Caminhos para a sustentabilidade pelas vias da
Educação Ambiental
Leonardo Oliveira DA SILVA,
Elineí
Araújo-de-Almeida
publicado em 02/12/2010
RESUMO INFORMATIVO:
Discute-se muitos sobre aspectos concernentes a Educação
Ambiental numa perspectiva transformadora firmando a educação
enquanto práxis social, objetivando o estabelecimento de uma
consciência crítica e reflexiva com vistas à transformação da
realidade tanto ambiental como social. Com base no referencial
teórico-metodológico da perspectiva transformadora, buscou-se
abordar questões em torno da Educação Ambiental, demonstrando
ao mesmo tempo a possibilidade de promover nos sujeitos
envolvidos nas experiências práticas, uma melhor percepção
sobre a realidade socioambiental.
INTRODUÇÃO
O crescente uso e extração dos recursos naturais tem
nos levado cada dia a um verdadeiro colapso de cunho
ambiental. A despreocupação das entidades públicas e privadas
nos mostra que se faz necessário intensificar o trabalho de
conscientização e modificação de postura frente aos absurdos
ocasionados ao meio ambiente devido o chamado desenvolvimento.
A questão ambiental deixou de ser somente um “acaso”
passando a ser uma preocupação quando se percebe que devido à
“falta” de alguns desses recursos naturais o desenvolvimento
estava sendo combatido de frente por um “inimigo invisível”.
Assim vários municípios, estados e até países estavam
passando por sérios riscos, como por exemplo, cita-se nosso
próprio país que há alguns anos atrás quase que “surtava”
devido à falta d'água que tirava o potencial gerador de
energia das hidrelétricas o que poderia levar o Brasil ao
“apagão” e a um grande “desespero” econômico.
De igual modo percebemos que a sociedade também tem
sua parcela de culpa, sabe-se que desde o new american way
of life, (novo estilo americano de vida),ou seja,
expressão
utilizada pela mídia do século XVII para mostrar as diferenças
da qualidade de vida da população norte-americana.
No entanto percebe-se que desde então a sociedade de um modo
geral
vive na esfera do consumismo levando ao caótico estado de
degradação por não mais se saber o que fazer com a quantidade
de resíduos sólidos produzidos diariamente.
A sociedade começou a “desabrochar” para as questões
ambientais por volta da década de 60 e 70, quando em
Estocolmo, na Suécia foi realizada a primeira Conferência
Mundial sobre Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, onde
ocorreu a elaboração de um documento chamado de Declaração
de Estocolmo, quevinha a ser um conjunto de
princípios para o manejo ecologicamente racional do meio
ambiente.
Carcino (2007,. P 37) salienta que “esta Declaração
representou o início de um dialogo entre países
industrializados e países em desenvolvimento a respeito da
vinculação que existe entre o crescimento econômico, a
poluição dos bens globais (ar, água e oceanos) e o bem estar
dos povos de todo mundo”.
A falta de compromisso das pessoas com as questões
ambientais pode ser de certa forma devido à maneira como elas
vêem o meio ambiente. Carvalho (2006,. P 35) diz que “essa
visão “naturalizada” tende a ver a natureza como o mundo da
ordem biológica, essencialmente boa, pacificada, equilibrada,
estável em suas interações ecossistêmicas, o qual segue
vivendo como autônomo e independente da interação com o mundo
cultural humano”.
Contudo sabe-se que de fato há uma interação intrínseca entre
o homem a sociedade e este meio ambiente, pois este deve se
tornar o agente fundamental na perspectiva de melhora do meio
ambiente.
Sendo assim visando uma melhor estruturação dessas
vertentes propõem-se a busca de uma transformação da
mentalidade ambiental dos indivíduos da sociedade através da
educação e assim conseqüentemente levá-los a mudanças nas
atitudes que outrora poderiam ser prejudicial ao meio ambiente
tendo em vista que essa mudança levará a um verdadeiro
desenvolvimento sustentável.
Vale salientar que os recursos naturais são renováveis, mas
não se renovam de uma hora para outra, mas passa por um
processo de regeneração longo e duradouro e também se sabe que
em alguns casos fica impossibilitada esta regeneração.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL TRANSFORMADORA
Na perspectiva da educação a Educação Ambiental
Transformadora vem permear de modo contundente uma emancipação
dos indivíduos presentes em “tal” sociedade para que se possam
levar a alterações as atividades humanas. Buscando de alguma
forma “revolucionar” determinados paradigmas que visa ter como
resultado uma transformação integral do ser e dos objetivos
que o leva a existir.
Loureiro (2004,. P 90) ressalta que “entendemos falar em
Educação Ambiental Transformadora é afirmar a educação
quanto práxis social que contribui para o processo de
construção de uma sociedade pautada por novos patamares
civilizacionais e societários distintos dos atuais, na qual a
sustentabilidade da vida, a atuação política consciente e a
construção de uma ética que se firme como ecológica seja o seu
cerne”.
Desta forma vale utilizar a Educação Ambiental não
apenas como uma mera metodologia, mas levar a aplicabilidade
desta a uma profundidade onde esta se torne uma ferramenta
indispensável para a transformação e levar os indivíduos a ter
uma consciência ambiental voltada para uma melhor qualidade de
vida.
Assim a partir de um levantamento minucioso de
modelos teóricos que dá aplicabilidade para o tema, percebe-se
que a utilização da Educação como uma ferramenta
transformadora e a utilização de metodologias práticas leva-se
a uma modificação na consciência ambiental de indivíduos que
se abrem para uma nova perspectiva de contribuição pra bem
estar ambiental.
Com isso o entendimento da educação como instrumento
mediador de tal transformação busca-se levar os indivíduos que
compõem tal sociedade a conhecer a realidade, num processo de
sistematização, reflexão e ação; fortalecer a ação coletiva e
organizada; articular diferentes saberes na busca por soluções
de problemas e compreender o ambiente em toda sua complexidade
e a vida em sua totalidade. Freire (1996,. P 11) diz que “a
reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da
relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando
blábláblá e a prática, ativismo”.
Enfim, tendo em mente que o ser humano está sempre
sujeito a mudanças e a novas experiências, essas metodologias
mostram-se eficazes na modificação daquilo que supõe ser uma
atividade degradante em novas posturas com atividades que
trazem menos danos ao ambiente e aos recursos que o mesmo nos
disponibiliza.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mesmo com o passar do tempo a educação ainda se
mostra como instrumento infalível na emancipação dos
indivíduos, portanto, deve instrumentalizar e preparar este
indivíduo para escolher livremente os melhores caminhos para
sua própria vida, mas que estes caminhos os façam ingressar em
uma sociedade que esteja em comunhão com a natureza.
Sendo assim dentro das perspectivas propostas pela
educação ambiental transformadora podemos concluir que a
partir de projetos educacionais voltados para as questões
socioambientais a educação vai desempenhar um papel
fundamental nesta proposta que leva o homem a uma
conscientização e os levam a ser participantes do processo de
sustentabilidade.
Desta forma haverá uma melhora substancial para determinados
fatores que atualmente tem tido como conseqüências degradantes
ao meio ambiente e de igual modo tem levado a danos
irreparáveis e estrutura ecológica (em seu termo mais
abrangente) da Terra.
REFERÊNCIAS
CARCINO, F. Educação Ambiental: princípios, história, formação
de professores. 4 ed. São Paulo: Senac, 2007.
CARVALHO, I. C. M. Repensando nosso olhar sobre as relações
entre sociedade e natureza. In Carvalho, I. C. M. Educação
Ambiental: a formação do sujeito ecológico. 2 ed. São Paulo:
Cortez, 2006. (Coleção Docência em Formação).
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 2 ed. São Paulo: EGA,
1996.
LOUREIRO, C. F. B. Por uma educação ambiental transformadora.
In: LOUREIRO, C. F. B. Trajetória e fundamentos da educação
ambiental. São Paulo: Cortez, 2004 .