A idéia
de que
a água
é o recurso
mais
abundante
no Planeta
Terra
não
é incorreta,
porém,
pouco
destaque
dava-se ao fato
de que
desta grande
abundância,
apenas
0,007 % está disponível
ao consumo
humano,
o restante é constituído por
águas
salgadas, geleiras
e águas
subterrâneas de difícil
captação. A escassez
de água
potável
é hoje
um
problema
crônico
em
diversas regiões
do mundo,
como
na África e Ásia.
O Brasil é privilegiado
em
recursos
hídricos. Com
17% de toda
a água
doce
do planeta,
conta
com
a maior
área
continental
úmida
do mundo,
o Pantanal,
e a mais
extensa
floreta alagada, a várzea
amazônica.
Teoricamente, cada
brasileiro
tem cerca
de 34 milhões
de litros
de água
à sua
disposição.
Apesar
de todo
esse
potencial,
o país
ainda sofre
com
a falta
de água,
o risco
de desabastecimento em
larga
escala
pode surgir,
tanto
no País,
decorrente principalmente
da utilização
inadequada da água.
O Brasil apresenta uma
situação de
exploração
e uso
predatório
de seus
recursos.
A poluição
das águas,
o assoreamento
dos rios
e o desperdício
contribuem para
o problema
da escassez.
Conforme
dados
do IBGE (2009), as empresas
de abastecimento de água
brasileiras apresentam
índices de
perda de
água
tratada
de até
60%. Nas nações
desenvolvidas, esses
números
chegam a no máximo
20%. Por
isso,
o Brasil é considerado um
dos campeões
de desperdício
de água
no mundo.
A
constatação
geral,
nesse início
de século,
é que
a água
potável
do planeta
está acabando e num futuro
próximo
será um
recurso
extremamente
valioso,
capaz
de sustentar
potências
mundiais ou
provocar
guerras,
a exemplo
do que
acontece hoje
com
o petróleo.
No meio
dessa discussão,
quando
o mais
sensato
seria conservar
essa riqueza
a todo
custo,
estudos
apontam para
a contaminação do maior
reservatório
subterrâneo
de água
doce
conhecido
no mundo,
o nosso
Aqüífero
Guarani,
localizado no sudeste
e norte
do país,
são
45 mil
quilômetros
cúbicos
de água
subterrânea,
num total
de aproximadamente 1,2
milhões de
km2
quadrados
de área.
Em
termos
de abastecimento, significa dizer
que
ele
pode suprir
as necessidades
de uma população
de 150 milhões
de pessoas
durante
2,5 mil
anos.
Com
a vantagem
adicional
de que
a água
subterrânea,
geralmente,
não
precisa
ser
tratada
para
o consumo,
pois
a filtragem natural
das rochas
pode alcançar
um
nível
de qualidade
que
dificilmente seria atingido
pelos
processos
tradicionais.
As causas
básicas do crescimento
da demanda
de água
são:
o crescimento
da população,
a urbanização e a expansão
da agroindústria,
e as perspectivas
para
o futuro
são
preocupantes.
Com as
perspectivas
existentes para
as primeiras décadas
do século
XXI, quanto
ao crescimento
populacional, o
desenvolvimento das
cidades
deverá respeitar
os limites
da natureza.
As esferas
governamentais
deverão impor
restrições
ao crescimento
desordenado
das cidades,
distribuindo de forma
racional
os centros
urbanos,
com
vistas
a minimizar
os impactos
sobre
os recursos
hídricos e bens
naturais,
evitando assim,
uma elevação
nos
custos
da manutenção
das necessidades
básicas de água
das populações.
Além das
fontes
comumente utilizadas para
o abastecimento, como
é o caso
dos nossos
rios
e nascentes,
primeiros
a sofrer
a sofrer
ações
negativas
da nossa
urbanização, condenados a serem
depósitos de
lixo.
As
alternativas exitosas
que
poderão ser
utilizadas para
o abastecimento no futuro,
podem ser
elencadas: a reutilização da
água
resultante
do tratamento
de esgotos,
também
conhecida
como
água
de reuso (esta alternativa
por
receber
um
tratamento
mais
simples
e barato
que
a água
potável,
possui um
preço
final
menor).
Uma outra
alternativa
que
podemos citar
é a utilização
da água
da chuva
para
fins
alternativos.
Essa possibilidade somente
será viável
em
aplicações
que
dispensam o tratamento
de potabilidade, e somente
terá eficiência
se adotada em
locais
onde
houver incidência
de chuvas
periódicas. Com
a adoção
desta medida,
obteríamos reduções nos
volumes
consumidos de água
potável,
trazendo benefícios
econômicos
para
os consumidores
e benefícios
ambientais para
a sociedade
em
geral.
A educação
ambiental como
forma
de preservar
e demonstrar
a importância
dos recursos
hídricos é um
assunto
que
somente
começou a ser
abordado no final
da década
de 70. Até
hoje,
em
pleno
século
XXI, não
é difícil
encontrar
pessoas
que
não
consideram a importância
do problema
da escassez
da água
potável.
A educação
ambiental surge como
um
forte
aliado
na luta
pelo
desenvolvimento
de uma nova
consciência
social,
política
e ecológica
comprometida com
a preservação
das gerações
futuras, que
passa
pelo
reconhecimento
da fragilidade
da Terra,
dos limites
finitos
dos recursos
naturais,
da nossa
dependência
do ar,
da água,
da luz,
do calor,
da afinidade
com
todas as formas
de vida
do planeta,
em
especial
a espécie
humana.
Faz-se necessário
ressaltar,
que
embora
a água
seja a substância
mais
abundante
do planeta,
apenas
uma pequena
parte
do total
existente no mundo
é viável
à captação e ao consumo,
não
estando presente
na forma
de geleiras,
água
salgada
ou
no subsolo
a grandes
profundidades.
A poluição
ocasionada pelo
uso
irresponsável
dos recursos
hídricos e o crescimento
populacional vêm agravando esta
realidade.
Contudo,
conclui-se que
as perspectivas
para
a gestão
da água
potável
no Brasil são
preocupantes, uma vez
que
o crescimento
demográfico e a expansão
urbana
desordenada vêm atingindo
índices
muito
superiores,
se comparados às possibilidades de
utilização das
fontes
de abastecimento, fazendo
com
que a
água seja
qualificada como
o petróleo
do século
XXI e
conseqüentemente,
motivo
de disputas
entre
os países
do globo,
ocasionando a geopolítica
da água.
Para
concluir,
saliento que
para
o problema
da escassez
da água
seja minimizado deve ocorrer
a união
de esforços,
cabendo, portanto,
à população
conscientizar-se sobre
o tema,
participando das discussões
junto
aos comitês
de bacias.
Às empresas
cabe a adoção
de tecnologias
capazes
de reduzir
a demanda
e o despejo
de efluentes
nos
corpos
hídricos. Ao governo,
resta
a aplicação
da legislação
existente através
da fiscalização do uso
dos recursos
hídricos e coibindo sua
degradação.
Somente
desta forma
se conseguirá reduzir
os efeitos
deste problema.
Geógrafo
-
Universidade
Estadual da Paraíba - UEPB. Pós-graduado
em
Ciências
Ambientais - FIP/PB.
Pesquisador
do Terra
-
Grupo
de
Pesquisa
Urbana,
Rural
e Ambiental da UEPB/CNPq. É
Professor
visitante
do
Instituto
Superior
de
Educação
de Cajazeiras – ISEC e Coordenador de
Projetos
Educacionais
da
Secretaria
Municipal de
Educação.
cavalcantegeo@bol.com.br