.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Editado pela última vez em 25-10-2005 

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Curiosidade e Comunicação
Por Tânia Pinto

 

Curiosidade é o desejo do ser humano em obter informações, de saber, de investigar determinados assuntos. Graças à curiosidade humana, vivemos em uma mundo muito mais confortável e moderno, como a descoberta da luz, do telefone, geladeira, televisão, rádio e tantas outras invenções.

Sem dúvida, a curiosidade foi um dos fatores para o surgimento dos meios de comunicação. Para saciar o saber humano, as informações passaram a circular em maior escala e mais intensidade, ao ponto de atingirmos atualmente a era da comunicação.

Assim, para satisfazer as necessidades de nós, clientes, os veículos de comunicação trazem instantaneamente inúmeras notícias sobre variados assuntos. Muitas vezes, nossas mentes são bombardeadas pelo mesmo tema, ao ponto de começamos a perder a curiosidade. Essa alavanche de informações gera, muitas vezes, a falta de interesse ou, pior, a desinformação.

Nossos avós diziam que quem possuía informação, era o detentor absoluto do poder. Hoje, estudiosos alegam que para se deter o poder, primeiramente, devemos saber selecionar a informação para que sociedade evite cair na “Teoria do Caos”. Quanto mais um assunto é abordado, mais cansados e insensíveis ficam os “ouvidos humanos”. O homem sente-se saturado e deixa de procurar determinada informação.

Alguns anos atrás, ficávamos horrorizados quando líamos sobre jovens que tinham seus tênis roubados em plena luz do dia e eram obrigados a voltar para casa descalços. Hoje, depois de tanta notícias sobre as mazelas da vida moderna, como assaltos, seqüestros, assassinatos, o roubo de um simples tênis virou algo banal, sem importância. Deixou de ser notícia.

Atualmente, ouço pessoas reclamando do excesso de informações sobre a corrupção na política nacional. No meio desse caos, a população pode simplesmente se conformar com a situação e começar a aceitar a corrupção como algo normal ou um mal menor, mais uma notícia chata de nosso cotidiano. E é assim que surge o lado negativo da curiosidade na comunicação.

 

 

Tânia Pinto é mestre em epistemologia da comunicação pela USP. Professora de Jornalismo e Radio/TV da UNISA. E assessora de imprensa do Banco do Brasil.


 

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