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Resumo:
este artigo pretende chamar
atenção sobre a importância e necessidade de se implantar alternativas
de recuperação e preservação dos recursos hídricos da região meio
oeste de Santa Catarina. Para isso se propõe que seja iniciado por meio
de um planejamento seguindo as diretrizes do ecoturismo aliado à
identificação do imaginário coletivo e sua interface com esses recursos
para que possa ter uma atividade turística duradoura e que satisfaça
os desejos dos visitantes.
Palavras chaves:
Ecoturismo, recursos hídricos, imaginário, região meio oeste de Santa
Catarina.
1.
Introdução
Os recursos hídricos vêm sendo utilizados
pela população de forma descontrolada. Em alguns lugares do mundo já se
encontra escasso, no Brasil também estamos sentindo os efeitos do uso
desenfreado desses recursos tendo na contaminação da água um dos maiores
problemas que nos limita o uso.
O objetivo deste estudo é refletir sobre o uso dos
recursos hídricos para o Turismo e como este pode ser uma alternativa de
fomento à recuperação e conservação destes recursos na região meio
oeste catarinense e a necessidade de se iniciar o planejamento
seguindo os princípios do ecoturismo para se ter uma atividade
sustentável e enfocando também nesse processo os aspectos subjetivos
como a identificação do imaginário do visitante, sua interface com os
recursos hídricos, o que os motiva a conhecer esses lugares.
2. Turismo: a evolução e o imaginário.
“Em poucos séculos, os seres humanos
transformaram, em alguma medida, cada canto da Terra. No entanto as
áreas naturais estão isoladas num oceano de natureza humana” (Wearing e
Neil, 2001, p.154).
O turismo é atividade multisetorial, isto é, pode ser
gerado e atingir diversas atividades, tanto econômica, ambiental, social
e cultural, por isso ele é complexo e considerado um fenômeno holístico,
segundo a vivência humana, pois ele consiste em deslocamentos
voluntários dos indivíduos que buscam satisfazer as mais diversas
necessidades, como diversão, descanso, conhecimento de outras culturas,
entre outras. É também um dos setores econômicos, que mais cresce.
De acordo com a Agência Nacional de Águas
- ANA, no caderno de recursos hídricos – Turismo e o lazer e sua
interface com o setor de recursos hídricos (2005, p. 01) “a indústria do
Turismo é na atualidade a atividade que apresenta os mais elevados
índices de crescimento no contexto econômico mundial. Movimenta cerca de
US$ 3,5 trilhões anualmente e apenas na última década, expandiu suas
atividades em torno de 57%”. Esta discorre também que “o turismo deverá
se transformar em um agente de valorização e conservação do patrimônio
ambiental, cultural, fortalecendo o princípio da sustentabilidade”.
Complementando, Wearing e Neil (2001, p.
154) expressam que “o Turismo baseado na natureza, conforme o World
Resouces Institute está crescendo em até 30%, enquanto o turismo geral
vem crescendo a uma taxa aproximada de 4%”.
Conforme Ruschamann:
Foi a partir
do século XX e mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial, que o
Turismo evoluiu, como conseqüência dos aspectos relacionados à
produtividade empresarial, ao poder de compra e ao bem estar resultante
da restauração da paz no mundo.
(1999 p.13).
A partir
desse período as evoluções tecnológicas nas comunicações e nos
transportes facilitaram o aumento da procura por viagens, e aumento
significativo na oferta de produtos turísticos. Os desejos imateriais da
sociedade passaram a ser considerados como necessidades, tendo desta
forma maior procura pelo lazer, buscando através das viagens, novas
experiências e aventuras.
Considerando este crescimento, em especial a
modalidade do Ecoturismo, que utiliza os recursos naturais e os
transforma em produtos turísticos para atender essa demanda crescente,
cada vez mais se buscam ambientes naturais para passar seu tempo livre,
pois deseja ter contato com o “in natura”, um ambiente limpo,
preservado de qualidade.
Ruschmann descreve que:
O Turismo contemporâneo é
um grande consumidor da natureza e sua evolução, nas últimas décadas,
ocorreu como conseqüência da ‘busca do verde’ e da ‘fuga’ dos tumultos
dos grandes conglomerados urbanos por pessoas que tentam recuperar o
equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu
tempo de lazer.(1999, p.20
)
Portanto, com a oferta e a demanda ecoturística em
alta, é possível avaliar que o produto turístico para se consolidar no
mercado tem que oferecer um diferencial que atraia as expectativas e os
anseios do turista. Deve ter uma imagem que transmita a inversão do
cotidiano e a possibilidade de um rejuvenescimento.
