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RESUMO
O artigo projetado traz a baila
uma discussão acerca da produção do espaço geográfico intensificado pelo
processo da globalização. Desta forma, far-se-á num primeiro momento uma
discussão em torno do processo de produção do espaço, e, em seguida,
discutir-se-á sucintamente o conceito de globalização e suas fragmentações.
Por fim, enfatizar-se-á os benefícios e malefícios da globalização,
procurando despertar um pensar crítico e reflexivo no leitor.
PALAVRAS-CHAVE: Produção do
Espaço, Aldeia Global, Exclusão.
ABSTRACT
El
artículo
proyectado trae
a
primer plano una
discusión sobre la producción
del espacio geográfico intensificado
por el
proceso de la globalización. Por lo tanto se
en un primer momento un debate en torno del proceso de
producción
del espacio, y enseguida, discutirán
brevemente el
concepto
de la globalización y su
fragmentación. Por último,
se
hará hincapié en
las ventajas
e inconvenientes
de la globalización,
tratando de
despertar
un
pensamiento crítico
y
reflexivo
en el
lector.
KEYWORDS:
Producción de
Espacio,
Aldea Global,
Exclusión.
A produção do espaço geográfico
e o processo de globalização: pensamentos reflexivos.
Partindo do conceito elaborado por
Santos (2005, p.166) de que o espaço nada mais é do que, “(...) um conjunto
indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações, (...)”, entende-se
que esse espaço vai se caracterizando em determinados períodos históricos,
pelos objetos que vão sendo dispostos pelos homens, aliados as ações
disseminadas pelos atores que estão no poder. A esses objetos, se está
referindo a meios técnicos, enfim, a toda a materialidade de objetos que os
agentes humanos criam. Já as ações, são fruto das relações estabelecidas
pelos homens na busca de poder e controle, objetivando satisfazer seus
interesses, que na maioria das vezes são antagônicos aos dos demais.
Nesse contexto, pode-se dizer que
o espaço também sofre um constante movimento de produção, Santos (1986, p.
161) argumenta que “O ato de produzir é igualmente o ato de produzir
espaço”. As formas de se produzir mudam com o passar dos tempos, os objetos
técnicos mudam, as ações direcionadas pelos detentores de poder também
mudam. Enfim, todo esse ritmo de transformação e mudança passa a ganhar
forças e portar imensas complexidades com a chamada globalização da
economia.
Bastante discutida a globalização
se caracteriza, nas palavras de Harvey (2000, p. 88) como um “(...) um
processo de produção de desenvolvimento temporal e geográfico desigual”.
Tendo por base o pensamento do autor acima elucidado, compreende-se que a
globalização é um processo que possui um caráter excludente, pois, não
atinge ao mesmo tempo e em todos os lugares de forma igualitária. São
inúmeras as pessoas nos mais diversos recantos do espaço geográfico, que
sofrem com as disparidades postas pela globalização. Ela acirra um
desenvolvimento desigual no espaço. Para Ortiz (2003, p. 16) globalização é:
(...), à produção, distribuição e
consumo de bens e de serviços, organizados a partir de uma estratégia
mundial. Ele corresponde a um nível e a uma complexidade da história
econômica, na qual as partes, antes internacionais se fundem agora numa
mesma síntese: o mercado mundial.
Porém, não se pode conceber a
globalização como sendo um processo que teve origem recentemente. A sua
origem remonta o século XVI com o período das grandes navegações.
No século XV, os europeus viajavam
pelos mares a fim de ligar Oriente e Ocidente, a Revolução Industrial foi
outro fator que permitiu o avanço de países industrializados sobre o
restante do mundo. Neste período histórico e geográfico, já se pode dizer
que estão havendo indícios de globalização, é claro que em uma menor escala
ao se comparar com o atual momento.
No entanto, pode-se dizer que, de
fato o processo da globalização vai se acentuar no final da década de 1990,
com o fim da bipolaridade entre os Estados unidos e a União Soviética, pois,
neste período histórico e geográfico o meio técnico começa a se difundir
para os mais diversos recantos do espaço geográfico. Com base em Santos
(2001) pode-se dizer que o que demarca a globalização é a crescente inovação
tecnológica, devido aos avanços da ciência e das técnicas da informação.
Milton Santos no seu livro “Por
uma Outra Globalização do Pensamento Único a Consciência Universal” (2001,
p. 23) enfatiza que “A globalização é, de certa forma, o ápice do processo
de internacionalização do mundo capitalista”. Tendo por base o pensamento do
autor compreende-se que ela é a etapa atual.
Enfatiza-se aqui, que os processos
resultantes da globalização provocam contradições que se expressam nas
diferencialidades dos lugares, pois as formas de organização no espaço não
são homogêneas. Para os apologistas da globalização o
mundo se transformou em uma “Aldeia Global”, é neste contexto que percebemos
o seu carater altamente ideológico, pois, o mundo nao se transformou em uma
“Aldeia Global” como nos fazem acreditar.
São milhares de
pessoas que vivem a margem desse processo dito global, pois, a globalizaçao
é seletiva e excludente. Seletiva por que selecionam povos, lugares em que
para ela são estratégicos dentro do espaço geográfico. Excludente por que
não são todos que participam, que teem acesso, que se sentem beneficiados.
Para Santos (2001, p. 28) “A ideologia de um mundo só e da aldeia global
considera o tempo real como um patrimônio coletivo da humanidade. Mas ainda
estamos longe desse ideal, todavia alcançavel”.
A globalização
possui faces que abarca um lado bom, e, também um lado ruim. É inegável, que
ela possibilitou uma série de vantagens para as pessoas, por exemplo:
o consumidor foi beneficiado, pois pode contar com produtos importados mais
baratos e de melhor qualidade, também a internet, as telecomunicações
permitiram um fluxo de troca de ideias e informações sem critérios na
história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada a imprensa
local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as
tendências do mundo inteiro, tendo apenas como fator de limitação a barreira
lingüística.
Redes de TV e imprensa multimídia
em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com
imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, algumas vezes por TV de
assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro. O
acesso instantâneo de tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos
equipamentos cirúrgicos e técnicas, aumento na produção de alimentos e
barateamento no custo dos mesmos, tem causado nas últimas décadas um aumento
generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos.
Porém, é
necessário ressaltar que não são todos que teem acesso ao lado bom da
globalização, são muitas as pessoas no Brasil e no mundo que vivem em
condições subumanas. Além do mais, a globalização comporta um lado bastante
perverso, pois uma das grandes desvantagens dela é o desemprego.
Muitas empresas aprenderam a produzir mais com menos gente, e para tal
feito, elas usam novas tecnologias fazendo com que o trabalhador perca
espaço. Além do mais, para os países ricos têm-se lucros crescentes, capital
aumentado, suas empresas protegidas. Já às nações pobres, cabe abrir-se a
importações, endividar-se, privatizar, desnacionalizar suas empresas e ficar
com o desemprego.
Outro aspecto negativo do processo
são as perdas de identidades. A globalização, ao projetar e produzir
produtos comuns para vários países projeta também, um modelo de mercado
consumidor, aonde, a língua e os costumes dos países ricos, vão lentamente
dominando e difundindo-se nos países mais pobres, e, isto gera influências
em suas culturas nativas. Nas palavras de Harvey (2000, p. 22) “É inegável
que a cultura se transformou em algum gênero de mercadoria”.
Mas, todavia, em meio a tantos
malefícios postos pela globalização, tem-se também a possibilidade de
lutar-se por outra forma de globalização, pois, o meio técnico disposto, se
usado de maneira consciente pelos cidadãos ditos “comuns”, pode ser um passo
para a “libertação” das amarras do Estado, e, enfim, daqueles que estão e
usufruem do poder.
A partir do momento em que os
agentes humanos se inserirem conscientemente dentro do processo, poder-se-á
sim construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde a fome,
desemprego, disparidades sociais possam ser amenizadas dentro do espaço
geográfico, que mesmo assim, continuará com o seu movimento dialético de
produção, porém, menos desigual, pelo menos é o que se espera.
REFERÊNCIAS
HARVEY, David. A produção
capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2000.
ORTIZ, Renato. Mundialização e
cultura. São Paulo: Brasiliense, 2003.
SANTOS, Milton. Por uma
Geografia Nova. São Paulo, Hucitec, 1986.
________. Milton. Por Uma
Outra Globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de
Janeiro. Record, 2001.
________. Milton. Da Totalidade
ao Lugar. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.
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