Resumo: a proposta deste
texto implica na comunicação de resultados sobre pesquisas que
vem sendo realizados na Amazônia, especificamente do Estado de
Rondônia – Brasil. O estudo foi desenvolvido entre a etnia
indígena Gavião que habita a Terra Indígena Igarapé Lourdes e
buscou compreender as relações entre as formas de vida
tradicional com as características territoriais de suas aldeias,
abordando também os impactos da sociedade não indígena no âmbito
deste grupo étnico.
Palavras – chave: Amazônia.
Lugar. Identidade. Povos Indígenas.
Considerações iniciais
Este texto se desenvolve a partir
dos resultados de pesquisas realizadas no âmbito da população
indígenas Gavião do Estado de Rondônia – Brasil. Tal proposta de
estudo, embasou a produção de uma dissertação de mestrado em
Geografia na Universidade Federal de Rondônia. A pesquisa buscou
compreender de que forma existe uma provável transformação nos
territórios pertencentes à etnia Gavião, como também nas
práticas da vida cotidiana desse grupo.
O processo de desenvolvimento em
que veio passando a Amazônia nas últimas décadas buscou aliar o
imenso espaço territorial identificado como fronteira de recurso
as prerrogativas de uma possível viabilidade econômica da
região, (BECKER, 1982, 1990); (MACHADO, 1990); (COY, 1995).
Diante disso a Amazônia passou a fazer parte dos grandes
projetos desenvolvimentistas aliando as estratégias de
crescimento aos processos de colonização e avanço sobre o
território.
No âmbito do processo de
colonização situa-se o grupo étnico Gavião que habita a Terra
Indígena Igarapé Lourdes, com extensão geográfica de 185.534 ha.
Com uma população de aproximadamente 589 pessoas os indígenas
Gavião ainda possui grande parte de sua cultura primitiva. Além
de manterem a língua tradicional – Tupi Mondé, conservam
práticas tradicionais como, festas locais, curas espirituais,
confecção de instrumentos de caça e ornamentais, bem como, a
organização política – pajés e caciques.
No sentido de compreendermos as
problemáticas enfrentadas pelos indígenas da etnia Gavião,
produzimos os seguintes questionamentos: quais foram às
possíveis alterações identitárias que este grupo étnico adquiriu
ou estão adquirindo com a nova configuração do lugar? Qual a
relação entre o lugar e a construção da identidade desse grupo
étnico? Qual a proximidade entre as propostas de políticas
públicas desenvolvidas junto a esta etnia com as características
locais bem como identitárias? Como os indígenas Gavião reagem ao
processo de descaracterização do lugar a qual habitam provocado
pelo contato com a sociedade nacional?
As primeiras problemáticas
enfrentadas pelos indígenas Gavião
O enfretamento dos primeiros
conflitos envolvendo o grupo indígena Gavião e a sociedade não
indígena se deram durante os primeiros momentos de contato.
Alguns relatórios produzidos durante as décadas de setenta e
oitenta pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio ofereceram
suporte para a compreensão desse processo. De acordo com Paula
(2008), os Gavião,
são originários do noroeste do
Mato Grosso onde ocupavam a região do rio Branco. Pertencente ao
tronco lingüístico Tupi família Mondé. Atacados por outros
grupos e por fazendeiros em seus territórios de origem se
transferiram para a área vizinha ocupada pelo povo Arara,
instalaram-se na região da Serra da Providência, acabando por
perder seu território original. (p.30).
O povo indígena Ikólóéhj
– Gavião, assim como outras etnias indígenas que integram o
Estado de Rondônia não ficaram de fora dos impactos, bem como
das diversas formas de contato com os “brancos”. De acordo com
relatórios
produzidos durante a década de setenta, sabia-se que “no tempo
da segunda guerra mundial havia quatro malocas Gavião, todas nos
Igarapé próximo ao rio branco”. Informações dessa natureza
evidenciam que já na década de quarenta o grupo étnico Gavião
era conhecido e começavam a intensificar o contato com os não
índios.
