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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 06 de novembro de 2007 18:09:44                                               

 
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EM RHEDE

O uso da linguagem a favor da educação ambiental

   

Klenya Rosa Rocha Braga

publicado em 06/11/2007

 

 

A humanidade tem se posicionado como ator e espectador de uma crise ambiental que já assumiu um caráter planetário. Diante disso, qualquer mobilização ou esforço no sentido de combater o “Analfabetismo Ambiental” (DIAS, 2004, p.17), um dos principais causadores desta crise, torna-se urgente e necessário.

Comumente ouvimos em noticiários referentes à fenômenos naturais de jornais televisivos do Brasil, expressões do tipo “A chuva castiga  a cidade do Rio de Janeiro e faz dezenas de vítimas”, “A chuva quebra a seca de seis meses do nordeste brasileiro”, “A chuva chega e com ela chega doenças, desabrigados e morte!”. Bom, o sensacionalismo exacerbado contido nessas expressões atribuiu todas as responsabilidades das conseqüências desses fenômenos à chuva, ou seja, ao recurso água. Com isso, não só estamos disseminando na população atitudes negativas a tais fenômenos e em particular ao recurso água, como também estamos gerando uma consciência ingênua e alienada aos transtornos decorrentes de tais fenômenos, por exemplo, se é culpa da chuva a enchente nas principais avenidas de uma cidade brasileira, então automaticamente, deixa isento da responsabilidade outros aspectos relacionados como a falta de saneamento, falhas da engenharia, má administração governamental, desemprego e muitos outros. Desta forma fica difícil para a comunidade civil saber a quem recorrer. Penso até, com o perdão da palavra, que a esta altura São Pedro deve está muito ocupado com tantas reivindicações.

Deve-se ressaltar que existe uma diferença entre fenômenos naturais a citar, chuva, tempestade, furacão, efeito estufa e, as intensificações desses fenômenos provenientes das ações antrópicas. Tomando como exemplo o Efeito Estufa, este é essencial para a manutenção da vida no planeta (AMABIS & MARTHO, 2004, 396), contudo seu efeito tem sido intensificado pela emissão de gases oriundos da poluição da atmosférica.

O que se pretende aqui é fazer uma reflexão sobre o adequado uso da linguagem pelos meios de comunicação em massa afim de que possamos ter mais um instrumento a favor da Educação Ambiental, em outras palavras, mais um instrumento contra o “Analfabetismo Ambiental” que historicamente acompanha o homem desde os seus primórdios de civilização. Assim, os meios de comunicação em massa estarão corroborando com a Lei 9.795/99 que trata da Política Nacional de Educação Ambiental (DIAS, 2004, p.206), quando chama a atenção para a colaboração dos meios de comunicação em massa para a questão ambiental. Creio que seja muito mais interessante e relevante “Informar e Educar”, em especial, educar ambientalmente. Se ouvirmos um noticiário sobre um evento natural e juntamente com ele a articulação com uma ação do homem sobre meio ambiente, caso ela exista, passaremos a identificar e a reconhecer que determinadas relações entre “Homem e Natureza” não são benéficas. 

Enfim, não quero dizer com minha exposição que os meios de comunicação, de qualquer natureza, se mantenham alheios à questão ambiental, pelo contrário, apenas chamo a atenção para o uso de algumas expressões como já discutido.

Referências Bibliográficas

Amabis, José Mariano and Martho, Gilberto Rodrigues. Biologia. São Paulo: Moderna, 2004, vol.3, 2ed., 438p.

Dias, Genebaldo Freires, Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2004, 9ed. 551p.,

 
  

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::sobre o autor::

Klenya R. R. Braga, bióloga, mestra em Sustentabilidade de Ecossistemas pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA.

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