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Resumo: Este artigo
possui como base central, uma análise dos ambientes de trabalho
padronizados e burocráticos nas etapas ou processos derivados do uso de
profissionais de criação. Tem a finalidade também de mostrar que os
ambientes burocráticos, podem atrapalhar os resultados dos processos de
criação e fazê-los tornar um trabalho movido à padronização sem novos
conceitos ou fórmulas inspiradoras e motivadoras, que façam o
profissional de criação sentir-se interligado com o seu meio.
Palavras-Chave : Criação;Burocracia;Artista;Produtividade
Abstract :
This article has as a central basis, an
analysis of workplace standard and bureaucratic stages or processes
derived from the use of creative professionals. It is intended also to
show that bureaucratic environments, can skew results of the creative
processes and make them make a move to standardize work without new
concepts or formulas inspiring and motivating them to do the work of
creation to feel connected with the their environment.
É evidentemente certeiro, que
uma corporação ou empresa que ainda adote de metodologias de trabalhos
executadas aos moldes feudais, na qual os operários jamais poderiam
incutir suas próprias criações, tendem a estar desacelerando diante um
processo global de evolução das linhagens de trabalho ou de pensamento
humano. Empresas e corporações em geral, que possuem funcionários
creditados para os serviços de: artes , comunicação e publicidades em
geral, de forma totalmente livre e aberta para o criador das obras em
questão, está ligando o seu público interno/externo e ainda finalizando
ainda mais um elo mais elaborado com o seu potencial consumidor dos
serviços prestados. Um processo de criação para ser pleno, deve estar
movido à inspiração e livre uso de ferramentas e novos conceitos
elaborados a critério do profissional de criação para que toda a forma
de visualização da sua obra, além de estar de acordo com o imaginado
pelo profissional, possa atender as reais necessidades do motivo de sua
criação. Seria possível realizar uma criação plena, eficaz e
esteticamente bonita ou inovadora em um local padronizado e burocrático?
Esta é a pergunta central para a formulação dos conceitos deste artigo
científico. Para a realização deste artigo proposto, foi utilizada uma
pesquisa do tipo exploratória qualitativa, através de opiniões, valores,
comparações e interpretações.
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O padrão burocrático no
setor da criação
Como realizar um grande feito
no ramo das criações, tendo que trabalhar em um ambiente totalmente
burocrático, sem poder contar com inovações e afins para uma criação de
arte mais adequada? Enfim, vários processos de criações em empresas, nos
departamentos de comunicação, assessoria de imprensa “quando utilizam de
campanhas ou materiais de criação para serem distribuídos aos demais
setores ” ou outros segmentos que utilizem algum tipo de criação, seja
estas etapas em : Mídia impressa , televisiva , comunicação e
publicidades internas e externas ou qualquer outro tipo de arte que
possa ser classificado como processo de criação.
Muitas organizações são
voltadas exclusivamente para o padrão burocrático dos seus funcionários.
Todos os funcionários, inclusive os que trabalham em departamentos de
artes ou marketing em si que lidam com uma identidade visual do público
externo e interno, acabam sendo rotulados assim como os demais
funcionários, como um funcionário qualquer ou um funcionário padrão. O
erro das grandes corporações e das empresas em geral, é não atentar-se
para o fato que estes profissionais carregam toda a identidade visual da
empresa que exercem suas qualidades artísticas e porque não dizer, suas
qualidades profissionais.
Tratando de burocracia,
podemos dizer que é um estado de trabalho altamente mecânico, sem
qualquer poder de inovação ou adequação de novos conceitos ou idéias que
fomentam uma nova linhagem de pensamento ou exercício de uma profissão.
Em uma empresa burocrática, o
principal responsável pelo sucesso de uma organização é o
diretor-presidente. Logo abaixo do diretor-presidente, em termos de
responsabilidade pelo sucesso da empresa, vêm os gerentes de alto nível,
seguidos dos gerentes de nível médio, depois os supervisores e ,
finalmente (quando chegam a receber algum crédito), os empregados que
não participam da gerência . (JOHNSTON ,1994, p.110)
Analisando o fato dos
profissionais de criação, inseridos em um ambiente burocrático, pode-se
dizer que muitos acabam perdidos neste setor que somente focam os mais
gabaritados e renomados em questão para serem exemplos vistos para os
demais funcionários nas empresas. Profissionais que não adotem este
sistema burocrático acabam sendo excluídos do sistema e muitas das
vezes, sendo demitidos por incompatibilidade com a empresa ou corporação
em questão. Este modelo burocrático impede de certo modo, os
profissionais que lidam com criações e artes, de expressarem suas
concepções e modos de enxergar o que gira em torno de si mesmo.
“Aparentemente, um dos
preceitos básicos da burocracia é que toda ambigüidade é intolerável e
deve ser desfeita. As coisas têm de ser brancas ou pretas; não há lugar
para o cinzento”. (JOHNSTON , 1994, p.142 )
2 A verdadeira finalidade da
criação
Um processo de criação de uma
arte ou afins, não deve ser rotulado ou posto como um script, na qual o
responsável pela criação use apenas os embasamentos citados por outros
departamentos para uma criação “plena”. Uma criação que não é livre de
pensamentos ou de exercício mental do próprio criador acaba tornando
apenas uma reprodução visual com algum conteúdo para os demais
atentarem, e não uma arte em si como deveria ser além de informar ou
fazer os demais observarem com admiração e com curiosidade.