O provável contato dos Gavião com
a sociedade não indígena se deram em fins da primeira metade do
século XX, já que “na década de quarenta os Arara e Urubu
mantinham encontros intermitentes com seringueiros e colonos
estabelecidos na região. Os gavião fizeram seus primeiros
contato através destes grupos” (idem, 1983, p.82). Para o autor
as intensificações do contato se iniciaram na década de
quarenta, tendo em vista de que já neste período se estabeleciam
na região as missões protestantes coordenados pela New tribes,
bem como o início das intensificações de ações do extinto
Serviço de Proteção ao índio (SPI). De acordo com Felzke (2007)
“segundo depoimento do cacique Gavião Sebirop, o que despertou
nos Gavião o interesse pelos brancos foram às marcas diferentes
encontradas na mata e que seriam de facões” (p. 15). Diante
disso, a autora argumenta que os interesses em saber que marcas
eram aquelas se deram porque os cortes feitos com facões na
floresta produziam não apenas uma textura diferente nas árvores,
como também, criava a sensação de desconhecimento por parte dos
indígenas, tendo em vista que os Gavião não conheciam
instrumentos feitos a partir de metais. Durante nossa pesquisa
de campo, foi possível comprovar que os Gavião utilizavam
machados de pedras e facas feitas a partir de dentes de animais,
sendo assim, ao sair para a floresta os indígenas quebravam o
mato nas trilhas que percorriam o que contrastava com as marcas
deixadas pelos não índios.
As situações decorrentes durante
os anos de contato, quase levaram a etnia indígena Gavião a
total extinção, as doenças endêmicas, os conflitos agravados por
invasores que adentravam os seus territórios, eram sérias
problemáticas a ser enfrentados por esta população. De acordo
com Leonel (1983), no início dos anos cinqüenta houve uma grande
epidemia de gripe entre os índios Gavião, reduzindo-os pela
metade, tal adversidade fez com que muitos indígenas fossem
vacinados contra Sabin, BCG e Tríplice, situação essa que os fez
resistir durante os ano de 1979 quando um surto de hepatite,
pneumonia, tuberculose e coqueluche dizimaram grande parte da
etnia indígena Zoró que se localizavam relativamente próximos
dos territórios indígenas Gavião.
A problemática enfrentada pela
sociedade indígena Gavião se deram também em função das longas
extensões de invasão
dos territórios pertencentes a esta etnia, neste sentido,
Em setembro de 1983 a equipe de
avaliação do projeto especial de defesa das áreas indígenas do
Polonoroeste, constatou a extensão das invasões, pode-se afirmar
sem risco que um terço das áreas destinadas aos índios está
ocupada por invasões de cinqüenta a sessenta mil hectares [...]o
início das invasões, deve-se a uma estrada que ligava a cidade
de Ji-Paraná à fazenda Castanhal. Está fazenda, obteve a
construção da estrada pela prefeitura de Ji-Paraná em 1975. Em
1982, Apoena Meirelles, delegado da 8° delegacia regional da
FUNAI conseguiu a mudança de seu itinerário. Mais grave ainda é
o roubo de madeiras, hoje uma atividade organizada e constante.
(Ibidem, 1993, p.96)
O mesmo relatório da conta de que
a situação de invasões da Terra Indígena Igarapé Lourdes foi
ainda mais grave em 1984, quando índios Arara e Gavião se
juntaram no sentido de expulsar vários invasores de suas terras.
Neste mesmo ano, vários colonos foram presos e notificados para
que deixassem a Terra Indígena. Diante das questões postas, os
indígenas foram intensificando o contato com os não índios,
sendo que, “a inserção no mundo dos brancos trouxe consigo
mudanças na organização social, nos rituais tradicionais, na
relação com a natureza e no sistema econômico. Assim o
capitalismo expresso pelo consumismo e pela necessidade
constante de ganhar dinheiro, passou a fazer parte no dia-a-dia
nas aldeias” (FELZKE, 2007, p. 15). As evidências demonstradas
pela autora nos autorizam afirmar que, foram e são grandes os
impactos decorrentes do contato, problemática que incidem
diretamente no âmbito dos territórios pertencentes a esta etnia.
