O dia 5
de junho é lembrado mundial como o Dia do Meio Ambiente. Nos
últimos anos, a data tem servido para que entidades
ambientalistas protestem contra a letargia dos governos para
encontrar soluções que amenizem os impactos do aquecimento
global sobre o planeta. As alterações climáticas provocadas
pela poluição desenfreada também despertam, cada vez mais,
um sentimento de conscientização na sociedade. Nem tudo está
perdido. Porém, é necessário que todos se unam para combater
um mal que pode afetar as futuras gerações.
No ano
passado, nações industrializadas produziram relatórios sobre
as transformações sociais e econômicas que atingirão nosso
planeta nas próximas décadas provocadas pelo aquecimento do
planeta. Elevação do nível dos oceanos, tempestades com alto
poder de destruição, derretimento da calota polar, enchentes
e secas prolongadas serão inevitáveis em um espaço curto de
tempo. Basta ligar a TV para perceber que algo de errado já
ocorre no planeta.
Em todos
os documentos, os cientistas faziam questão de deixar claro
que a maioria destas catástrofes poderia ser revertida.
Segundo eles, o trabalho tem que começar imediatamente e não
pode haver economia de recursos financeiros. Mais do que
nunca, boas idéias começam a sair do papel e outras estão em
discussão. O problema é que o tempo é curto e questões mais
delicadas acabam sendo postergadas por causa de interesses
econômicos de grandes corporações.
O
petróleo está no centro do debate. Como se a disputa pelo
ouro negro já não fosse suficiente por guerras como a do
Iraque, sua combustão é um dos maiores males para a
atmosfera da Terra. Ocorre que alternativas como o etanol
brasileiro, cantado em verso e prosa como uma das
alternativas para diminuir essa poluição, encontra barreiras
em países desenvolvidos porque vai alterar a cadeia de
produção e deixar para trás um modelo que ainda se
acreditava que perduraria por séculos.
Também
não se pode ignorar o problema da escassez água potável, que
afeta mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Na África,
principalmente, a situação é dramática. Gente que anda
quilômetros para encher uma lata de água, que muitas vezes
sequer pode ser utilizada para consumo. Graças às riquezas
naturais, o Brasil se acostumou ao desperdício deste
recurso. É hora de mudar esse comportamento.
A
questão do lixo é outro ponto nevrálgico desta discussão. Na
Europa, os clientes de supermercado começam a ser taxados
pelo uso de sacolas plásticas. A China, que produz 3 bilhões
de sacolas/dia, quer proibir completamente seu uso nos
próximos anos. Outras alternativas, como os materiais
oxibiodegradáveis que se decompõem no meio ambiente
rapidamente, vêm sendo adotadas por vários países, mesmo que
a contragosto da indústria petroquímica.
No
Brasil, alguns governantes começam a despertar para a
questão. Infelizmente, o estado mais poluidor do País nada
faz para reverter esta situação. Em apenas um ano, o governo
de São Paulo vetou dois projetos importantes para a
preservação do planeta. O primeiro obrigava o comércio a
adotar as sacolas plásticas oxibiodegradáveis. E o outro
obrigava o Estado a equipar prédios públicos com
equipamentos para pôr em prática o reuso da água em um
período de 10 anos.
É um
posicionamento insensato, que vai na contramão de tudo que
vem sendo feito pelo mundo afora. Que neste 5 de junho as
pessoas tenham a noção de que colaborar com esta batalha no
dia-a-dia, economizando água, separando o lixo reciclável e
evitando as sacolas nos supermercados. Mais que isso, devem
aproveitar o momento para cobrar uma postura mais firme das
autoridades.
*
Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador
da Frente Parlamentar em Defesa da Água e presidente da
comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia
Legislativa de São Paulo. E-mail:
gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br