O potencial criador elabora-se
nos múltiplos níveis do ser sensível-cultural-consciente do homem, e se
faz presente nos múltiplos caminhos em que o homem procura captar e
configurar as realidades da vida. Os caminhos podem cristalizar-se e as
vivências podem integrar-se em formas de comunicação , em ordenação
concluídas , mas a criatividade como potência se refaz sempre. A
produtividade do homem , em vez de esgotar, liberando-se , se amplia (
OSTROWER , 2004 , p.27 ).
A força da criação depende de
variados fatores e inspirações do criador para poder dedicar toda sua
capacidade artística no seu objeto de trabalho. Em um ambiente
totalmente burocrático e padronizado, este fator inspiração pouco pode
ser usado, visto que a empresa é um modelo padrão que não pode ser
mudada ou inovada em qualquer forma de arte ou processo de criação em
que esteja envolvida direta ou indiretamente.
Pensar na inspiração como um
instante aleatório que venha desencadear um processo criativo , é uma
noção romântica. Não há como a inspiração possa ocorrer desvinculada de
uma elaboração já em curso de um engajamento constante e total , embora
talvez não consciente (OSTROWER , 2004 , p.72 ).
O processo de criação deve ser
neutro e livre para os executores em questão, para que possa ocorrer uma
fonte de inspiração na hora da criação e os processos derivados. O
ambiente muitas das vezes, acaba influenciando uma obra ou fazendo ela
tornar-se pouco atraente ou chamativa por usar o modelo burocrático ou
padronizado em outras metodologias. O setor da criação, tratando-se de
Publicidades em geral, deve ser extremamente livre e propenso de idéias
ou novas concepções para que os criadores das peças publicitárias possam
exercer seu oficio de forma totalmente engajada na questão, evitando
assim eventuais problemas com o público receptor.
Um artista ao criar uma obra
constrói uma mensagem a partir de um vocabulário visual e de um
repertório de símbolos que possui dentre outros uma função estética. O
público/receptor estabelece uma comunicação quando consegue decodificar
e entender a mensagem. Mas, se o artista e o público estão distanciados
por contextos ou repertórios diferenciados, a comunicação pode não
estabelecer, ou o receptor pode atribuir à obra uma função aberta,
estabelecendo novos significados. (VALESE,2001,p.72 )
Em grandes casos, acontece
exatamente este fator de diferença do público externo e receptores com
algumas obras criadas, na qual fica evidentemente claro a distância do
público com a obra criada. Tratando-se de ambientes padronizados e
burocráticos, os mesmos critérios podem ser desencadeados, visto que o
livre uso do profissional de criação jamais poderia usar suas concepções
para o livre trabalho de inspiração em uma obra completamente
idealizada, pensada, trabalhada e criada exclusivamente pelo
profissional criador, e não lidada com questões padronizadas tornando o
trabalho de criação apenas um ganho de ligação com determinados tipos de
públicos.
Considerações Finais:
O processo de criação em um
ambiente burocrático acaba sendo demonstrado como um exercício não
autêntico do criador em questão. Um sistema padronizado de empresas, na
qual o processo de inspiração, adequação por parte dos profissionais de
criação não possam ser utilizados ou levantados em questão, faz ainda
mais analogia ao tema distanciado entre criação e burocracia, na qual
uma exclusivamente não consegue trabalhar plenamente ao lado da outra.
Burocracia é algo padrão, sem mudanças de escalas ou conceitos. Criação
é um processo inovador. A cada instante, necessita de eventuais
mudanças, conceitos, novas formulações, novos usos e exercícios para
ligar um gancho entre o público geral como um todo. Ambas, traduzem
diferentemente seus preceitos, na qual fica evidentemente claro que para
uma melhor adequação de um processo de criação, deve estar distante de
um padrão burocrático para poder levantar novos métodos e conceitos
inovadores para assim, poder inserir o verdadeiro uso e espírito da
inspiração, o ato de criar.
Referências:
CONTRERA, Malena.
Publicidade e cia. Ed.Thomson.2003
JOHNSTON, Kenneth.Derrote a
burocracia. Rio de Janeiro. Ed.Ediouro.1994.
MAFFESOLI, M. No fundo das
aparências. Petrópolis. Ed.Vozes.1996.
MORAIS, F. Arte é o que eu
e você chamamos arte. Rio de Janeiro. Ed.Record. 1998.
OSTROWER, Fayga.
Criatividade e o processo de criação. Ed.Vozes.2004.
VALESE, A. Arte & o Design
: O processo de criação em expressão Tridimensional. São Paulo,
2001. Dissertação (Mestrado) – Universidade Anhembi-Morumbi.
Como citar:
OLIVEIRA, Igor Chiesse
Alves de. O
processo de criação em um ambiente burocrático. P@rtes (São Paulo)
Janeiro de 2010. Disponível em: <www.partes.com.br/reflexao/processodecriacao.asp>
Acesso em: __/__/__.
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