Fatores e resultados
preliminares do estudo
Nossa situação de pesquisador
junto à sociedade indígena Gavião permitiu-nos fazer diversos
questionamentos. Desde 2004 mantemos contatos regulares com este
grupo étnico, o que veio nos instigando a investirmos em um
estudo dessa natureza. Durante as pesquisas iniciais, fomos
percebendo e anotando os diversos questionamentos feitos por
moradoras e moradores indígenas, sendo que entre as preocupações
mais freqüentes do grupo, situavam-se as que referiam
diretamente à possibilidade de perda da cultura tradicional, bem
como um manifesto sentimento de indignação para com as propostas
de políticas públicas desenvolvidas no âmbito da etnia por
alguns órgãos oficiais do governo.
Entre as referidas propostas
governamentais, situavam-se três projetos executados nas aldeias
Gavião que chamavam nossa atenção pela provocação que despertava
nos indígenas dessa etnia. O primeiro projeto referia-se a
transformação de grande parte das lavouras de consócio – forma
tradicional de cultivo desenvolvido por esta etnia, por
extensões arrojadas de monoculturas. Outro projeto, estava
relacionado a implantação da piscicultura em um grande lago
feito especificamente para comportar a criação de alevinos,
sendo que a idéia inicial era promover um tipo de
desenvolvimento em que os indígena poderiam extrair da
piscicultura produtos para a comercialização. O terceiro projeto
relacionava-se a criação de gados pelos indígenas, tendo em
vista promover o aproveitamento das áreas degradadas pelos
invasores – fazendeiros e madeireiros expulsos da terra
indígenas no inicio da década de oitenta por extensões de
pecuária.
São grandes os números de aldeias
dessa etnia que vem sofrendo com as influências da sociedade
envolvente, entre estas, localiza-se a Ikolen, onde os
indígenas foram impulsionados a executarem os projetos já
mencionados – gado, peixe e produzirem uma monocultura voltada
para a comercialização, o que a nosso ver representa um
distanciamento da realidade dessa população étnica, tendo em
vista que as tradições de cultivo junto a esta comunidade, por
exemplo, tem revelado que os indígenas Gavião através de seus
conhecimentos milenares, produziam um tipo de plantação de
consórcio em pequenas roças, afirmando que:
Os índios perceberam ao longo de
suas historias pretéritas, que a fertilidade da terra na
Amazônia, estava diretamente relacionada com a floresta e
desenvolveu um tipo de agricultura perfeitamente integrada a
mata, ou seja, estabeleceram uma relação ótima de seu habitat
sob o jogo e desenvolvimento de suas culturas.
(AMARAL, 2004, p. 68)
Ao compreendermos essas
preposições, é possível ser reconhecido que “as sociedades
tradicionais acompanham os padrões oferecidos pela natureza e
vão respondendo progressivamente aos obstáculos” (LEONEL, 1998,
p. 217), o que as torna diferente da lógica capitalista
cumulativa. Nesse sentido, os projetos desenvolvidos junto a
essa comunidade, parecem não refletir as características desse
grupo, tendo em vista que apresenta dificuldades em integrar os
interesses dos órgãos governamentais com os interesses da
sociedade indígena.
Segundo Silva (2001), o maior
problema em estabelecer políticas de desenvolvimento em
sociedades étnicas dessa natureza, está relacionada diretamente
aos ideais de sociedade daqueles que produzem esses programas,
quase sempre representado por ideais capitalista de produção.