A disposição tanto financeira como tempo-espacial dos
“homens-turistas” requer uma contrapartida imediata e transformadora,
uma energia para a sobrevivência, que para
Krippendorf (1989), está exatamente no objetivo principal do viajante,
sair do “stress” gerado pelo cotidiano, principalmente pelo
trabalho, e vivenciar uma experiência imaginária e prazerosa que forneça
uma energia para seu retorno.
Essa experiência, portanto, é proporcionada na
vivência de locais diferentes, com costumes, gastronomias, vestimentas e
idiomas ou mesmo jeito de falar diferenciado do “homem-turista”. E é
exatamente isto que faz o produto ser um atrativo, estabelecer uma
ligação do imaginário do turista com a vivência do local.
Este “vivenciar o Turismo” é estar no seu tempo de
lazer, livre de suas obrigações, então mais apto a desfrutar momentos
diferentes desta amostra cultural. Porque em tempo de turismo o ser
humano está mais sensível e por isso absorve mais e aprende mais com as
coisas ao redor.
Um exemplo prático, simples, mas eficaz, porque no
turismo a simplicidade natural é que se torna eficaz. É a seguinte:
Um turista conduzido por um guia local (podendo
neste caso ser um antigo morador, um nativo) ao percorrer uma trilha em
uma área natural, de repente, se depara com uma imensa e antiga árvore,
então fica boquiaberto. O guia ao olhá-lo percebe a perplexidade e
comenta: “Tá vendo esta árvore, moço! Foram anos para crescer e se
tornar tão grande, anos de sombra, frutos, abrigo e beleza. Sua força,
porém, há centenas de anos para nossa comunidade, é mais importante
quando a transformamos em canoa. Pois do seu tronco fazemos nosso meio
de transporte e por isso nosso alimento. E é exatamente o peixe que
retiramos do rio com esta canoa que também alimentamos os nossos
turistas”.
Neste singelo exemplo, o visitante deparou-se com
informações que jamais poderia obter em outro local. Pois a árvore é
para aquele povo, sua fonte de sustento, e só ali o homem-turista
poderia sentir com intensidade este significado.
Só observando o tamanho do verde, poderia sentir o
esplendor da árvore, e visualizando a beleza do rio, compreender a
importância para a sobrevivência de uma comunidade. Pois em nenhum outro
lugar haveria uma espécie de árvore como aquela, um povo como aquele,
uma sabedoria como aquela. Aqueles costumes são únicos, aquela cultura é
única, sua história única. A vivência naquele local, para o turista
ocorreu uma experiência única. Um encontro do imaginário, um agregar de
valores, que está embutido no próprio produto e que não será encontrado
em outro lugar.
O ecoturismo pode ser uma oportunidade de
desenvolvimento, de conservação dos recursos hídricos, visto que este
tipo de turismo pode ser uma maneira de utilizá-lo de forma consciente
enfatizando os valores ambientais, contribuindo para uma mudança no modo
como a natureza é vista pela sociedade, que atualmente tem uma visão
antropocêntrica, ou seja, não se sente parte do meio ambiente e acredita
que este é para ser usufruído indiscriminadamente.
É de extrema importância considerar o imaginário
coletivo durante o planejamento de uma atividade ecoturística para que
esta seja duradoura, e atenda aos desejos dos seus visitantes e
comunidade local, procurando, ao mesmo tempo, enfocar uma noção de
sustentabilidade à atividade.
“O imaginário
enuncia uma forma de futuro a construir e, nesse sentido, é uma fonte
geradora de ação. Projeta a utopia ou um conjunto de imagens, valores, e
expectativas que vão além da realidade, pois estão na esfera do
potencial e do possível”. (CORIOLANO, 2002, p. 6)
3. Recursos hídricos como atrativo do ecoturismo
A água
simboliza a vida, essencial à sobrevivência humana e de outras espécies.
O Brasil é o país que mais tem água disponível no mundo, possui também o
maior reservatório subterrâneo de água – Aqüífero Guarani. Segundo a
organização não governamental WWF Brasil (2004, p. 59) “mais de 97% das
águas do planeta são salgadas e que 2% estão congeladas nas calotas
polares. Portanto, menos de 1% da água doce do mundo está disponível
para uso, parte em forma de água subterrânea e em parte superficial.
Deste total o Brasil possui algo em torno de 17%”.
Mesmo possuindo toda essa água não
estamos livres da escassez. Com o crescimento dos estudos sobre essa
problemática salienta-se a necessidade de mudança de comportamento,
porém a sociedade tem demonstrado pouca preocupação em proteger e
conservar esse recurso natural finito.
