A relação entre trabalho e globalização ocupa, na
sociedade atual, importante posição dentre os temas conflituosos a serem
discutidos. É um verdadeiro duelo de Gigantes, o que pode gerar inúmeras
implicações. Percebe-se claramente que as conseqüências oriundas de tal
embate não são as mais otimistas. Mesmo trazendo consigo vários
benefícios, em especial no campo econômico, a globalização instaura
problemas catastróficos quando posta diante da dinâmica do trabalho.
Vários são os efeitos negativos dessa relação desarmônica, contudo,
dentre eles, faz-se salutar destacar três pontos que se revelam
fundamentais para a presente discussão. Em primeiro lugar, o desemprego
que assola grande parte da população mundial; segundo, o movimento
migratório; por fim, em terceiro lugar, o desenvolvimento de mecanismos
de exclusão social, cada vez mais acirrados. A sociedade clama por
respostas.
No campo do trabalho, graças ao processo de
globalização, as taxas de desemprego crescem espantosamente. Até mesmo
as cidades consideradas de primeiro mundo apontam índices de
desempregados que giram sempre em torno de altos números percentuais. A
situação é crítica. Não bastando o aumento descontrolado do número de
desempregados, surge ainda uma nova categoria, denominada inempregáveis.
Pessoas que por não corresponderem aos padrões e estereótipos do mercado
– idade, peso, formação – e uma vez que se encontrem desempregados, não
conseguem, com facilidade, encontrar outra forma de emprego, ficando
sujeitos a viver à margem da sociedade. Os meios de trabalho são cada
vez mais escassos. A globalização assume o lugar de uma terceira
revolução industrial, na qual os antigos modelos de produção sedem lugar
às novas tendências. O empregado é substituído, na maioria dos casos,
por máquinas que tornam o trabalho mais barato e, por decorrência disso,
mais lucroso para o empresário. O homem se torna um objeto de escambo.
Devido à falta de trabalho é tecido um novo mapa
mundial. Com o exército dos desempregados aumentando de maneira
incalculável, muitos se sentem forçados a sair de sua terra de origem e
partir rumo a novos horizontes, à procura de melhores oportunidades de
sobrevivência. O movimento migratório de centenas de milhares de pessoas
acaba gerando um desequilíbrio na atual situação da sociedade. Pelo fato
de não suportarem tamanho número de imigrantes, muitos países começam a
tomar medidas drásticas, nas quais é prevista a exportação de todo e
qualquer estrangeiro que se encontre em seu território com fins de
trabalho. Daí surge o seguinte questionamento: o que será feito dessas
pessoas que não conseguiram encontrar mecanismos de sobrevivência digna
em seu próprio país e agora são enxotadas do lugar em que habitam? A
necessidade não espera.
A pior marca deixada pelos problemas acarretados do
contato entre trabalho e globalização é a exclusão. Tal exclusão se
aplica das mais variadas maneiras. Pelo grande contingente de
desempregados as empresas, tendo em vista sua possibilidade de escolha,
empregam métodos, na seleção de seus candidatos, que possuem, mesmo que
de maneira oculta, características excludentes e, até mesmo, racistas. O
estereótipo do candidato é levado em consideração, evidenciando a
preferência e as exigências do mercado. Além disso, cresce
assustadoramente a instituição de subclasses, nas quais os indivíduos
abdicam sua posição de cidadãos, com direitos e deveres, passando a
constituir um grupo além das margens da dignidade social. O desprezo do
homem pelo homem cresce desenfreadamente.
A atual situação clama por mudanças. Não se pode
negar que da maneira em que se encontra a sociedade não pode continuar.
Entretanto, infelizmente, o que até o presente momento tem vigorado no
mundo é a propagação do capitalismo, do consumismo, do hedonismo, todas
doutrinas que não proporcionam um olhar para o próprio redor. As
palavras de ordem são: produtividade, competitividade, e lucratividade.
Toda a sociedade deve se preparar para essa mudança do paradigma
produtivo, no qual o progresso tecnológico é tido como meta a ser
alcançada, custe o que custar. Caso cada indivíduo não arregace as
mangas e se ponha a lutar contra a edificação deste império
catastrófico, fazendo aquilo que estiver ao seu alcance, desde as
pequenas atitudes até os mais suntuosos protestos, o amanhã do planeta
está condenado à perdição e à destruição. Essa adaptação de paradigmas
está sendo realizada com um custo social muito elevado e conseqüências
imprevisíveis para as gerações vindouras. O futuro da sociedade está em
nossas mãos.
MARTINS FILHO, J.R.F. Duelo de gigantes: o
confronto entre trabalho e globalização. Revista virtual Partes,