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.ISSN 1678-8419  

Última atualização feita em:31-03-2007 23:01
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Economizar água, uma obrigação de todos
Por Sebastião Almeida*
 

O apagão do sistema elétrico fez muita gente refletir sobre o desperdício de energia. Depois da gritaria inicial, as pessoas passaram a se vigiar e puderam comprovar que o racionamento não ajudava somente o governo, mas tinha impacto no próprio bolso. O hábito de apagar as luzes e desligar os aparelhos domésticos foi incorporado à vida de muitas famílias, inclusive depois que a crise terminou. Mais do que nunca, está na hora de as pessoas começarem a agir com a mesma parcimônia em relação à água doce, um bem valiosíssimo que pode acabar se a população não se mobilizar.

 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas, mais de 230 milhões de pessoas em todo o mundo já sofrem com a escassez desse produto vital. Um número bem superior, de 1,1 bilhão, tem acesso ao líquido, mas não pode consumi-lo porque não é potável. O Brasil não se enquadra nessas estatísticas, já que possui 13,7% do total de água doce do planeta. Isso, porém, não justifica a omissão que demonstramos no trato com a questão. Gastamos quantidades imensas de água para lavar um carro e o quintal, regar as plantas do jardim e refrescar os dias de calor. Desde pequenos fomos acostumados à abundância de recursos hídricos, sem nos preocupar com o dia de amanhã.

 

O brasileiro consome mais de 200 litros de água por dia, quase o dobro do que a ONU considera ideal para atender às necessidades de consumo e higiene. Em São Paulo, a esse número é ainda maior: 345,6 litros por pessoa. Segundo a Sabesp, responsável pelo fornecimento de 367 dos 645 municípios paulistas, são necessários 100 mil litros de água por segundo para abastecer os 25 milhões de usuários de sua rede. Basta multiplicar pelas 24 horas para chegar à surpreendente marca de 8,64 bilhões. Se seguíssemos os padrões da ONU, a economia diária seria de aproximadamente 5,9 bilhões de litros, ou 180 bilhões de litros de água potável por mês.

 

Para conseguir atingir essa meta de redução de consumo, precisaríamos mudar alguns hábitos em nosso cotidiano. Na hora de escovar os dentes, é importante não deixar a torneira aberta. Parece besteira, mas um fio de água correndo por cinco minutos equivale a um desperdício de 12 litros de água potável. Uma torneira gotejando pode desperdiçar até 46 litros por dia, enquanto um banho de ducha de 15 minutos, com registro meio aberto, consome outros 135 litros de água – se reduzir o tempo para cinco minutos, você vai gastar 45 litros. Quer mais? Aquela louça que demora 15 minutos para ser lavada demanda 120 litros se a torneira não estiver fechada. Mas esse consumo pode diminuir para 20 litros de água se você abrir e fechar o registro durante o processo.

 

Num primeiro momento, essas alterações de comportamento podem soar como um sacrifício. Mas, aos poucos, é possível se acostumar com a nova rotina. Tenha certeza de que a água economizada hoje não fará falta em suas atividades. E ainda terá impacto decisivo no futuro de seus filhos e netos. A participação das crianças e dos jovens durante esse reaprendizado diário também é fundamental. Será deles a responsabilidade pela manutenção e a preservação dos recursos hídricos num futuro bem próximo, inclusive zelando para evitar que a poluição contamine as fontes de água.

 

Dia 22 de março é o Dia Internacional da Água. Convido a todos para refletir sobre as conseqüências do mau uso desse precioso líquido e lembrar que nem todos os países possuem o privilégio que a Mãe Natureza nos deu. Lembre-se que o aquecimento global indica que haverá uma diminuição drástica na quantidade de chuvas ao redor do planeta, assim como uma ampliação das áreas atingidas pela seca. Isso significa que a capacidade de geração de água potável é finita. É melhor começar a economizar agora para amenizar o que vem por aí.

 

Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e membro da comissão de meio ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo.




 


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