Segundo Jensen,
A preocupação com a gua dá-se pelo fato de que os países em
desenvolvimento, segundo a ONU, ainda possuem atitudes errôneas, onde
cerca de 90% dos esgotos sem tratamento, são lançados nas águas, e uma
das conseqüências disso é que 80% das doenças estão relacionadas com
essa água de baixa qualidade. Tanto pelo fato da má administração da
água como a crescente demanda por esse elemento, a qualidade da água
passou a ser tão importante quanto sua quantidade e em muitas situações
essa qualidade requerida passou a ser uma oportunidade de
desenvolvimento. (2004, p. 6 e 7).
Na Política
Nacional de recursos hídricos (Lei Federal Nº 9.433 de 08 de janeiro de
1997) no seu artigo 1º ítem I destaca como fundamento principal desta
política “proporcionar o uso múltiplo das águas”, complementando no ítem
VI dispõe que “a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e
contar com participação do Poder Público, dos usuários e das
comunidades”.
Deixando claro
desta forma que os “usos múltiplos” bem como a gestão desses recursos
inclui o Turismo, podendo este ser uma maneira de usufruí-lo, porém
observando os princípios de conservação e preservação.
Outra resolução
que tange a questão do Turismo é a Resolução do Conselho Nacional do
Meio Ambiente, (CONAMA) Nº 20 de 18 de junho 1986 que, classifica as
águas em doces, salobras e salinas e estabelece os padrões de qualidade
de água dos corpos hídricos brasileiros visando assegurar o uso. É nesse
aspecto que podemos relacionar com o Turismo, pois a qualidade da água é
importantíssima, principalmente quando acontece atividade de contato
primária, ou seja, a balneabilidade. Conforme a Agência Nacional das
Águas- ANA,
percebe-se que no Brasil, a população costuma tirar férias em locais
relacionados com água, como praias, lagos, rios, estâncias
hidrominerais. Desta forma, as diversas regiões que têm recursos
hídricos próprios para a balneabilidade entram em um processo de
expansão das atividades econômicas ligadas ao setor terciário e à
demanda de lazer e populações urbanas. (2005 p. 01).
A ANA expressa
também que “o Turismo associado aos recursos hídricos podem ser
agrupados em 3 segmentos: 1º o Turismo e lazer no litoral, 2º o Turismo
ecológico e a pesca e 3º o Turismo e lazer nos lagos e reservatórios
interiores. (2005, p. 02) Na Política Nacional de Turismo
(Lei Federal Nº 8.181 de 1999) regulamentada pelo Decreto N º 448 de 14
de fevereiro de 1992, umas das diretrizes do planejamento do Turismo
coloca que: “ a prática do Turismo como forma de promover a valorização
e a preservação do patrimônio natural e cultural do País”. Dentre os
objetivos desta política destacamos o que descreve que “estimular o
aproveitamento turístico dos recursos naturais e culturais que integram
o patrimônio turístico, com vistas à sua valorização e conservação.
Com base nestes dispositivos
legais, vemos a estreita relação entre recursos hídricos e Turismo, e a
necessidade de estudos sobre suas interfaces, podendo ser através do
Turismo planejado promover responsabilidade para com o meio natural.
4. Recursos hídricos e o imaginário
“É água do céu, da nuvem em véu,
que vem p’ra formar
os rios e vazantes, os lagos brilhantes,
as ondas do mar.” (Chacon, 2004).
Água não pode mais ser vista apenas como um recurso,
pois desta forma entende-se como algo apropriado, limitando-se a uma
visão econômica, mercantilista, devemos passar a considerar os recursos
hídricos como um “bem natural” fundamental para a sobrevivência de vida
humana bem como a todas as formas de vida, não há vida sem água.
Á água, nas mais diversas religiões tem significado
sagrado, vai além do material, pois como exemplo para a Igreja Católica
Apostólica Romana, ela simboliza nascimento para uma vida nova no ato do
batismo ao serem banhadas pela água as pessoas são purificadas e
incorporadas a comunidade de Jesus Cristo.
Moreira (2004) complementa:
No princípio era a água; e
a água se fez “carne”: criaturas todas do universo. Não somos apenas
filhos e filhas da água. Somos mais. Somos água que sente, que canta,
que pensa, que ama, que deseja, que cria (...).
As grandes civilizações da
história da humanidade surgiram em torno da água. São Francisco: “Irmã
água”. A água encontra na maioria das religiões uma dimensão sagrada.