Nessa perspectiva esta autora enfatiza que:
A exploração e sobreposição de
modelos produtivos tem sido agressivo; opinião que se amolda,
hoje, as críticas da modernização da Amazônia. O manejo
tradicional, forma de domínio empírico das florestas tropicais
pelas populações de “ cuenca”, tem sido substituído pelo
desmatamento para a formação de pastagem e para o
desenvolvimento de monoculturas”
(SILVA, 2001, p.37)
Tendo em vista esta perspectiva,
acreditamos haver necessidade de estudos que compreenda as
características essenciais dessas populações, no sentido de que
venha servir de norteares em produção de políticas para a melhor
efetivação do desenvolvimento amazônico. Nessa forma de
compreender, é preciso enfatizar que estes projetos devem levar
em consideração as características físicas, ambientais bem como
culturais e prover um desenvolvimento sustentado “através da
gestão racional dos recursos. Ao invés de uma exploração
destrutiva, reduzir ao máximo os efeitos ambientais negativos” (SACHS,
1986, p. 98).
Diferentemente das propostas
implementadas para essa sociedade indígena, percebemos que a
comunidade aspira um profundo sentimento de pertença pelo lugar
a qual habitam, tal evidencia pode ser lugar adquire importância
singular na vida dos seres humanos, tendo em vista de que este,
(os seres humanos) “necessita de um lugar para comer, dormir,
descansar, enfim, um lugar para reposição de energia e
reprodução da espécie, mais do que isso se trata de lugares onde
os modos de apropriação permitem a realização da vida humana e
seus múltiplos sentidos” (CARLOS, 1999, p.85). Nessa perspectiva
a construção desse espaço “são produtos de intervenções
teleológicas, materializações de projetos elaborados por
sujeitos históricos e sociais. Por trás dos padrões espaciais,
estão concepções, valores, interesses, mentalidades, visões de
mundo” (MORAES, 2005, p. 16).
O progresso das civilizações
humanas e conseqüentemente a expansão do comércio, das
ideologias e dos relacionamentos entre grupos distintos, emergiu
uma nova ordem planetária, denominada de globalização. Dentro
dessa nova perspectiva:
A questão do lugar assume
contornos importantes, pois é em lugares determinados,
específicos que este processo se concretiza. E nessa mesma
medida em que ocorre este movimento de globalização que tende a
homogeneizar todos os espaços, a diferenciação pelo contrário se
intensifica, pois os grupos sociais, as pessoas, não reagem da
mesma forma. Cada lugar vai ter marcas que permite construir sua
identidade.
(CALLAI, 2000, p. 107)
A esse respeito Woodward (2000),
argumenta que os discursos, bem como os sistemas de
representações identitárias constroem os lugares a partir dos
quais os indivíduos tomam posição, e a partir dos quais ele pode
falar. Nessa discussão, este autor reconhece que, “a
globalização, produz diferentes resultados em termos de
identidade. A homogeneidade cultural produzida por este processo
pode levar ao distanciamento da identidade relativamente a
comunidade e a cultura”. (WOODWARD, 2000, p.21). Para De Certeau
(1995), a identidade cultural é o lugar da afirmação pessoal, da
auto-estima e do não estranhamento do mundo, dessa forma a
“perda de uma identidade, está relacionada a extinção daquilo
que a valida, ficando impossível encontrar uma identidade se os
pontos de referencias que a tornaram possível aos pais e aos
avós se apagaram ou se tornaram inoperante”( DE CERTEAU, 1995,
p. 148).
Nessa mesma perspectiva, Santos
(2005) afirma que as identidades locais ao sentirem-se
ameaçadas, podem entrar em confronto com as características e
manifestações globais. Dessa forma, “há um conflito que se
agrava entre o espaço local, espaço vivido por todos os
vizinhos, e o espaço global, habitado por um progresso
racionalizador e um conteúdo ideológico de ordem distinta e que
chega a cada lugar com objetivos e normas estabelecido para
servi-los” (SANTOS, 2005, p. 143). Nesse sentido, torna-se
imprescindível discutirmos acerca da manutenção das identidades
culturais locais, frente ao processo de surgimento de uma
cultura global, haja vista que a globalização surge “a partir de
diferentes mecanismos de hibridização ou por processos de
subsunção das diferentes identidades culturais próprias ao
movimento de expansão da cultura homogênea” (FILHO, 2004, p.
14). Dessa forma, compreendemos que “as sociedades tradicionais
de pequena escala, podem estar sendo absorvidas pela sociedade
nacional envolvente, tornando-se parte do sistema regional,
quando não do próprio sistema mundial” (NEVES, 1996, p. 57).
As perspectivas já mencionadas nos
permitem questionarmos sobre as situações vivenciadas pela etnia
indígena Gavião, sendo que impulsionados pela lógica capitalista
cumulativa os vários projetos desenvolvidos vem representando um
distanciamento da identidade cultural indígena. Tal evidência
pode ser compreendida através dos próprios resultados dos
projetos, ou seja, muitos estão sendo fadados ao fracasso e como
tal, significam investimentos aleatórios, sem conhecimentos do
funcionamento das preferências e das tradições desse grupo.
Neste sentido, muito indígenas manifestam uma prática de vida
que se distanciam das lógicas produtivas cumulativas, e como
tal, não expressam interesses pelos projetos o que por sua vez
são projetos frustrados pela identidade cultural indígena.
Considerações finais
Diante do que já expomos neste
texto, foi possível a compreensão de que a Amazônia veio sendo
tratada como um espaço de importante potencial para o
desenvolvimento econômico do país, sendo que grande parte das
estratégias em termos de ocupação da Amazônia, principalmente a
partir da década de cinqüenta do século XX, tinha como objetivo
a liberação de terras para a colonização e efetivação de uma
transformação territorial capaz de potencializar o aparecimento
de lavouras produtivas e/ou pecuária tendo em vista promover o
suposto desenvolvimento Amazônico.
Esclarecemos ainda que as
propostas de ocupação – colonizações recentes da Amazônia não
previram os custos ambientais, bem como as diversas ocupações do
território já existentes pelas populações indígenas, sendo que
foram neste período que desencadeou uma série de conflitos entre
indígenas e não indígenas pela posse de terras, como as
situações dos indígenas Gavião.
Diante disso, ficam evidentes que
as problemáticas vivenciadas por esta etnia, são produtos das
novas lógicas de vivências que vão sendo incorporadas ao
contexto Amazônico, sendo que em grande parte os prejuízos as
populações tradicionais ultrapassam os impactos territoriais e
adquirem enfrentamentos culturais, como os evidenciados entre os
índios Gavião. As propostas governamentais efetivadas sem
conhecimento do funcionamento das vivências e valores culturais
indígenas são fatores que permitem compreendermos que grande
parte dos lugares e das identidades regionais está em processo
contínuo de transformação.
Acreditamos que atualmente há um
contraste entre os ideais de lugar, fortemente representado na
imaginação indígena – floresta, abundância de caça, árvores
frutíferas, com as quais os indígenas “ parecem invocar uma
origem que residiria em um passado histórico pelo qual continuam
a manter correspondência” (HALL, 2000. P. 108), e a configuração
de um novo espaço impactado pelo contato com a sociedade
envolvente – pastagem, pouca floresta, escassez de peixes,
animais e árvores frutífera. Nesse sentido evidenciamos que a
etnia indígena Gavião vem evidenciando o lugar como sendo o
espaço das relações sociais “cuja ardem e o cotidiano, e seus
parâmetros são a co-presença, a vizinhança, a intimidade, a
emoção, a cooperação e a socialização com base na contigüidade”
(SANTOS, 2004, p. 338).
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Como citar este artigo:
SCARAMUZZA, Genivaldo Frois. Identidades e
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P@rtes (São Paulo).
Julho de 2009. Disponível em: <http://www.partes.com.br/socioambiental/amazoniaeidentidade.asp>.
Acesso em ___/___/___