spacer

ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 02 de junho de 2011 21:07:23                                               
Ambientais Agenda Colunistas Reportagens Terceiro Setor blog principal Normas Cultura Crônicas Poesias e Contos Sócio Ambiental Turismo Terceira Idade Educação
 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFLEXÃO

O processo de globalização e fragmentação do espaço geográfico

Zaqueu Luiz Bobato1

publicado em 02/06/2011

 

RESUMO

O artigo projetado traz a baila uma discussão acerca da produção do espaço geográfico intensificado pelo processo da globalização. Desta forma, far-se-á num primeiro momento uma discussão em torno do processo de produção do espaço, e, em seguida, discutir-se-á sucintamente o conceito de globalização e suas fragmentações. Por fim, enfatizar-se-á os benefícios e malefícios da globalização, procurando despertar um pensar crítico e reflexivo no leitor.

PALAVRAS-CHAVE: Produção do Espaço, Aldeia Global, Exclusão.


 

ABSTRACT

El artículo proyectado trae a primer plano una discusión sobre la producción del espacio geográfico intensificado por el proceso de la globalización. Por lo tanto se en un primer momento un debate en torno del proceso de producción del espacio, y enseguida, discutirán brevemente el concepto de la globalización y su fragmentación. Por último, se hará hincapié en las ventajas e inconvenientes de la globalización, tratando de despertar un pensamiento crítico y reflexivo en el lector.

KEYWORDS: Producción de Espacio, Aldea Global, Exclusión.


 

A produção do espaço geográfico e o processo de globalização: pensamentos reflexivos.
 

Partindo do conceito elaborado por Santos (2005, p.166) de que o espaço nada mais é do que, “(...) um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações, (...)”, entende-se que esse espaço vai se caracterizando em determinados períodos históricos, pelos objetos que vão sendo dispostos pelos homens, aliados as ações disseminadas pelos atores que estão no poder. A esses objetos, se está referindo a meios técnicos, enfim, a toda a materialidade de objetos que os agentes humanos criam. Já as ações, são fruto das relações estabelecidas pelos homens na busca de poder e controle, objetivando satisfazer seus interesses, que na maioria das vezes são antagônicos aos dos demais.

Nesse contexto, pode-se dizer que o espaço também sofre um constante movimento de produção, Santos (1986, p. 161) argumenta que “O ato de produzir é igualmente o ato de produzir espaço”. As formas de se produzir mudam com o passar dos tempos, os objetos técnicos mudam, as ações direcionadas pelos detentores de poder também mudam. Enfim, todo esse ritmo de transformação e mudança passa a ganhar forças e portar imensas complexidades com a chamada globalização da economia.

Bastante discutida a globalização se caracteriza, nas palavras de Harvey (2000, p. 88) como um “(...) um processo de produção de desenvolvimento temporal e geográfico desigual”. Tendo por base o pensamento do autor acima elucidado, compreende-se que a globalização é um processo que possui um caráter excludente, pois, não atinge ao mesmo tempo e em todos os lugares de forma igualitária. São inúmeras as pessoas nos mais diversos recantos do espaço geográfico, que sofrem com as disparidades postas pela globalização. Ela acirra um desenvolvimento desigual no espaço. Para Ortiz (2003, p. 16) globalização é:
 

(...), à produção, distribuição e consumo de bens e de serviços, organizados a partir de uma estratégia mundial. Ele corresponde a um nível e a uma complexidade da história econômica, na qual as partes, antes internacionais se fundem agora numa mesma síntese: o mercado mundial.
 

Porém, não se pode conceber a globalização como sendo um processo que teve origem recentemente. A sua origem remonta o século XVI com o período das grandes navegações.

No século XV, os europeus viajavam pelos mares a fim de ligar Oriente e Ocidente, a Revolução Industrial foi outro fator que permitiu o avanço de países industrializados sobre o restante do mundo. Neste período histórico e geográfico, já se pode dizer que estão havendo indícios de globalização, é claro que em uma menor escala ao se comparar com o atual momento.

No entanto, pode-se dizer que, de fato o processo da globalização vai se acentuar no final da década de 1990, com o fim da bipolaridade entre os Estados unidos e a União Soviética, pois, neste período histórico e geográfico o meio técnico começa a se difundir para os mais diversos recantos do espaço geográfico. Com base em Santos (2001) pode-se dizer que o que demarca a globalização é a crescente inovação tecnológica, devido aos avanços da ciência e das técnicas da informação.

Milton Santos no seu livro “Por uma Outra Globalização do Pensamento Único a Consciência Universal” (2001, p. 23) enfatiza que “A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista”. Tendo por base o pensamento do autor compreende-se que ela é a etapa atual.

Enfatiza-se aqui, que os processos resultantes da globalização provocam contradições que se expressam nas diferencialidades dos lugares, pois as formas de organização no espaço não são homogêneas. Para os apologistas da globalização o mundo se transformou em uma “Aldeia Global”, é neste contexto que percebemos o seu carater altamente ideológico, pois, o mundo nao se transformou em uma “Aldeia Global” como nos fazem acreditar.