Em todas as religiões e tradições espirituais, a água tem um significado
mais rico do que o seu conteúdo material; simboliza a vida. A água, na
sua ternura, supera a força do fogo e impede o incêndio. Na Umbanda, a
água aparece como medicamento (água fluídica ou magnetizada pelas
pessoas, pelos médiuns ou pelos espíritos). Para os povos indígenas, a
água é sagrada. Os povos do semi-árido veneram a água como tesouro
escondido ao que almejam e do qual dependem. Nesta região, orvalho,
chuva e água, são sinais da ação benéfica do céu.
Desta forma desde a procura do
homem pela água, é um instinto ancestral, pois no seu imaginário
acredita-se que é o contato com a natureza e em especial com a água que
acontece a purificação espiritual, renovação, alívio do stress causado
pela rotina.
A Campanha da Fraternidade 2004 da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB veio a reforçar a necessidade de
sensibilizar a população brasileira para a conservação dos bens naturais
tendo como lema desta campanha “Água Fonte de Vida” onde destacamos
alguns objetivos: "1º - conhecer a realidade
hídrica do Brasil a partir da realidade local; 2º - desenvolver uma
mística ecológica que resgate o valor da água nos seus fundamentos mais
profundos”; e nesse contexto que o texto base da Campanha expressa a
necessidade e importância de se modificar alguns conceitos, como no caso
alterar a os ‘múltiplos usos’ que consta na Política Nacional dos
Recursos Hídricos (Lei Federal Nº 9.433 de 08 de janeiro de 1997)
desse bem natural para “múltiplos valores da água” onde o valor supremo
da água é o biológico, seguido do valor social. É colocado também a
sugestão de mudança desta lei acima mencionada para “Lei do Patrimônio
Hídrico Brasileiro” passando a dar mais ênfase ao uso qualitativo e não
quantitativo.
Sendo a água um bem natural finito, podendo acabar
num futuro próximo, temos a urgência em criar atividades sustentáveis
que possam minimizar esse problema.
A solução de toda a
humanidade é uma solução mais profunda: uma relação de amor e carinho
com a mãe Terra e a "irmã Água", como gostava de chamar Francisco de
Assis. A veneração à natureza, aprofundada pelas religiões dos povos da
floresta (...). (MOREIRA, 2004).
Desta forma acredita-se que através do Turismo
pode-se planejar atividades que atinjam o imaginário dos turistas
trabalhando no mundo da representação simbólica para alcançar um
equilíbrio entre as motivações, desejos dos visitantes que procuram
atrativos turísticos em áreas naturais, aliadas à conservação dos
recursos hídricos.
O imaginário social, porém,
se constituiria numa série de imagens carregadas de sentimentos e
emoções, (...) Para melhor apreender essas relações, vale ressaltar a
afirmação de Tevês (1992), (...) as modificações ocorridas no homem não
são frutos somente das formas de produção e subsistência, mas também das
articulações do seu imaginário (SOUSA E DUTRA, 2002).
5. O potencial turístico da
Bacia do Rio Chapecó na região meio oeste de Santa Catarina
De acordo com o
Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina –
Cepa/SC (2003, p.17) “A mesorregião Oeste tem sua economia sustentada
basicamente pela atividade agrícola e pela transformação dos seus
produtos, conferindo-lhes um alto grau de dependência econômica do setor
agropecuário”, tendo como atividades econômicas mais importantes à
predominância da produção de grãos, suinocultura e a avicultura.
Observa-se um contínuo aumento do
esgotamento dos recursos naturais provocado pelo uso excessivo e
inadequado de agrotóxicos, usos e manejo inadequado do solo (erosão),
diminuição da cobertura de mata, poluição da água devido à alta pela
concentração dos dejetos de suínos.
Os recursos hídricos da região também vêm
sofrendo profundas alterações, em conseqüência do aumento crescente de
demanda, como a agricultura, pecuária, indústria, setor energético bem
como consumo humano. Desta forma, esses
“usos” sem medidas de controle e monitoramento acabam comprometendo
seriamente a qualidade da água na região, delimitando seu uso para o
Turismo.
Conforme Rodrigues, “a água potável e seus diferentes
usos estão concorrendo com o lugar para o depósito das águas usadas que
não são adequadas e suficientemente tratadas”.(2000, p. 178).
De acordo com o Programa de usos
múltiplos do reservatório do aproveitamento Hidrelétrico Quebra-Queixo,
realizado pelo Consórcio Quebra-Queixo, ETS Engenharia e Companhia
Energética Chapecó (2000, p. 11), “o rio Chapecó tem uma área de
drenagem de 8.190 Km2, atravessando territórios de 37 municípios, sendo
o principal rio da região, tendo como afluentes os rios Chapecozinho,
Saudades e Burro Branco”.
Consta ainda desse trabalho, que “os
atrativos naturais da região concentram-se no potencial dos rios Chapecó
e Chapecozinho com suas 'prainhas', grutas, artesanato indígena,
cascatas, despraiados, quedas de água, etc. Mas poucos dispõem de
infra-estrutura, o que dificulta um melhor aproveitamento dos mesmos”.
(2000,p. 09)
6. Preservação dos recursos hídricos por meio do
planejamento nos moldes do Ecoturismo e da percepção do imaginário
É necessário diversificar as formas de
desenvolvimento desta região, porém levando- se em conta seu
ecossistema natural e sua capacidade de recomposição. Faz- se
necessário criar formas de desenvolvimento regional, que sejam
sustentáveis, conservando os recursos naturais e que ao mesmo tempo
também seja viável economicamente e socialmente. Desta maneira o
Ecoturismo aparece como modelo mais apropriado para o planejamento do
Turismo nos recursos hídricos da respectiva região.
Segundo Wearing e Neil “O planejamento
envolve a antecipação e a regulamentação das mudanças, estimulando o
desenvolvimento adequado, de modo que se aumentem os benefícios sociais,
econômicos e ambientais do processo real” (2001, p.38). Complementando o
exposto, Boiteux e Werner expressam que “O Turismo não pode ser
entendido apenas como um gerador de dinheiro novo, mas também como um
grande agregador social de valores à comunidade, como um “abre-alas” de
uma nova era de benfeitorias para toda a população. (2001, p. 74).
Ruschamann destaca ainda que “as chances
de preservação e desenvolvimento harmonioso, portanto, são maiores para
as atrações turísticas potenciais - aquelas onde ainda não se
implantaram os equipamentos específicos da atividade, apesar de sua
grande atratividade natural e /ou sociocultural” (1999, p. 164).
O planejamento sustentável, com efeitos duradouros
das atividades turísticas no meio natural deve manter um equilíbrio
entre a oferta – capacidade do meio físico e a demanda - os desejos
dos visitantes.
A região meio oeste possui pontos de
lazer situados ao longo do rio Chapecó, porém a atividade turística
ainda é incipiente. Sendo assim, torna-se de fundamental importância um
estudo que possa diagnosticar e propor melhorias para se tornarem
atrativos ecoturísticos bem estruturados e que contemplem o ideal de
paraíso idealizado no imaginário dos visitantes.
O imaginário deve ser
incorporado ao produto muito antes, já na sua fase de planejamento: os
planejadores, hoje, devem conhecer muito bem o que vai no coração das
pessoas, seus desejos e anseios, e materializá-los em produtos, sejam
urbanos, ecológicos ou rurais. O ecológico deve alcançar para alem da
idéia do paraíso e, aliás, já há produtos que estão buscando
alternativas, como a de aproximar turismo e educação ambiental,
agregando ao produto essa idéia de aprendizado técnico e exercício de
comportamento e atitudes conservacionistas politicamente corretos. (GASTAL,
S. Turismo: Imagens e Imaginários, s.d. no prelo
[2] ).
7. Considerações Finais
Este trabalho procura demonstrar a
necessidade de se estabelecer alternativas de recuperação e de
preservação dos recursos hídricos da região meio oeste de Santa
Catarina .
Desta forma, acredita-se que o ecoturismo,
modalidade de Turismo mais procurada pelos turistas na atualidade possa
ser uma alternativa de uso sustentável desse patrimônio natural que á
água. Tendo a água um significado não apenas material, nas mais
diversas culturas e religiões, e de forte poder de atração, a manutenção
da qualidade das águas e seu resceptivo uso requer uma mudança de
pensamento, onde o próprio ser humano se reidentifique, sentindo o que
dele é nato, encontrar-se com a natureza, ele é parte dela e ali que
encontra a paz. Esse reencontro pode acontecer através do Turismo
podendo este ser uma beneficiador do elemento hídrico.
Acredita-se que a produção de um
imaginário coletivo embasado no princípios do Ecoturismo possa se
estimular a revalorização desse bem natural pois o “imaginário não
atinge apenas o racional, é capaz de despertar as vontades, as emoções
e as paixões “ (COROLIANO, 2002, p.5)
Portanto o imaginário coletivo
trabalhado por meio do Turismo para o uso sustentável dos recursos
hídricos precisa ser construído, visto que o imaginário possui um força
transformadora favorecendo a sensibilização dos núcleos receptores e
visitantes para a preservação deste bem natural vital para nossa
sobrevivência.
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iarapertille@hotmail.com
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