de ser brancas ou pretas; não há lugar para o cinzento”. (JOHNSTON , 1994, p.142 )

2 A verdadeira finalidade da criação


 

Um processo de criação de uma arte ou afins, não deve ser rotulado ou posto como um script, na qual o responsável pela criação use apenas os embasamentos citados por outros departamentos para uma criação “plena”. Uma criação que não é livre de pensamentos ou de exercício mental do próprio criador acaba tornando apenas uma reprodução visual com algum conteúdo para os demais atentarem, e não uma arte em si como deveria ser além de informar ou fazer os demais observarem com admiração e com curiosidade.

O potencial criador elabora-se nos múltiplos níveis do ser sensível-cultural-consciente do homem, e se faz presente nos múltiplos caminhos em que o homem procura captar e configurar as realidades da vida. Os caminhos podem cristalizar-se e as vivências podem integrar-se em formas de comunicação , em ordenação concluídas , mas a criatividade como potência se refaz sempre. A produtividade do homem , em vez de esgotar, liberando-se , se amplia ( OSTROWER , 2004 , p.27 ).


 

A força da criação depende de variados fatores e inspirações do criador para poder dedicar toda sua capacidade artística no seu objeto de trabalho. Em um ambiente totalmente burocrático e padronizado, este fator inspiração pouco pode ser usado, visto que a empresa é um modelo padrão que não pode ser mudada ou inovada em qualquer forma de arte ou processo de criação em que esteja envolvida direta ou indiretamente.

Pensar na inspiração como um instante aleatório que venha desencadear um processo criativo , é uma noção romântica. Não há como a inspiração possa ocorrer desvinculada de uma elaboração já em curso de um engajamento constante e total , embora talvez não consciente (OSTROWER , 2004 , p.72 ).


 

O processo de criação deve ser neutro e livre para os executores em questão, para que possa ocorrer uma fonte de inspiração na hora da criação e os processos derivados. O ambiente muitas das vezes, acaba influenciando uma obra ou fazendo ela tornar-se pouco atraente ou chamativa por usar o modelo burocrático ou padronizado em outras metodologias. O setor da criação, tratando-se de Publicidades em geral, deve ser extremamente livre e propenso de idéias ou novas concepções para que os criadores das peças publicitárias possam exercer seu oficio de forma totalmente engajada na questão, evitando assim eventuais problemas com o público receptor.

Um artista ao criar uma obra constrói uma mensagem a partir de um vocabulário visual e de um repertório de símbolos que possui dentre outros uma função estética. O público/receptor estabelece uma comunicação quando consegue decodificar e entender a mensagem. Mas, se o artista e o público estão distanciados por contextos ou repertórios diferenciados, a comunicação pode não estabelecer, ou o receptor pode atribuir à obra uma função aberta, estabelecendo novos significados. (VALESE,2001,p.72 )


 

Em grandes casos, acontece exatamente este fator de diferença do público externo e receptores com algumas obras criadas, na qual fica evidentemente claro a distância do público com a obra criada. Tratando-se de ambientes padronizados e burocráticos, os mesmos critérios podem ser desencadeados, visto que o livre uso do profissional de criação jamais poderia usar suas concepções para o livre trabalho de inspiração em uma obra completamente idealizada, pensada, trabalhada e criada exclusivamente pelo profissional criador, e não lidada com questões padronizadas tornando o trabalho de criação apenas um ganho de ligação com determinados tipos de públicos.


 

Considerações Finais:

O processo de criação em um ambiente burocrático acaba sendo demonstrado como um exercício não autêntico do criador em questão. Um sistema padronizado de empresas, na qual o processo de inspiração, adequação por parte dos profissionais de criação não possam ser utilizados ou levantados em questão, faz ainda mais analogia ao tema distanciado entre criação e burocracia, na qual uma exclusivamente não consegue trabalhar plenamente ao lado da outra. Burocracia é algo padrão, sem mudanças de escalas ou conceitos. Criação é um processo inovador. A cada instante, necessita de eventuais mudanças, conceitos, novas formulações, novos usos e exercícios para ligar um gancho entre o público geral como um todo. Ambas, traduzem diferentemente seus preceitos, na qual fica evidentemente claro que para uma melhor adequação de um processo de criação, deve estar distante de um padrão burocrático para poder levantar novos métodos e conceitos inovadores para assim, poder inserir o verdadeiro uso e espírito da inspiração, o ato de criar.


 

Referências:

CONTRERA, Malena. Publicidade e cia. Ed.Thomson.2003

JOHNSTON, Kenneth.Derrote a burocracia. Rio de Janeiro. Ed.Ediouro.1994.

MAFFESOLI, M. No fundo das aparências. Petrópolis. Ed.Vozes.1996.

MORAIS, F. Arte é o que eu e você chamamos arte. Rio de Janeiro. Ed.Record. 1998.

OSTROWER, Fayga. Criatividade e o processo de criação. Ed.Vozes.2004.

VALESE, A. Arte & o Design : O processo de criação em expressão Tridimensional. São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado) – Universidade Anhembi-Morumbi.
 

 

Como citar:
OLIVEIRA
, Igor Chiesse Alves de. O processo de criação em um ambiente burocrático. P@rtes (São Paulo) Janeiro de 2010. Disponível em: <www.partes.com.br/reflexao/processodecriacao.asp> Acesso em: __/__/__.
 

 

 
  

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::sobre o autor::
Igor Chiesse Alves de Oliveira é graduado em Comunicação Social – Ênfase em Publicidade e Propaganda ( UBM ) , Pós Graduando em Gerenciamento de Projetos da Tecnologia de Informação pela ( UGF ) e escritor com 6 e-books publicados via world web.
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