São milhares de pessoas que vivem a margem desse processo dito global, pois, a globalizaçao é seletiva e excludente. Seletiva por que selecionam povos, lugares em que para ela são estratégicos dentro do espaço geográfico. Excludente por que não são todos que participam, que teem acesso, que se sentem beneficiados. Para Santos (2001, p. 28) “A ideologia de um mundo só e da aldeia global considera o tempo real como um patrimônio coletivo da humanidade. Mas ainda estamos longe desse ideal, todavia alcançavel”.

A globalização possui faces que abarca um lado bom, e, também um lado ruim. É inegável, que ela possibilitou uma série de vantagens para as pessoas, por exemplo: o consumidor foi beneficiado, pois pode contar com produtos importados mais baratos e de melhor qualidade, também a internet, as telecomunicações permitiram um fluxo de troca de ideias e informações sem critérios na história da humanidade. Se antes uma pessoa estava limitada a imprensa local, agora ela mesma pode se tornar parte da imprensa e observar as tendências do mundo inteiro, tendo apenas como fator de limitação a barreira lingüística.

Redes de TV e imprensa multimídia em geral também sofreram um grande impacto da globalização. Um país com imprensa livre hoje em dia pode ter acesso, algumas vezes por TV de assinatura ou satélite, a emissoras do mundo inteiro. O acesso instantâneo de tecnologias, principalmente novos medicamentos, novos equipamentos cirúrgicos e técnicas, aumento na produção de alimentos e barateamento no custo dos mesmos, tem causado nas últimas décadas um aumento generalizado da longevidade dos países emergentes e desenvolvidos.

Porém, é necessário ressaltar que não são todos que teem acesso ao lado bom da globalização, são muitas as pessoas no Brasil e no mundo que vivem em condições subumanas. Além do mais, a globalização comporta um lado bastante perverso, pois uma das grandes desvantagens dela é o desemprego. Muitas empresas aprenderam a produzir mais com menos gente, e para tal feito, elas usam novas tecnologias fazendo com que o trabalhador perca espaço. Além do mais, para os países ricos têm-se lucros crescentes, capital aumentado, suas empresas protegidas. Já às nações pobres, cabe abrir-se a importações, endividar-se, privatizar, desnacionalizar suas empresas e ficar com o desemprego.

Outro aspecto negativo do processo são as perdas de identidades. A globalização, ao projetar e produzir produtos comuns para vários países projeta também, um modelo de mercado consumidor, aonde, a língua e os costumes dos países ricos, vão lentamente dominando e difundindo-se nos países mais pobres, e, isto gera influências em suas culturas nativas. Nas palavras de Harvey (2000, p. 22) “É inegável que a cultura se transformou em algum gênero de mercadoria”.

Mas, todavia, em meio a tantos malefícios postos pela globalização, tem-se também a possibilidade de lutar-se por outra forma de globalização, pois, o meio técnico disposto, se usado de maneira consciente pelos cidadãos ditos “comuns”, pode ser um passo para a “libertação” das amarras do Estado, e, enfim, daqueles que estão e usufruem do poder.

A partir do momento em que os agentes humanos se inserirem conscientemente dentro do processo, poder-se-á sim construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde a fome, desemprego, disparidades sociais possam ser amenizadas dentro do espaço geográfico, que mesmo assim, continuará com o seu movimento dialético de produção, porém, menos desigual, pelo menos é o que se espera.
 

REFERÊNCIAS
 

HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2000.
 

ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 2003.
 

SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. São Paulo, Hucitec, 1986.
 

­­­­­________. Milton. Por Uma Outra Globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro. Record, 2001.
 

________. Milton. Da Totalidade ao Lugar. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.


 

1 Mestrando em Gestão do Território no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR, Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, UNICENTRO/Irati – PR. E-mail: zaqueudegeo@yahoo.com.br

 
 
  

spacer
::sobre o autor::

Zaqueu Luiz Bobato é  Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste-PR, e atualmente está cursando o Mestrado em “Gestão do Território” no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::anuncie::

Saiba como anunciar no site clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
::outros textos::

Natural e habitual
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 05/04/2009

Dia Mundial da Água
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 22/03/2009

Sobreviver
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 21/01/2009

Feliz 2009!
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 02/01/2009

Feliz Natal!
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 17/12/2008

Meu aniversário
publicado em 16/05/2008

Contrato hipócrita
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 10/05/2008

Solução existe!
publicado em 16/05/2008

 
Feliz 2011
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 28/12/2010

Quem é perfeito?
Maria Aparecida Francisquini
publicado em 01/01/2011

Somos seres humanos, suscetíveis a erros, a fracassos, a momentos de profunda tristeza, de fases em que nossa vontade é de nada

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2011
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer