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Apesar de ter nascido no país
com o objetivo de servir à educação, o rádio ainda é um veículo pouco usado no
Brasil para promover ações educacionais. O programa Escola Brasil mostra que
isto pode ser diferente.
Nascido em 1997 pelo radialista
Airton Medeiros o
programa tem hoje de tudo, notícias, exemplos de projetos educacionais, dicas e
sugestões para professores, dramatizações de histórias e muita aula de ensino
fundamental. O programa de rádio é voltado para mobilizar as populações da área
rural e de pequenos municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Segundo Medeiros, a rádio é um instrumento carismático e com
forte potencial educacional. " Nosso objetivo é mobilizar os ouvintes em torno
da educação, seja essa educação para o trabalho, para a saúde ou para a vida",
afirma o criador da Oscip Escola Brasil, Ong com missão de contribuir para a
melhoria da qualidade da educação brasileira utilizando o rádio como instrumento
de mobilização social.
Os programas têm duração de 30 minutos. Os conteúdos são abordados de forma
lógica e os temas mais complexos apresentados ludicamente.
Cartas do Brasil
O Escola Brasil recebe, em
média, de 500 a
1.000 cartas mensais,
além de centenas de
e-mails e telefonemas dos
mais recônditos
lugares do Brasil. O grande
volume de cartas recebidas
pela produção do programa
confirma o sucesso de audiência. O
conteúdo das correspondências revela
a situação miserável
que se encontra a
educação no interior do Brasil.
Até os professores têm
dificuldade de escrever. “A
formação deles é baixíssima, assustadora”, comenta Heloísa d’Arcanchy,
coordenadora do programa Escola
Brasil.
É um
outro Brasil que a
gente não imagina que
exista. Eles não
recebem jornais, revistas
e não existe Rede
Globo, Record. É um
conceito de vida
diferente do nosso”, diz.
São
essas cartas que
determinam a pauta do Escola
Brasil. A partir destas correspondências,
a equipe de reportagem vai atrás
da solução dos casos
por meio de
entrevistas com
especialistas em
educação, secretários,
prefeitos, sempre orientando a
comunidade a atuar de maneira
mais participativa e consciente, uma
obsessão dos editores.
Segue
abaixo entrevista concedida para a Revista Pa@rtes
por Heloísa d’Archanchy,
jornalista,
que
trabalha
no
Escola
Brasil
desde
a
concepção
do
programa,
em
1997. Começou a
carreira
trabalhando na
Rádio
Manchete
e
depois
fez
assessoria
de
imprensa
por
10
anos.
Em
2003, o
programa
teve
um
intervalo
sem
atuar.
Durante
três
anos
ela
trabalhou
em
um
projeto
de
rádio
do Sebrae, o “A
gente
sabe a
gente
faz”,
que
ensinava
noções
de empreendedorismo às
classes
C, D e E.
P@rtes: Como
surgiu o Escola
Brasil e qual o
seu
objetivo?
Heloísa d’Archanchy:
Em 1997, o Airton Medeiros, que
é radialista, percebeu a necessidade de
criar
um programa na
área
de educação. Primeiro
ele
pensou em denúncias
sobre
desvio de verba
para
educação, mas
depois
percebeu que o problema
ia além disso, porque
as pessoas queriam denunciar
mas
não sabiam nada
respeito
de seus direitos
ou
mesmo de educação
básica. A necessidade
era de um
programa educativo
que
proporcionasse o desenvolvimento de uma
mentalidade
do quanto essencial é
a educação. O primeiro
programa
foi ao ar no dia 1º de
dezembro de 1997 com
o objetivo de levar
informação
e educação às pessoas
que antes
não
tinham acesso.
Quais
as principais
revelações
educacionais
proporcionadas pelo
programa?
Descobrimos o Brasil do interior,
onde até
hoje
existem escolas sem
banheiros
ou energia
elétrica. O mais
fantástico é a
absorção do conteúdo
por
parte dos ouvintes.
Eles
gostam muito e se surpreendem em
saber de coisas básicas
que
ninguém antes se
interessou em informar-lhes. Houve o
caso
de uma família que
descobriu, por meio
do nosso programa,
que
as escovas de dentes
deveriam ser usadas individualmente.
Eles mandaram uma carta
dizendo que não
sabiam disso e antes usavam uma
escova
para todos os
membros
da família.
De
que forma
o programa tem
contribuído para a melhoria
do Ensino
Fundamental no
Brasil?
Não há um
direcionamento para
determinado
nível de ensino. O
conteúdo
dos programas não é
substitutivo
das aulas, mas
procuramos levar informação
para
as famílias, professores
e alunos. Tentamos resolver os
problemas
das denúncias que
nos
são enviadas indo atrás
das autoridades, apurando as
informações
que os ouvintes
nos
passam e também dando dicas.
A intenção é melhorar
a educação de uma forma
geral.
Qual
o perfil das
pessoas
que enviam
cartas ao
programa e
suas
maiores demandas?
A maioria das cartas
que recebemos são de
pessoas
que vivem no interior,
apesar de já
haver
cerca de 50 rádios
comunitárias no país transmitindo o
programa.
Eles pedem dicas de
português, querem saber como
resolver
problemas de pragas
nas lavouras, mas
não
tem um assunto
que
as pessoas toquem mais,
porque as cartas
são
muitas e bem diversificadas.
Fora
transformar estas cartas
em
pautas,
vocês pretendem
trabalhar estas
correspondências de
outra forma?
(livros,
projetos
novos etc)
Já temos um
livro (Escola Brasil -
o rádio a serviço
da educação, de Mário Salimon). Mas,
por enquanto, a
intenção
é continuar fazendo o trabalho desta
forma: ouvindo o que eles
tem a dizer e tentando resolver,
informar
e educar por meio
do rádio. |