O debate em torno
do uso das sacolinhas de plástico-filme dos supermercados ganhou
força nos últimos meses. O tema despertou o interesse da sociedade,
demonstrando que existe interesse da população em adotar novas
soluções no combate a essa verdadeira praga que infesta e contamina
lixões e aterros sanitários pelo País. Projetos sugerindo a adoção
de novas tecnologias para substituir o material utilizado pelos
supermercados começaram a surgir em Assembléias Legislativas e
Câmaras Municipais. E, acredite se quiser, até a milionária
indústria do plástico se comprometeu a buscar soluções para amenizar
o impacto desse composto sobre o ambiente.
As propostas
variam, de acordo com o freguês. Os mais radicais defendem que o
plástico seja simplesmente banido das gôndolas dos supermercados.
Acreditam que a adoção dessa medida amenizaria a utilização desse
material como depósito de lixo nas residências. Sem dúvida, seria a
solução mais eficaz para resolver o problema, embora se apresente
como a menos receptível por envolver uma mudança brusca de
comportamento das pessoas. Seria um acontecimento sem precedentes no
mundo.
Outra solução
seria a substituição do plástico atual por compostos
oxibiodegradáveis, que aceleram o processo de decomposição através
de um aditivo adicionado durante o processo de produção do
plástico-filme. Assim, ao invés de demorar centenas de anos para se
decompor na Natureza, as sacolinhas desapareceriam em tempo bem
menor, que poderia variar de acordo com o desejo do fabricante. Essa
experiência já vem sendo adotada por várias redes de supermercado do
País e do mundo, embora ainda não conte com o apoio dos governos. Em
São Paulo, projeto de lei exigindo a adoção dessa tecnologia foi
vetado recentemente pelo governador José Serra.
Para quem ainda
está em dúvida sobre a melhor maneira de combater o plástico,
surgiram recentemente propostas para incentivar a utilização de
sacolas de pano em troca do plástico-filme. Algumas grifes,
inclusive, já manifestaram interesse em colocar no mercado modelos
que possam atender ao consumidor. Com design moderno, essas bolsas
têm tudo para cair no gosto daqueles que se preocupam com a
preservação do planeta. Gente bem informada, que sabe o mal que
milhões de toneladas de plástico despejadas no ambiente anualmente
poderão trazer às gerações futuras.
Quem não gosta
nada dessa idéia são os grandes conglomerados que se dedicam a
produzir plástico, um negócio que movimenta bilhões de reais. Para
não ficar à deriva, essas empresas já se movimentam para produzir
compostos mais resistentes, que possam ser reutilizados e que tenham
valor de compra. Dessa forma, eles acreditam que poderia haver
estímulo maior para que as pessoas se preocupassem com a reciclagem
do plástico produzido, como ocorreu com o alumínio e o papelão.
Vou além.
Particularmente, acredito que já está na hora de cobrar ações mais
concretas dessas empresas. Já que têm interesse em manter a produção
do plástico, elas também deveriam se responsabilizar com a coleta do
material antes de ele ir parar no lixo doméstico, adotando métodos
do que se convencionou chamar de logística reversa. Limpariam,
assim, a sujeira que vem despejando no ambiente nas últimas décadas.
Acho pouco provável que alguma dessas indústrias adote
espontaneamente essa postura. Nesse caso, cabe ao Poder Público a
elaboração de leis que possam apontar responsabilidades em torno
desse tema de tamanha importância.
Seja qual for a
solução, o importante é que as pessoas passaram a pensar duas vezes
antes de levar uma sacolinha para casa. Da mesma forma, muitos
comerciantes têm questionado o consumidor sobre a necessidade de
colocarem a mercadoria nesse plástico. Espero que esse movimento não
se restrinja ao calor da hora. Trata-se de uma discussão que está
apenas no começo e que pode evoluir se os entes públicos realmente
se mobilizarem para coibir a produção irresponsável de
plástico-filme, que sai das gôndolas dos supermercados para nossas
casas, onde vira depósito de lixo.