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Na tarde de sábado do dia 5 de abril, após a estréia do filme “Maré, Nossa
História de Amor”, a cineasta Lúcia Murat colocou-se à disposição de professores
de Escolas de Ensino, da Baixada Santista, que estavam presentes na sala de
projeção (3), do Espaço Unibanco (Shopping Miramar).
Na oportunidade, Lúcia Murat falou do
seu último filme e do empenho em demonstrar, através dele, que numa favela
existem pessoas talentosas, com potencialidades diversas e de bom caráter; que
estão vivenciando dramas terríveis e ainda são confundidas com os criminosos.
Contudo, merecedoras de melhores oportunidades.
A sala estava lotada, e permaneceram
para o debate professores intelectualizados, interessadíssimos em aprender e
passar algo de produtivo aos seus alunos, relacionado à arte cinematográfica.
Uma conduta plausível, uma vez que, bem direcionada, a arte pode atuar em
benefício da Educação.
Os professores fizeram perguntas
inteligentes, às quais a cineasta respondeu com toda amabilidade e atenção.
A idéia de fazer um musical
brasileiro, teve certa influência pelo fato de a cineasta ter se formado em balé
clássico quando ainda era adolescente. “Mas a vida me levou para outros
caminhos”, ela confessou, sorridente.
Entretanto os longos anos de estudo
fizeram com que ela se apaixonasse por todas as formas de expressão corporal.
Contudo, o que levou a cineasta a concretizar sua idéia foram alguns espetáculos
de dança contemporânea, aos quais assistiu recentemente; muitos deles
trabalhando em comunidades carentes e muito bem-sucedidos.
“O fato desses espetáculos trabalharem
com a nossa diversidade cultural cria corpos de baile de todas as cores e
misturas, sem qualquer preocupação de uniformização, como nos espetáculos
tradicionais”, explica. “E 'Maré, Nossa História de Amor' se propôs a formar um
corpo de baile a partir dos vários grupos de dança do Rio de Janeiro,
trabalhando com a nossa diversidade étnica e cultural, mas buscando o mesmo
rigor de conjunto de um espetáculo tradicional. Da mesma forma, como meus
últimos trabalhos ('Brava Gente Brasileira' - com os índios – e 'Quase Dois
Irmãos'- com grupos de teatro das comunidades), incorporei a experiência dos
atores e das situações que enfrentamos no laboratório e na construção final do
roteiro”.
Lucia Murat começou sua carreira como
jornalista nos mais importantes jornais e televisões do país, como o “Jornal do
Brasil” e “O Globo”. Em 1980 passou a se dedicar a produções independentes na
área audiovisual.
Seu primeiro longa-metragem foi “Que
Bom te Ver Viva”, em 1989; considerado o melhor filme do Festival de Brasília.
Nesse filme mostrou-se uma pessoa preocupada com temas sociais, políticos e
femininos. Constam, nessa obra, depoimentos de mulheres que foram torturadas na
época da ditadura militar, entremeados com cenas de ficção, enriquecidas pela
atuação da atriz Irene Ravache.
Outro filme premiado pelo Ministério
da Cultura, em 1998, foi “Dois Irmãos”, entre muitos outros trabalhos. |