O interesse da população brasileira em
conhecer o desenrolar das apurações feitas pelas CPIs (Comissões
Parlamentares de Inquérito) é tanto que fez a audiência da TV
Senado quintuplicar em apenas alguns meses. Do 36º lugar ocupado
em março no ranking Ibope dos canais mais vistos da TV paga, com
1.331 telespectadores por minuto no horário nobre (das 19hs às
24hs), a TV, pulou para o 23º lugar, em julho, com 14.644
telespectadores por minuto.
A programação da emissora - disponível em
sinal aberto (UHF) apenas no Distrito Federal - pode ser vista
através da internet ou pelas emissoras pagas (a cabo, assinatura
ou satélite), que, por lei, devem destinar um de seus canais às
emissoras com conteúdo de interesse público como a própria TV
Senado, à TV Câmara e às Legislativas. Com um acesso tão
restrito à grande população, o aumento na audiência da emissora
já é motivo de estudos.
É certo que as denúncias apuradas pelas
CPIs atraem a curiosidade da população devido à relevância do
assunto, que indubitavelmente, sairá da mídia e entrará na
história. Mas, alguns profissionais de comunicação, acreditam
que a audiência da TV Senado deve-se à maneira como os
depoimentos estão sendo abordados, sem a interferência de um
jornalista ou técnico da área. O telespectador tem a impressão
de que está dentro do próprio plenário e que as informações
chegam até ele sem a interferência (edição) de alguém.
Mas a realidade não é esta. As 12 câmeras
da TV Senado, responsáveis em captar as imagens das CPIs, são
operadas por profissionais que, através de fones de ouvido,
recebem orientações de diretores responsáveis exatamente em
filtrar a informação, escolhendo o que irá ou não ao ar, igual a
qualquer outro veículo de comunicação.